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A Europa que atualmente está a ser tão maltratada. A Europa que é a construção política mais extraordinária desde a democracia grega. A Europa que os cidadãos, por falta de perspetiva histórica, teimam em desprezar. A Europa que foi a única forma de este continente conseguir viver em paz (e não todo, ainda). A Europa que nos une com todas as enriquecedoras diferenças que temos. Essa Europa, aquela que não é só economia, venceu hoje o prémio Nobel da Paz. E, de facto, poucas instituições alguma vez terão feito ou farão tanto por ela.

 

Parabéns União Europeia e obrigado!

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4 comentários

De C. a 12.10.2012 às 17:23


Olá Pedro,
Desta vez tomo a liberdade de divergir :P
Europa- SIM, SIM, 100%
União Europeia-Não (pelo menos tal como a conhecemos actualmente. Não conseguiu sair da sua matriz económica e alimentar-se do que a Europa tem de melhor, que é a Cultura, a Diversidade cultural. A UE não vai muito além dos interesses económicos dos grandes grupos, do eterno eixo franco-alemão que continua a ditar as regras de bom comportamento para os pobrezinhos indisciplinados (grécia, portugal, irlanda e espanha) e por isso não tem conseguido arranjar respostas para a crise e é bem possível que esta impotência ainda esteja a alimentar o resurgimento dos nacionalismos e de um sentimento anti-europeu com todos os perigos que isso implica:()- Para ser merecedora deste prémio creio que seria necessário ter uma "voz europeia", sobretudo nestes momentos de crise, e a única voz que ecoa é a da chanceler alemã. Querem fazer crer que a Europa está caduca, mas são os sistemas político-económicos que o estão.

Espero que possamos assistir a uma evolução e redefinição da UE, porque esta está muito longe dos cidadãos, mas espero também que ~para essa evolução não seja necessário destruir tudo 1º.

De pedrices a 12.10.2012 às 19:09

Obrigado!
A divergência é bem vinda. Especialmente porque assim podemos talvez aprofundar o tema.
Deixa-me dizer primeiro isto: mesmo que esta UE fosse a única UE possível, e este fosse o “fim das história” para ela, eu continuaria a achar que é a mais fantástica criação política desde a Grécia antiga. Porquê? Porque não é normal que países que se destruíram de forma abominável consigam, em tão pouco tempo, dar-se bem. E ainda convidaram outros para se juntarem a eles. Olha para os balcãs e olha para a Europa Ocidental. A diferença é a UE.
Mas tudo isto começou com o carvão e o aço. A integração não podia ser política (como é que um francês iria dar-se bem com um alemão depois de Hitler?). Foi a economia que permitiu “segurar” os ódios terríveis que havia. E, com essa base, fomos aprofundando a integração. Mais tarde, passou a ser possível celebrar a diversidade cultural. Mas há sempre tanto por fazer a esse nível. Parece-me que muito já foi feito, mas nesse campo falta sempre mais.
O sistema de decisão montado foi, pelo menos na Europa a 15, exemplar. Nem grandes nem pequenos podiam dominar só por sê-lo. Na Europa alargada, de hoje, as coisas são bem mais complicadas. Mas num conjunto de 27! países como é que as coisas podiam ser simples?
A crise apareceu entretanto. E estragou muita coisa. Mas não me parece que, de um dia para o outro, toda a gente se podia sentar e pôr de acordo. São 17! Países com a mesma moeda. Como explicar aos que têm uma economia saudável os excessos dos países do sul? Bom, vão ter que levar com isso. O que significa que nós também temos que levar com as exigências deles. Da síntese que daqui vai saindo, vão aparecendo os caminhos a seguir. Não são fáceis nem óbvios.
Cada vez que algo corre mal, ressurgem os egoímos. O nacionalismo é sempre uma sequência lógica e terrível, a mais perigosa de todas, acho eu. Mas eu não acho que seja preciso destruir tudo. Mas também não adianta dizer que isto está tudo mal e que esta europa não. Ela tem espaço(s) para se ir autocorrigindo e aperfeiçoando. Sempre o fez. Estamos é num daqueles momentos turbulentos em que as respostas não são claras. Há sempre algum desnorte. Daí a importância deste prémio. Lembra o essencial, recorda-nos da importância desta instituição que estamos a maltratar porque ela não consegue resolver rapidamente problemas que não são simples. Se os EUA, uma federação, têm dificuldades, então o que esperar de 17 países diferentes que têm que se entender.
Há muito por fazer. Mas só acredito que se pode fazer quando olho para trás e vejo o que foi feito. Será que alguém acreditava em 1918. Ou em 1939, que isto que hoje temos seria possível? Não creio, e é extraordinário.
Vou só comentar o facto de os cidadãos estarem longe… Os cidadãos querem é futebol, subsídios, programas estúpidos na TV e poucas chatices. Nunca a Europa estará nas preocupações do cidadão comum, porque nem o seu próprio país alguma vez está… Os gregos chatearam-se com os alemães mas enquanto houve dinheiro a rodos estiveram quietinhos… os portugueses beneficiaram de quantidades incríveis de dinheiro e estava tudo bem, mas agora a Europa é má… os alemães ganharam um mercado enorme para sustentar o seu enriquecimentos, mas agora, porque quisemos ser iguais a eles, temos que levar um chega para lá… É assim que o mundo funciona. É pena mas é assim. E num mundo que funciona assim, o incrível é a UE conseguir existir.

De C. a 12.10.2012 às 20:17

Tenho uma visão pessimista e de desconfiança-mea culpa.
Continuo a ver a génese da UE (CECA) associada ao estado de destruição em que o continente europeu se encontrava, bem como a ameaça vermelha a rondar. Em relação à entrada de certos países questiono a viabilidade de investimento para os demais-mão-de-obra barata, estruturas alguns casos destruidas ou deficitárias. Mesmo o caso turco-mais do que a demanda pela igualdade de direitos, receio o interesse geoestratégico face às ameaças de radicalismo islâmico.
Confesso que com Maastricht esperava que se fizessem progressos na verdadeira integração europeia e "no ser europeu", mas hoje, e apesar de ver as vantagens da livre circulação, da cidadania europeia, fico com a sensação de que estes e outros princípios são muito pouco consistentes, porque no fim de tudo está o principio orientador "do vil metal". Sinto que o europeísmo apenas existe em função da oposição a 3ºs, e apenas se falhar a afirmação da identidade nacional (um francês sê-lo-á em qualquer parte do mundo).
É verdade que entrou bastante dinheiro e que nesse período de vacas gordas estava tudo bem, mas também é verdade que uma parte desses fundos acabou com a produção agrícola e industrial de um país que tinha nos sectores primário e secundário a sua fonte de rendimentos, e possivelmente a terciarização do país tenha contribuido para o mercado saturado que temos diante dos olhos.
Há uma União Europeia, da qual fazemos parte, mas não há uma educação europeia (bem, nem portuguesa- só afirmamos a n/ nacionalidade em relação aos espanhois) e, para mim, o grande problema é que apesar de termos acesso a mais infomação não a aprendemos a processar e a exercer um espírito crítico, independentemente de termos opiniões divergentes.
Obviamente que existem aspectos positivos na UE-mas este prémio, nesta altura, não me parece bem. Ou, e concordando com os teus argumentos, já vem com umas décadas de atraso.
Não desejo que esta UE desapareça, deixo em aberto a possibilidade de avançarmos para um modelo federalista, desde que os argumentos sejam devidamente apresentados e nos coloquem em cima da mesa o que temos pela frente.
Puxa, isto de discordar é complicado-fica sempre tanto por dizer (bolas).

De pedrices a 14.10.2012 às 00:22

Depois de ler o teu comentário nem me parece que discordemos assim tanto. Eu acho que a UE é parte da solução para os nossos problemas. Porque aquilo que teríamos sem ela seria algo como sermos uma Albânia. Há muto por fazer e é bom que possamos fazê-lo. Sem UE o que haveria para um país como este?
O prémio vem com décadas de atraso, é verdade. Mas esta é uma boa altura porque vem no momento em que, como há crise, subitamente parece que perdemos a visão sobre o essencial. E o essencial é que os nossos problemas não são só nossos e que as soluções só as encontraremos em comum. Não vai é ser fácil... Mas talvez seja o momento para o federalismo que vai tardando e talvez seja o único passo verdadeiramente decisivo que falta dar. Se o leitmotiv for o "vil metal" continua a ser melhor do que um continente em guerra pelo domínio físico de uns pelos outros.

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