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Mas a minha relação com o poema do post anterior não se fica por ali. Há dois anos, estava eu a passear pelo fascinante Museo del Prado, em Madrid, quando me deparo com um quadro que ilustra, precisamente, a meditação do poema da Sophia.

 

Não fazia ideia de que o quadro existia. E, no meio de tantos, acabou por ser uma sorte ter-me fixado naquele. A emoção foi forte mas, o melhor de tudo, foi sentir como o poema se aplica tão bem àquele quadro.

 

Conversión del duque de Gandía

Conversión del duque de Gandía, 1884, por José Moreno Carbonero

 

Fonte:http://www.artehistoria.jcyl.es/artesp/obras/11027.htm

 

 

 


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Nunca mais

A tua face será pura limpa e viva

Nem teu andar como onda fugitiva

Se poderá nos passos do tempo tecer.

E nunca mais darei ao tempo a minha vida.

 

Nunca mais servirei senhor que possa morrer.

A luz da tarde mostra-me os destroços

Do teu ser. Em breve a podridão

Beberá os teus olhos e os teus ossos

Tomando a tua mão na sua mão.

 

Nunca mais amarei quem não possa viver sempre,

Porque eu amei como se fossem eternos

A glória, a luz e o brilho do teu ser,

Amei-te em verdade e transparência

E nem sequer me resta a tua ausência,

És um rosto de nojo e negação

E eu fecho os olhos para não te ver.

 

Nunca mais servirei senhor que possa morrer.

 

Sophia de Mello Breyner Andresen

 

 

 

 

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E agora, a propósito do reencontro com um poema, recordei as minhas aulas de português.

Acho que tive muita sorte com alguns dos professores de português que tive. Pelo que fui percebendo, muita gente passou pela escola sem ter aproveitado as aulas para… ler. Felizmente, desde leituras coletivas, até apresentações dos livros que cada um ia lendo, tive várias atividades relacionadas com a leitura.

Uma das minhas preferidas era ler poemas. Cada um de nós (podia ser em grupo) escolhia um poema e tinha que o ler à turma. Mas com música e tudo. Portanto, era quase uma performance à volta de um poema. A professora dava-nos umas fichas com tabelas para preencher, as quais serviam de base para comentarmos/avaliarmos a apresentação dos colegas.

Claro que isto só podia resultar em momentos lindíssimos (ok, também os houve muito maus, claro, mas vive-se bem com isso).

Lembro-me de ter lido com um colega um poema da Sophia. Quando chegávamos ao último verso de cada estrofe, líamos em coro, enquanto que o resto do poema era lido apenas com uma voz. Creio que o resultado foi simples mas belo. Ainda assim, não tão belo como o próprio poema, claro,a conferir no próximo post.

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Mais Céline: 

 

"Do aglomerado saía um cheiro de entrepernas urinado, como no hospital. Se nos falassem, tínhamos de evitar-lhes a boca porque o interior dos pobres já cheira a morte." 

 

"Tornamo-nos rapidamente velhos, e de forma irremediável. Apercebemo-nos disso pelo jeito que apanhamos de amar a nossa própria desgraça, mesmo sem crer."

 

"Os estudos modificam-nos, fazem o orgulho de um homem. É preciso passar por eles para entrarmos no fundo da vida. Antes, só giramos à sua volta. Supomo-nos libertos mas esbarramos com ninharias. Sonhamos de mais. Escorregamos em todas as palavras. Isto não é isto. Só em intenções, aparências. Um homem resoluto precisa de outra coisa."

 

in Viagem ao Fim da Noite

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