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Já não preciso, ao fim de vários posts sobre ele, de elogiar mais Coetzee. Apenas referir que se confirma, também neste, o invulgar poder narrativo do autor.
 
Elizabeth Costello é uma escritora famosa. Coetzee apresenta-nos este seu alter-ego através de uma série de palestras. Desde a literatura realista, os direitos dos animais, passando pelo sexo, por África, pelo holocausto, tudo é abordado como se o fosse por Elizabeth que, ainda por cima, na forma como é vista pelos seu filho, um dos personagens, nem sequer é muito boa a argumentar ou mesmo a falar. Há presenças constantes nestas palestras, como Joyce e o seu Ulisses ou Kafka que parece ter escrito a última palestra em conjunto com Coetzee.
 
No fundo, esta é uma obra que trata do que é ser escritor. Dos limites – se os há ou deve haver – da escrita, daquilo que é o autor perante o que constrói enquanto tal e aquilo que ele é ou pode passar a ser enquanto pessoa, da coerência entre as nossas acções e aquilo que pensamos, de dilemas entre aquilo que temos direito a fazer neste planeta (com especial ênfase nos direitos dos animais), e de tantos outros caminhos que vão surgindo, numa obra que mostra uma visão do mundo, ou melhor, de uma obra que sabe procurar, que procura no que acreditar.

 

Aqui fica um link para um interessante texto de David Lodge a propósito deste livro: http://www.nybooks.com/articles/16791

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Foi por acaso que logo a seguir a um livro de contos, veio outro (ver post anterior). Desta vez de um autor que não podia ser mais diferente do anterior. Das paisagens de um Portugal interior e profundo, passei para as paisagens interiores de personagens que vivem, muitas delas, em meios bem urbanos e bem mais alienantes. Murakami escreveu um romance estonteante, Kafka à beira mar. E esse é o motivo pelo qual não pude deixar de querer voltar a um livro seu.
 
Curiosamente, à semelhança do livro de Vergílio Ferreira, também este começa com uma introdução do autor. Neste caso, não justifica nem menoriza, apenas fala do prazer que tem em escrever contos. Ainda bem.
 
Há aqui histórias de vários tipos. Desde o mais surreal ao mais concreto. Sempre história interessantíssimas de ler e muito rápidas na sua narrativa. Murakami sabe o que faz e é terrivelmente eficaz na arte de construir e contar um a história. Quanto ao conteúdo, é altamente discutível, não fosse Murakami quem é. A verdade é que muitos destes contos são simplesmente parvos. Pode-se estar a ler com imenso prazer mas chegar a uma altura em que a conclusão, ou algum elemento novo na história, o tornam ridículo. Por outro lado, não se perde muito tempo nesses contos, todos eles, aliás, são bastante curtos.
 
Há outros, felizmente, em que o encanto de Murakami sobressai e entramos tão profundamente na história que é difícil acreditar, ao virar a página, que já possa estar a acabar.
 
Creio que não vou voltar a ler contos de Murakami. Mas aos romances voltarei, à procura de mais um Kafka.

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Este livro começa com uma introdução do autor que, ao mesmo tempo, justifica e minimiza a escrita de(stes) contos. De um início assim, confesso que não podia esperar muito. Prefiro que um escritor não se justifique, especialmente um tão bom quanto Vergílio Ferreira.

 

Adiante, os contos são interessantes. Cheios de personagens que fascinam pelo seu toque tão genuíno, pela profunda capacidade que o autor tem de ressaltar as características de uma certa portugalidade bem enraizada.

 

Não se encontra aqui o brilhantismo dos romances de Vergílio, é certo (talvez só a espaços, em alguns contos). Mas há contos que valem bem a leitura do livro e para quem não tiver ainda experimentado a magnífica prosa de romances como Aparição, talvez seja uma excelente introdução.

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