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Band of Horses

12.05.13

 

Eu não gosto de festivais de música. Quer dizer, não tenho nada contra mas não gosto da ideia de ir a um festival em vez de ir a um concerto. Gosto da devoção a uma banda e de ir vê-la, de estar num concerto onde toda a gente está porque quer ver aquela pessoa naquele palco. Nos festivais há muito mais do que isso, e a ideia de devoção perde-se um bocado. Claro que também há quem lá vai só pela música de quem gosta. Eu sou uma dessas pessoas. Quando, no ano passado, fui ao Optimus Alive foi para ver os The Cure (e os Mumford & Sons).

 

Desta vez, não vou. Mas os Band of Horses quase me fazem pensar duas vezes…

 

Já agora, diretamente do fragmagens, blog que me tem dado muito boa música, fica uma amostra: 

http://fragmagens.wordpress.com/2013/05/09/fazer-das-veias-cordas-vocais/

 

E a minha preferida: 

http://www.youtube.com/watch?v=QqFXAkB7hps

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Ao meu fascínio pela escrita magistral de Flaubert junta-se agora a ideia de versatilidade. Este livro não tem nada a ver com os outros que li do autor. E é espantoso por isso mesmo. Há a solidez da construção flaubertiana, mas há também um humor que (ainda) não lhe conhecia.

O ponto de partida é curioso. Dois homens encontram-se, começam a conversar e tornam-se amigos. Mas isto, que descrito em poucas palavras parece simples, é incrivelmente difícil como ponto de partida. Como podem dois homens começar a falar e ficar tão fascinados que nunca mais se largam? Como pode isto ser convincente (não estamos a falar de atração sexual, evidentemente)? Pois é precisamente isso que Flaubert demonstra. A consolidação desta amizade prossegue com o estudo de… tudo. Graças a uma herança, é-lhes permitido irem viver juntos, deixando os empregos e entregando-se a uma vida nova, numa quinta, na qual se dedicam primeiro à agricultura, depois à medicina, à arqueologia, à filosofia… a todos os ramos do saber. Mas a cada novo livro, a cada incursão numa área nova, os problemas vão-se multiplicando e os dois homens raramente acertam nas suas opções. E os livros raramente lhes dão uma resposta única para os problemas que vão tendo.

Flaubert disse que este livro era um ensaio sobre a estupidez humana e parece que fez uma intensíssima pesquisa antes de o escrever. Mas o mais interessante é perceber de que lado está ela, afinal - em quem procura? Ou em quem difunde sem procurar?

 

Mas Bouvard e Pécuchet é também um livro inacabado. Flaubert morreu antes de o terminar. Em termos de história, felizmente, não ficamos privados de conhecer o seu desfecho. Flaubert deixou indicação do que aconteceria depois. Nas últimas páginas do livro podemos, assim, ler o plano do autor para o resto do livro. Por outro lado, não deixei de sentir que o trabalho de linguagem aqui é menos elaborado que nos outros livros. Talvez se sinta uma pressa em avançar na história que é coisa que também não estou habituado em Flaubert, sendo mais o contrário que costuma acontecer. Depois, vim a saber que o livro foi “montado” por um familiar, pelo que seria necessariamente diferente.

Em resumo, é um magnífico fresco sobre o estado do conhecimento à época (a ação ocorre por volta de 1850), um hilariante romance sobre dois homens profundamente idiotas mas muito voluntariosos, e uma obra de sátira acutilante.

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Há histórias que fazem parte da nossa vida sem que saibamos já como nos apareceram. O que ssignifica também que há gente capaz de criar essas histórias, que ficam e perduram. Dickens é um caso óbvio. Não sei quantos filmes ou outro tipo de adaptações de obras de Dickens eu já vi. Sei que foram muitas. Para além das conscientes, há também as referências em que nem sequer me apercebi que estava exposto a algo inventado por ele. Mas ler Dickens? Não sei… Li, sem dúvida, o Cântico de Natal, talvez a história que eu salvaria se só pudesse salvar uma, mas não sei se li mais algum. Talvez adaptações para crianças. Não sei. Mas isto só faz com que um regresso se torne mais urgente. O pretexto foi esta edição linda que me ofereceram. Demorei uma eternidade, é certo. Não só porque o livro é bem grande (mais de 700 páginas), na verdade até se lê bem rápido, mas porque se vai lendo. Apeteceu-me ler assim, mais devagar, mais perto de como se liam estes textos quando eram publicados em capítulos.

Enfim, estes livros não se recomendam, são obrigatórios. Pelo menos um Dickens tem que ser lido.

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Tive sorte, muita sorte. Já tinha lido um capítulo deste livro ne net, em inglês. No outro dia, encontrei esta edição portuguesa a 2.5€ na Barata da Av. de Roma e lá continuei a leitura.

O livro faz parte da coleção “very short introductions” da Oxford University Press que é muito interessante por nos permitir uma visão rápida sobre um assunto que se pode aprofundar depois. Nesse sentido, este livro é exemplar mesmo que em termos mais “pedagógicos” não seja nada daquilo que se poderia esperar. Ou seja, este é um magnífico ensaio sobre a importância e o valor de estudar a antiguidade clássica. Sai-se dele com vontade de ir imediatamente para a Grécia (pronto, admito que estou cheio de vontade de lá voltar e que mal consigo pensar noutros sítios) e de mergulhar noutras leituras relacionadas com o tema. Mas, por outro lado, não é um texto convencional que nos dê o tal “essencial” sobre a antiguidade. Não nos conta a história da Grécia ou de Roma, nem nada disso. Mas o que conta é tão bom e tão apaixonante que o único reparo a fazer é que deviam chamar-lhe outra coisa.

 

Já agora, permitam-me também que fale um pouco de Mary Beard, uma vez que ela tem sido uma referência nas minhas incursões pela antiguidade grega e romana. Ouvi falar dela pela primeira vez quando estive em Pompeia. Quando se está num sítio daqueles é inevitável querer saber mais e, se o assunto é Pompeia (ou mesmo a história de Roma em geral), é provável que se chegue a Mary Beard e ao seu livro Pompeia (tem edição portuguesa). É verdade que ainda não o li, o que é imperdoável, claro. Depois, há também a série Meet the Romans, em 3 episódios, que está no youtube e é um delicioso passeio pela Roma de hoje em companhia de uma anfitriã que irritantemente toca em tudo mas que é deliciosamente cativante naquilo que nos conta. Tenho também um livro sobre arte clássica que tenho lido aos bocados e é muito interessante. E agora falta-me o último livro, Confronting the Classics que vou esperar para ver se aparece aí em português. A propósito, fica aqui o link para se saber mais sobre uma mulher que não é convencional, e de quem pode não ser fácil gostar de imediato mas que vale a pena conhecer: http://www.independent.co.uk/arts-entertainment/art/features/mary-beard-interview-i-hadnt-realised-that-there-were-people-like-that-8534771.html

 

E, finalmente, fica aqui o seu blog: http://timesonline.typepad.com/

 

P.S. Eu sei que este livro tem 2 autores e que eu só falo da Mary Beard. Mas vou estar atento ao Jonh Henderson que não conhecia até agora.

 

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Até nos contos Yourcenar é grande, enorme... É só uma frase, porque me obriguei a escolher só uma.

 

Um muro altíssimo separava o jardim do resto do mundo, para que o vento, que sopra sobre os cães mortos e os cadáveres dos campos de batalha, se não permitisse aflorar a manga do Imperador.

 

Marguerite Yourcenar, in A Salvação de Wang-Fô

(Contos Orientais)

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Gigi, de Colette

06.05.13

Devo a Edmund White a vontade de ler Colette. No seu livro sobre Paris (The Flâneur: A Stroll through the Paradoxes of Paris), que li há uns tempos, White fala da escritora de um forma tão entusiasmada que fiquei cheio de curiosidade. Depois, apareceu este livro, o primeiro de uma nova editora. A edição é cuidada. Tem biografia da autora, mas também do tradutor - José Saramago - extraordinário, como sempre, e até da atriz Audrey Hepburn.

 

Este é um livro de contos - embora isso não seja completamente claro, a não ser quando o começamos a folhear. O primeiro conto é Gigi e, como é breve, se contar alguma coisa contei tudo. Digo apenas que é uma delícia, é daqueles contos que nos reconciliam com o género. Os outros dois, achei francamente desinteressantes, percebe-se o talento de Colette, mas também se desconfia que não haverá muito mais para além daquilo. Já agora, devo dizer que a vida dela é capaz de ter sido bem mais interessante do que a sua obra. É consultar o Edmund White, e é ver a pequena biografia nesta edição para abrir o apetite.

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