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Outro poema

08.03.12

O 222 deixou-me este poema num comentário ao poema da Sophia sobre a Cleopatra. Acho que merece ser promovido a post. Até porque Cavafis é um dos poetas que mais admiro.

Obrigado e aqui fica.

 

The god forsakes Antony

When suddenly, at midnight, you hear 
an invisible procession going by 
with exquisite music, voices, 
don’t mourn your luck that’s failing now, 
work gone wrong, your plans 
all proving deceptive—don’t mourn them uselessly. 
As one long prepared, and graced with courage, 
say goodbye to her, the Alexandria that is leaving. 
Above all, don’t fool yourself, don’t say 
it was a dream, your ears deceived you: 
don’t degrade yourself with empty hopes like these. 
As one long prepared, and graced with courage, 
as is right for you who were given this kind of city, 
go firmly to the window 
and listen with deep emotion, but not 
with the whining, the pleas of a coward; 
listen—your final delectation—to the voices, 
to the exquisite music of that strange procession, 
and say goodbye to her, to the Alexandria you are losing. 

- Constantine P. Cavafy (1911)

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Porque

Porque os outros se mascaram mas tu não
Porque os outros usam a virtude
Para comprar o que não tem perdão
Porque os outros têm medo mas tu não

Porque os outros são os túmulos caiados
Onde germina calada a podridão.
Porque os outros se calam mas tu não.

Porque os outros se compram e se vendem
E os seus gestos dão sempre dividendo.
Porque os outros são hábeis mas tu não.

Porque os outros vão à sombra dos abrigos
E tu vais de mãos dadas com os perigos.
Porque os outros calculam mas tu não.

Sophia de Mello Breyner Andresen

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Não foi nada fácil esta leitura. Há muito pouco de agradável em Céline como, acho eu, provam os vários posts que fui fazendo com o "Diário de Leitura". E, como se vê, Céline tem, no mínimo, isto, uma capacidade de mexer connosco que é poderosíssima e invulgar. Ler Céline implica algum estômago. O texto é corrosivo, cru, muitas vezes de mau gosto. Mas é assim mesmo, é uma viagem ao fim da noite, uma viagem de escuridão, de coisas podres, um retorno a algumas ideias-base que são, no fundo, aquilo que mais genuinamente somos. Céline pode ter sido um homem execrável, provavelmente foi-o; ao ler isto, acredita-se ainda mais. Isso não lhe tira mérito enquanto observador implacável, e desencantado, sem ilusões, daquilo que nós somos. A literatura também é isto, esta força, esta acidez.

 
Para saber mais sobre de que trata o livro, recomendo: http://oqueeuleio.blogspot.com/2011/05/viagem-ao-fim-da-noite-louis-ferdinand.html

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