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Sobre votar

15.09.09

 

Uma conversa que ouvi ontem na rua:
- Vais votar?
- Eu não!
- Eu também não!
- Eu já da outra vez, que não sei para que é que era, não fui!
- Eu? Votar para lhes andar a encher o cú? Não!
Podem dizer o que quiserem dos políticos e da sua falta de qualidade…. Podem vir com os clichés do “são todos iguais”. A mim, parece-me, que este tipo de discurso é que é sempre igual. O desprezo por aquilo que é importante, o declinar da opção de ter uma palavra a dizer, a ignorância.
Quem é que falava de suspender a democracia por uns meses?...

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Há aqui uma diferença brutal entre o que este livro parece ser e o que ele verdadeiramente é.

 
Eu até sou daqueles que prefere ver alguém a ler um livro da chamada literatura light do que nenhum. E até acredito um bocadinho que quem por aí começa talvez chegue, também, à grande literatura. O que eu não consigo perceber é como é que se dá a este livro a roupagem que ele tem, com um título à-la-literatura-light, uma capa à-la-Friedrich-com-uma-criança e depois se põe um subtítulo a dizer algo como “A Viagem de um filho por terras islâmicas”. Bom… é ir ao Google e ver. Diga-se também que a edição portuguesa é igual à inglesa, por isso, a culpa deve estar logo na origem. Felizmente, há uma frase de Naipaul na capa que me fez ficar descansado e arriscar comprá-lo.
 
Nada disto teria mal se o livro tivesse algo a ver com esse tipo de… literatura. Mas não. Este é um livro de um jornalista que resolve, em linguagem jornalística, contar alguns aspectos da sua vida e, em particular, uma viagem que fez para “descobrir o Islão. Nem sei se se pode considerar isto como um romance. Talvez possa, na mesma medida que A Viagem de Théo pode ser um romance.
 
O que temos aqui é mais uma investigação jornalística. O que temos aqui é mais uma série de entrevistas e um relato de uma viagem que permite uma visão abrangente sobre o islão enquanto religião. Desde a Turquia até ao Paquistão, vamos conhecendo personagens que nos dão ideia das suas várias vertentes. Para mais, o livro foi escrito recentemente e fala de acontecimentos tão reais, que permite compreender melhor a actualidade.
 
Há uma dimensão autobiográfica (que deve ter dado aos editores a ideia de tentar vender o livro como aquilo que ele não é) que ajuda a tornar a história mais consistente e que fundamenta a viagem. Trata-se do filho que tenta compreender a religião que tem, ou que lhe dizem que tem, fazendo ao mesmo tempo uma busca pessoal, a de compreender e encontrar o seu pai.
 
Para quem conhece esta religião, este livro tem esta extraordinária característica de ser capaz de nos mostrar os seus vários ângulos e aquilo que ela tem de comum em todos e tão diversos países. Aconselharia a leitura prévia de uma introdução aos preceitos do Islão, para compreender melhor este Regresso às Origens.
 
 
P.S. Imagino uma tia dondoca a pensar “ai que deve ser tão lindo… um filho à procura do pai… ai, vou levar”. E depois começa a ler e não é nada disso. Pena que eu duvide que ela prossiga a leitura… (verdade seja dita: pelo menos preocupa-se em ler, o que nos dias de hoje já não é mau, nada mau…)

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Ora aqui está um livro sobre o qual é difícil ter uma opinião. Nem “gosto” nem “não gosto”. Ou então: gostei muito de algumas coisas e outras deixaram-me completamente indiferente. Ou, melhor ainda, sendo sincero, que recordo eu? Que me ficou deste livro? Pouco, de tanto.

 
Há uma história, ou várias, que estão bem desenhadas, Há um certo mecanismo cinematográfico que, não sendo dos que melhor resultam num livro (cenas entrecortadas, por assim dizer), não está mal e surpreende como opção. Depois, para dentro do caldeirão de personagens/histórias vão sendo atirados vários ingredientes, demasiados. Possidónio Cachapa parece pretender colocar muito dentro deste livro. E eu gostava mais de o ver desenvolver cada um destes pontos de uma forma mais isolada ou, pelo menos, mais espaçada. Assim, é difícil saborear, porque tudo aquilo passa como um turbilhão de homossexualidade, violência, pedofilia, segregação social e racial, assédio sexual, abuso policial, tentativa de violação, etc.

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