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Pode-se escrever um ensaio a dizer mal da religião ou das suas instituições. Pode-se fazer muita coisa e não é difícil ter boas razões para isso. Diderot optou, aqui, por escrever um livro de denúncia de uma prática odiosa – a de obrigar mulheres a entrarem para um convento sem que estas o desejassem.

 

Não é tanto a literatura que aqui fica para se ler. A esse nível, há uma escrita competente, eficaz e elegante. No entanto, nada de marcante, nada que não se consiga encontrar com facilidade e com igual ou maior brilho. É pelo poder de denúncia que o livro de Diderot se destaca. Também por isso, devia ser mais curto. O rol de desgraças que acontece a esta pobre mulher, obrigada a ser freira, vai perdendo algum impacto por nunca parar de acontecer sempre algo pior e ainda mais revoltante.

 

Não é bom, quando começamos a achar rídiculo aquilo que só devíamos achar chocante.

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Walzer argumenta de forma brilhante. E, só por isso, já é um prazer lê-lo. Este livro, reúne uma série de textos que escreveu ou apresentou e que aprofundam a sua teoria da guerra justa. E é precisamente assim que tem que ser lido, como um livro de teoria política, o que não é a mesma coisa que um livro sobre política ou relações internacionais. Mas, mesmo assim, Walzer é extraordinário na forma como liga a teoria à prática, tendo ensaios sobre o Iraque, o Kosovo, a Palestina, relacionando estes casos com a sua teoria.
 
 
 
É com base naquilo que deve ser que se devem tomar as decisões, não por aquilo que parece, que pode, ou que se gosta. Essa é a lição de Walzer, que devia ser lida por muitos.

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Não tenho prestado muita atenção à literatura portuguesa ultimamente. Por isso, resolvi conhecer este autor, sem saber absolutamente nada sobre o que poderia ser este livro.
 
Fiquei surpreendido. Não sei se é ignorância por não estar muito a par do que por cá se vai escrevendo mas não esperava encontrar um policial. Pode não ser bem esse o género em que se encaixa, mas é também. A história é relativamente interessante, embora previsível, e constitui um entretenimento agradável. Não há grande literatura aqui. Mas há uma escrita suficientemente interessante para merecer alguma atenção a quem gosta de um livro para se divertir.

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As saudades que tinha de Musil! Foi uma das minhas descobertas literárias mais surpreendentes do ano passado (é ver o post) e, desde então, que andava para voltar a ler um livro seu. Ainda não foi desta que me lancei no Homem sem Qualidades mas lá chegarei…
 
Na primeira parte do livro, sob o título Três Mulheres, encontramos três novelas, sendo que a primeira destas, a lembrar Kafka, leva-nos para um Musil que escreve terrivelmente bem. E é terrível porque provoca desconforto, não é fácil acompanhar esta história bizarra que envolve o adultério.
 
Já a novela A Portuguesa, também bizarra, acaba por ser a menos interessante. Apesar disso, todo o brilhantismo da escrita de Musil está presente.
 
No entanto, na terceira, Tonka, tudo aquilo que Musil parece ser capaz de fazer, se revela. Não tenho memória de alguma vez ter lido uma narrativa curta tão boa quanto esta. Trata de uma história de amor, narrada de forma a fazer emergir os binómios inultrapassáveis que estão presentes em qualquer relação: acreditar/não acreditar, confiar/desconfiar, amar/odiar, etc. Para além disso, leva a dúvida até ao absurdo, até ao ponto em que o impossível passa a ser plausível pela força de acreditar. Mas, no fundo, ninguém acredita no impossível, embora se consiga viver acreditando que sim, que se acredita… Musil é um observador atento e implacável. Não perde tempo a florear, a detalhar. De repente, numa frase curta e afiada, explica tudo sem nos poupar.
 
O segundo conjunto de novelas tem o título União – Duas narrativas. E o nível que vem de Tonka mantém-se numa delas, A Consumação do Amor. Nesta, Musil toca novamente no tema do adultério, conseguindo ser tão penetrante como poucos. A grande literatura faz-se disto, de escrever sobre o que qualquer um poderia escrever mas fazendo-o como mais ninguém faria. O que se vai passando na mente de Claudine, arrepia, faz impressão, mexe connosco, leva-nos a julgá-la, provavelmente, com severidade. Mas Musil faz muito mais, torna-se de tal forma ela, no seu relato, que consegue expressar e transmitir sensações e ideias que não é normal conseguir encontrar assim, em palavras. E, por isso, a escrita de Musil me fascina tanto. Não é só em termos estéticos que ela é genial, é também na capacidade de exprimir o indizível.
 
J.M. Coetzee tem um texto sobre Musil, e sobre estas novelas, pode ser lido aqui: http://www.xs4all.nl/~jikje/Essay/coetzee.html
 
 
 
Obrigado, R, pelo Torless. Sem ti, talvez nunca tivesse descoberto Musil ;)

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