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Sempre tive uma relação difícil com este livro, e tenho pena que não houvesse blogs quando o li pela primeira vez (e eu nunca tive muita queda para os diários). Se os houvesse talvez eu tivesse contado que iniciara a leitura do Memorial e que desisitira. Mais tarde, haveria outra entrada a dizer o mesmo, e depois mais outra. Mesmo com os autores preferidos se pode ter problemas e eu tive muita dificuldade em ler este, talvez o mais famoso.

Desta vez, na minha releitura anual de Saramago, não foi diferente. Tive dificuldade em avançar, e algum desinteresse. Não há defeito nenhum no livro que leve a isto, é apenas uma coisa minha. O interesse pela época histórica e pelos personagens nunca descola, embora Baltazar e Blimunda sejam inesquecíveis e maravilhosos.

Mas depois há aqueles dois últimos capítulos... Não sei bem como explicar, é como se o livro começasse de novo, ou então chegasse onde era esperado. Pura beleza, vou só dizer isto, por favor, não leiam se não conhecem a história, mas Baltazar desparece, por acidente, levanta voo na passarola e nós ficamos sem saber o que acontece. O pior é que também fica Blimunda assim mas ela, por estar dentro do livro, pode partir em busca dele e construir das mais belas páginas da literatura saramaguiana. Durante nove anos Blimunda procura Baltazar, durante algumas dezenas de páginas o mundo para e o leitor é absorvido pelo papel e não pode ficar fora do livro. Quando acaba, também se parte algo dentro de nós.

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Lembro-me de ter estado na Culturgest, na apresentação do Caim, quando Saramago contou que estava a escrever outro livro. Foi um momento emocionante, percebeu-se que muita gente ficou verdadeiramente em pulgas. E ele lá foi dizendo, devagar, com aquelas palavras sempre tão precisas, qual era o esquema geral da obra. Contou a história da bomba que não rebentou, falou da questão da greve numa fábrica de armamento. E eu fiquei ansioso, até todos o termos perdido, meses depois, quando a morte não o deixou escrever mais.

E agora que li este Alabardas, que se pode dizer de um livro inacabado, de umas tão poucas páginas? São apenas três capítulos de um livro que nascia com a lógica de um Todos os Nomes, de um livro que se percebe iria lançar perguntas tão acutilantes como as que Saramago tantas vezes lançou sem que, desta vez, possamos ver as respostas que ele lhes deu. Para ajudar um pouco, há os também escassos comentários do próprio autor à obra que ia nascendo, os quais ecoam na minha memória como sendo bastante parecidos com o que ouvi na tal sessão da Culturgest.

A edição ainda coloca lá mais uns textos, de outras pessoas, mas esses passaram-me ao lado; desculpem lá, mas só me apetecia Saramago.

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Sempre vi O Homem Duplicado como uma espécie de OVNI na obra de Saramago. Isto por causa do lado “thriller” que o livro tem. Ou seja, há uma certa altura em que este livro é quase um policial, é intrigante e emocionante, viciante. Nada disto é aquilo que habitualmente sinto nos livros de Saramago. Daí tê-lo sempre considerado como um caso à parte. No entanto, nesta releitura fiquei mais com a sensação de que O Homem Duplicado é uma versão simplificada de Todos os Nomes. O Homem Duplicado trata da história de Maximiliano Máximo Afonso, um professor de história que, um belo dia, vê num filme um ator que é igual a ele próprio. A partir daí, a história desenvolve-se em torno da investigação que o professor vai fazer para descobrir quem é este seu duplo/clone. Já em Todos os Nomes, o Sr. José passa o livro todo a tentar também descobrir quem é a pessoa por trás de um nome com o qual se cruza. Todos os Nomes é um livro muito superior a todos os níveis, mas isso não tira interesse nenhum à leitura de O Homem Duplicado. Agora, há que ver o filme, estou bastante curioso porque sempre achei que este era o livro mais óbvio para passar a filme na obra de Saramago.

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Este é o dia de recordar Saramago, 4 anos que passaram após a sua morte.

E como aqui, anualmente, recordar é reler, aproveito o pretexto do filme estar aí a chegar para voltar a O Homem Duplicado.

 

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2013

30.12.13

Em 2013 não consegui ler tantos livros como no ano passado. Mas fiquei perto: 64. Estes são os destaques do ano, em que oscilei entre a rendição a novos (para mim) autores:

 

- Jonathan Franzen e o fenomenal Freedom (e o excelente Correções)

- A descoberta de um escritor incrível, incrível - Nikos Kazantzakis, de Creta, cujo túmulo pude visitar no verão

- Mo Yan e o fantástico e surpreendente Peito Grande, Ancas Largas  

 

E a rendição aos  que já conhecia mas a quem gosto sempre de voltar:

 

- Orhan Pamuk, com The Museum of Innocence que saltou diretamente para a lista dos livros da minha vida

- José Saramago, a minha releitura anual. Desta vez foi o regresso ao meu livro de sempre, Ensaio sobre a Cegueira

- Philip Roth e o grandioso Teatro de Sabbath

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O texto que se segue é, em grande medida a continuação de um outro:
http://pedrices.blogs.sapo.pt/78447.html
No entanto, devo avisar, que este texto, à semelhança do outro, não é bem sobre o livro, é sobre a minha relação com ele. Apesar de este tratar da releitura que fiz, é altamente desaconselhável a quem não tenha lido o livro e, em particular, a quem não conheça o seu desfecho.

 

 

Se podes olhar, vê.
Se podes ver, repara.

 

E depois do regresso ao Ensaio, que faço eu diante da página em branco? Ironicamente, e de forma totalmente inconsciente, só me apercebi disso ao escrever a primeira frase: utilizo um programa de texto que, para evitar distrações na escrita, me preenche totalmente o ecrã com essa cor da cegueira que atingiu misteriosamente os personagens do livro. Mas adiante, há, afinal, quem nunca cegue, e há também que, nunca tendo cegado, jamais chegue a ver. Este livro é sobre isso. Chamasse-se Ensaio sobre a humanidade e não estaria menos adequado. Chamasse-se Ensaio sobre a desumanidade e, quem sabe, estaria ainda melhor entregue o título. Mas Saramago não é tanto subtil como certeiro e, por isso, sendo o livro sobre homens e mulheres que ficam cegos, assim se chama. Ensaio porquê? Talvez porque o pior fica por acontecer. Talvez o pior ainda esteja por escrever, tenha ficado fora da descrição porque dizer o que se disse no Ensaio devia ser suficiente para se saber o que poderia vir a seguir, dispensando-se o autor de o contar. Digo isto porque também isto é dito, de certa forma, num dado momento, em que se lê "(...) se uma pessoa mata outra, por exemplo, seria melhor enunciá-lo assim, simplesmente, e confiar que o horror do ato, só por si, fosse tão chocante que nos dispensasse de dizer que foi horrível". Para mim, este é o ponto de viragem da minha relação com este livro. O livro da minha vida tornou-se a releitura da minha vida. Nada do que tinha vivido da primeira vez me desiludiu, continua lá tudo, apenas eu sou outra pessoa. Ler o Ensaio sempre foi pensar no que nele acontece, na irreprimível sensação de que tudo aquilo é humano e desumano, assustadoramente plausível e tão verdadeiro como só a ficção que vai ao âmago daquilo que somos pode descrever. Reler o Ensaio é, agora, pensar no que nele não acontece, no que aconteceria no dia seguinte. E se dentro destas páginas sempre estiveram tantas questões tão importantes, só agora vejo que o que já não está é ainda maior. Depois de a ignomínia se instalar num mundo de cegos há que imaginar o mundo quando os cegos voltam a ver. Imagino as festas, os abraços espontâneos, as festas de arromba, os espírito de entreajuda e felicidade no limpar das ruas, a felicidade dos reencontros, as histórias de amor que passam a ver o objeto das suas afeições. A felicidade instalar-se-ia. Porém, e depois? Em breve, as pessoas quereriam voltar às suas casas e muitos não o permitiriam por as terem usurpado, a busca por comida, as pilhagens agora guiadas por olhos mais famintos do que os estômagos cegos de antes, seriam ainda mais selvagens, a utilização de armas voltaria a ser possível, matar para ganhar vantagem passaria a ser a opção mais eficaz na busca do proveito individual. Tudo o que se seguisse não estaria marcado pelo desespero, estaria marcado pelo oportunismo pelo egoísmo, pelo que de mais abjeto a natureza humana tem. Pode não ser só nos maus momentos que ela se revela, é, infelizmente, também nos bons.
Mas em vez de escrever sobre o que não está no livro, não deveria eu escrever sobre o que está? Talvez lá chegue mais tarde. Acabei de o ler e, por isso, estou perturbado, como não podia deixar de estar. Acabei de o ler e, por isso, não é sobre a estética ou a arte literária que me apetece pensar, também o podia fazer, mas para isso há livros melhores. Este é um livro para pensar. E cada um de nós pode encontrar lá coisas diferentes, pode até não encontrar nada, pode até não gostar. Tudo isso faz parte desta coisa louca e fascinante que é a nossa diversidade. Mas o outro lado, a nossa natureza mais obscura está lá, e é sobre isso que me apetece pensar, por mais idiota que me pareça a utilização da palavra "apetece". E penso que ao longo da história da humanidade já houve muitos momentos assim. O holocausto, que quase toda a gente conhece; o outro holocausto, o dos campos de igual extermínio, perpetrado por Estaline, o que, aqui deste lado, poucos parecem conhecer. Limito-me a aos mais perto de nós, mas o mundo está cheio de exemplos. E, no entanto, o que fizemos com isso? Primeiro festejámos a libertação para depois, pouco a pouco, irmos colocando em museus as memórias incómodas (e já é bom que isso tenha sido feito, porque em grande parte dos casos nem sequer há o reconhecimento, o assumir das responsabilidades). Agora vamos esquecendo e retrocendendo. Impressiona-me no mundo de hoje a falta de um projeto comum, de alguma vontade de avançar em conjunto. Por um lado, vejo gente que toma decisões de régua e esquadro sem medir as consequências práticas na vida das pessoas, causando sofrimentos injustificados e inaceitáveis. Por outro, vejo pessoas tão agarradas aos seus confortos que não abdicam deles por nada, não são capazes de fazer um sacrifício para que, posteriormente, possamos todos viver um pouco melhor. Cegos de um lado, cegos do outro. Todos conseguem olhar, mas nenhum vê, quanto mais reparar.
Pessimista? Não, não sou. Apenas vejo um mundo cheio de coisas boas e cheio de coisas más. E como detesto as más!
Pronto, sou capaz de ter chegado àquele momento em que pouco escrevi sobre o livro que li mas também pouco escrevi sobre o que sinto porque o turbilhão daria para muito mais, mas apetece-me, e agora uso a palavra sem receio, descansar. Afinal, acaba por não ser novamente a melhor palavra: descansar, sim, mas não é porque me apetece, é porque preciso.

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...

18.06.13

Há 3 anos e um dia gostava de ter escrito esta frase:

 

No dia seguinte ninguém morreu.


in As Intermitências da Morte, de Saramago.

 

E gostava que tivesse sido verdade.

 

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Há pessoas que adoram listas e não têm dificuldade nenhuma em fazê-las. Para outras, isso é uma perda de tempo. Há pessoas que conseguem sempre dizer quais são os livros da vida, os filmes, etc. Para outras, isso é um exercício quase impossível. Eu sou do grupo das primeiras, confesso. Para mim, é muito simples saber quais são os meus livros da vida, os filmes da vida, os 3 autores preferidos. Gosto de ter as minhas hierarquias de preferências. É verdade que elas vão mudando ao longo do tempo, mas também é verdade que há muito que se tem mantido, como se fosse um núcleo intelectual de quem sou. Por isso, ao fim destes anos de blog, talvez seja altura de me lançar no texto que devia ter escrito há quase 20 anos, um texto sobre o livro da minha vida.

Primeiro, só um apontamento sobre o que é que é isso de ser “da vida”. Não é ser o melhor livro que já li, em termos de qualidade. Não é ser o livro que mais gozo me deu ler - poderia dizer “ o livro de que mais gosto”. Não, não é isso, o livro da minha vida é aquele que sinto que moldou, de facto, a pessoa que sou. O livro que fez com que muita coisa passasse a ser diferente depois de o ter lido. O livro que me fez crescer como nenhum outro. O livro que foi mais importante do que muitas pessoas que conheci. Não há muito de racional nisto. Adoro, adoro, adoro este livro. Nunca nenhum outro me tocou de forma tão profunda, nunca nenhum foi capaz de mexer comigo como este. Eu sei que isto é uma experiência individual, não estou à espera que aconteça às outras pessoas. Por isso, este texto é sobre este livro para mim. Nada mais.

Ofereci, várias vezes, o Ensaio Sobre a Cegueira, mas a verdade é que não o tenho. Ou melhor, não tinha. Cheguei a oferecer a minha própria cópia. Há uns dias, uma amiga que me dá a honra de dizer sempre que eu a levei à paixão pela leitura, o que não é bem verdade porque foi ela que tomou a iniciativa de me pedir um livro emprestado. Sabendo ela que eu não tinha o Ensaio, ofereceu-mo. E, por isso, olho agora para ele dividido. Devo voltar a ler? Serei capaz? Todos os anos, como tenho mostrado aqui, por ocasião do aniversário da morte de José Saramago, faço-lhe a minha modesta homenagem, relendo um dos seus livros. Este ano tudo se encaminhava para a releitura d’ A Jangada de Pedra. Até que o Ensaio se atravessou, desta forma, no caminho. Olho-o e sinto que devo voltar a pegar-lhe. Mas tenho medo. Encontro na própria obra do autor frases que me incentivam: “Sempre chegamos ao sítio aonde nos esperam”. E, de certa forma, eu sei uma releitura me espera, que o reecontro é inevitável.

O Ensaio Sobre a Cegueira saíu em 1995. Foi logo nessa altura que o li. Já gostava muito de Saramago mas ainda não tinha dado o “salto” para o meu escritor preferido. Nessa altura, provavelmente, o livro da minha vida era o Frankenstein, de Mary Shelley. Ainda hoje o o defendo como um dos livros mais importantes da minha vida, e um que toda a gente devia ler. Mas o que interessa aqui é o Ensaio. Lembro-me de onde o li, das primeiras linhas, de o ter levado comigo quando, nessa noite, fui a casa de uns amigos, de me ter sentado no sofá a lê-lo enquanto o resto do pessoal convivia, de ter voltado para casa e ter continuado a lê-lo até bem tarde, de ter dormido e, ao acordar no dia seguinte, ter continuado a ler, até o terminar nesse dia à tarde. E nada ficou como antes.

Agora, olhando para este novo Ensaio que me ofereceram, tenho medo. Sei que era um otimista absoluto, que tudo se arranjava, que o mundo era lindo, que a humanidade era linda, que as coisas más eram apenas um acidente de percurso. Esta visão manteve-se, no essencial, mas deixou de ser tão ingénua. Com o Ensaio aprendi mais sobre a natureza humana, sobre a crueldade, sobre o mal, do que no resto da vida, felizmente tive essa sorte. Mas tive também a sorte de o ter lido e ter, com ele, atingido um nível diferente de maturidade na minha forma de ver as coisas.

Só voltei a ter contacto com a matéria do Ensaio muitos anos mais tarde, numa magnífica encenação que o teatro O Bando fez. Vi esse espetáculo no Teatro da Trindade, admiradíssimo por ter sido possível passar aquilo para uma peça. Há poucos anos, voltei ao Ensaio, desta vez através do filme de Meirelles, o filme que Saramago viu e que o fez chorar, dizendo “estou tão feliz por ter visto este filme como estava quando acabei de escrever o livro”. Eu não fiquei tão feliz ao ver o filme como quando li o livro, mas quase. E não tenho maior elogio do que este.

O problema é que a felicidade que encontrei foi a da transformação que senti. E isso é seguramente irrepetível. Pior, não foi “felicidade feliz”, foi uma espécie de dor, de sofrimento que se converteu em algo que se acrescentou ao que era e que me enriqueceu. Mas foi um processo de sofrimento. Eu não tenho medo de reler o Ensaio e já não gostar, ou de já não gostar tanto, isso não interessa porque aquilo que ele me provocou na primeira leitura está comigo, sempre esteve desde que o li, e não será apagado. O que eu mais temo é reviver o horror de uma leitura que me faz sofrer tanto. É que há uma beleza intensa na história mas, em quase tudo, é um livro de um terrível desencanto, e de um obsceno realismo.

Agora, olhando para a minha nova cópia, continuo a hesitar. Por isso, escrevi este texto. Porque o meu blog tinha que ter um texto sobre o Ensaio Sobre a Cegueira, de José Saramago. Porque esse é o livro da minha vida. E porque não fazia sentido que ele não fizesse parte daquilo que, no fundo, é um diário de quem vou sendo através das leituras que faço.

No próximo mês se verá se reli o Ensaio. Mesmo que o faça, não sei se conseguirei escrever sobre ele. Mas a justiça está reposta, este é o texto que devia ter escrito há quase 20 anos. E o Ensaio é o livro que ando para reler há quase 20 anos. Metade está feito.

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Novo Saramago

18.03.13

Há notícias que me fazem um sorriso triste, mas ainda assim é um sorriso.

 

Um livro novo de Saramago, sai em Abril.

 

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Hoje era dia de passear com este livro por Lisboa.

Como não pude, fica aqui para quem passear pela blogoesfera.

 

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