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Não posso deixar de escrever o título deste post sem me lembrar que passei a minha vida “literária” a arranjar razões para não ler este livro. Por exemplo: “Já li tanta coisa sobre ele que não vale a pena”, “Se já o conheço tão bem, não era melhor aproveitar para ler outros? Porque o tempo é escasso…”.

Estas razões nunca me concenceram completamente mas foram servindo para adiar o inevitável. E finalmente aconteceu. Claro que não posso deixar de me sentir estúpido por não ter lido antes um livro que é talvez o livro dos livros (deixando de lado razões religiosas que podem promover outros livros), um livro que, mais de 2500  anos depois de ter sido escrito, continua a ser lido e esmiuçado, um livro que contém a origem de muitas das histórias que estão mais enraizadas na nossa memória coletiva.

É claro que é uma maravilha absoluta. Também é verdade que pode ser chato. As descrições (horrosamente explícitas) das batalhas são longas e nem sempre fáceis de acompanhar. Mas, aconteça o que acontecer durante a leitura, pouco preparados ficamos para o os cantos XXII e XXIV. Este último, o canto final, é uma das maiores maravilhas da literatura. E que pena não o poder ler em grego, com toda a sua riqueza de significados.

Não há mais nada que possa dizer. Deixo apenas alguns momentos.  

 

Canto XXII, quando a mãe de Heitor lhe implora que não vá ao encontro de Aquiles:

 

A mãe lamentava-se, em pranto, com uma mão desnudou o colo, e segurou o seio com a outra; e derramando lágrimas disse estas palavras aladas:

- Heitor, meu filho, respeita este seio e compadece-te de mim. Se alguma vez te ofereci o seio que cala o choro, recorda-o agora, meu filho. Repele esse inimigo do interior dos muros, não saias ao seu encontro! (…)

p.328

 

Canto XXIV, quando o digníssimo Príamo vai ao encontro de Aquiles para lhe pedir que restitua o corpo do seu fiho Heitor à família e a Tróia:

 

(…)Sem ser visto, o grande Príamo entrou e, aproximando-se, abraçou os joelhos de Aquiles e beijou as suas terríveis mãos homicidas, que tantos filhos lhe haviam morto.

(…)

Respeita os deuses, Aquiles, e apiedai-te de mim, em memória de teu pai; sou ainda mais digno de dó, pois tive a coragem de fazer o que não fez ainda humano algum sobre a terra: levar à minha boca a mão do matador de meu filho.

p.369

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