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Rebater as teses de Fukuyama e do seu fim da história tornou-se um exercício vulgar e quase obsessivo desde que essa tese foi apresentada. No entanto, tal como aconteceu com O Choque das Civilizações de Huntington, não era fácil perceber, no mundo real, quem tinha razão.
 
Kagan volta ao debate e afirma que o fim da história foi uma ilusão. Cheia de boas razões para ter existido mas uma perigosa ilusão. É certo que dizê-lo hoje é mais fácil. O mundo está cheio de bons exemplos que o podem confirmar.
 
Kagan pega nesses exemplos e desenvolve: o mundo caminha para um dualismo entre democracias e autocracias. Estas últimas provaram que podem resistir e, até, prosperar. China e Rússia são os exemplos. A forma como devem as democracias reagir é um dos pontos sobre os quais o autor se debruça.
 
A tese não é tanto a de que estamos num novo mundo, onde as autocracias podem prosperar. Pelo contrário, o mundo está a regressar a um certo século XIX, orientando-se esses Estados com uma lógica que a democracia liberal tem investido em superar.
 
Apesar do óbvio interesse deste ensaio, não se pode deixar de relativizar as teses de Kagan, e pelos mesmos motivos de sempre. Não creio que já seja possível dizer que os povos governados por autocracias não vão querer libertar-se do autoritarismo e enveredar pela democracia. Não me parece que já seja certo que isso não possa acontecer. No fundo, Kagan acredita que fomentar a democracia no Médio Oriente poderá produzir enormes mudanças nesses países, no sentido da liberalização. Porém, parece não acreditar no mesmo para a Rússia ou a China. Nesta, a posição pode até ser mais defensável. Todavia, na Rússia, um país que parece capaz de mudar de orientação a cada líder que tem, não me parece tão fácil ter certezas.
 
Uma belíssima leitura para pistas sobre o mundo de hoje. Com reservas sobre a capacidade de entender o mundo de amanhã. Leia-se em conjunto com O Mundo Pós-Americano de Fareed Zakaria, para uma visão mais abrangente (há um post sobre esse por aí).

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É ver o primeiro post que deixei neste blog para perceber há quanto tempo eu andava para ler este livro. E também para perceber que esta foi a vez que me aventurei nesta autora que desconhecia antes do Nobel e que procurei conhecer (foi uma das atribuições mais polémicas dos últimos anos).
 
Primeiro há que reconhecer o essencial, este é um livro surpreendente e inimaginável depois de só ter lido A Fenda. Aqui, Doris Lessing revela-se uma grande escritora. Num certo sentido, a escrita é clássica e elegante, profundamente envolvente. Parece tratar-se de uma outra autora. Há histórias dentro de histórias, há algumas personagens com uma grande riqueza e profundidade, há todos os ingredientes para um grande romance. E é isso que Amar de Novo é, um romance, daqueles que dão sentido à própria palavra.
 
A história é de amor, de um amor tardio, que chega para Susan aos 65 anos, quando há mais de 20 anos que não o sentia, nem acreditava poder voltar a sentir. Os momentos iniciais do despontar da paixão, são descritos de forma magistral. Pequenos jogos de gestos e de emoções que tornam estes personagens tão credíveis como fascinantes. Mas há também contradições nos sentimentos, há euforia e há terror. Há regressos ao passado que deixam adivinhar raízes profundas que justificam actos futuros.
 
O interesse da obra vai-se dividindo por vários planos. Há a história de Julie Vairon, a qual dá origem a uma peça de teatro à volta da qual gira toda a acção deste livro. Há o homem apaixonado por esta Julie que já morreu há muito tempo, há a sensação de que Sarah se desforra da ausência de amor, acabando por se entregar a uma espécie de overdose deste. Todavia, nem sempre o amor, ainda que correspondido, pode ser realizável.
 
Também é verdade que este acaba por ser um livro algo desequilibrado. Tenta apontar para várias direcções e parece não ser capaz de chegar a nenhuma delas. Ainda assim, não deixa esse de ser um facto coerente num livro que é, antes de mais, uma longa viagem interior.
 
Um destaque para uma sequência perto do fim, envolvendo a observação de uma mãe e a forma desigual como trata os seus dois filhos. A literatura no feminino assume toda a força que Lessing é capaz de lhe dar. E, nesse sentido, ela eleva-se a uma categoria superior.
 
Não posso deixar de olhar para este livro como uma feliz experiência de leitura. Sei que vou esquecer com alguma facilidade o que nele se passa. Sei que algumas das muitas reflexões sobre o amor que ele contém, vão-se diluir noutras noções que já tenho – não traz grande coisa de novo, nesse campo. Porém, poucas vezes pude acompanhar tão por dentro a mente de alguém tão longe daquilo que sou. Conhecer o que está longe, é sempre uma experiência enriquecedora.
 
Numa última nota, diria que não é livro que aconselhe a ninguém. Longe de ser paradoxal, é simples: é longo, é intrincado, é demasiado interior. Proponho que se leiam as cinco primeiras páginas, são reveladoras do estilo e da substância da escrita de Lessing. Quem gostar, avance. Quem não gostar… bom, daqui a algum tempo, espero ler mais um livro e aqui deixar a minha impressão (As Avós).

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Michael Jackson

29.06.09

 

Não é que eu tenha pensado muito nele nos últimos anos.
 
Não é que eu ache que o contributo dele para a música é excepcional (mas a verdade é que é, não para a música que eu mais ouço, mas é).
 
Mas não posso deixar passar o facto. Há pouca gente que tenha atingido a dimensão que Michael Jackson atingiu. Se é verdade que basta olhar para Madonna para ver o que é uma carreira bem gerida, o caso é bem diferente com ele. Mas, mesmo com dívidas, com escândalos, com desvarios, ele é uma figura absolutamente incontornável.
 
Gone too Soon, poderia ser uma música a lembrar agora…
 
E Billie Jean uma música para lembrar sempre.

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