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 Véspera de viagem, uma corrida à estante à procura de um livro pequeno e leve (no peso, não no conteúdo). Encontrar o Philip Roth e parar de procurar - Roth é garantido, é esta a minha companhia para a viagem.

Foi assim que levei comigo este livro que, na edição portuguesa, se chama O Animal Moribundo. Bom, só não foi boa escolha no sentido de que a leitura acabou por ser tão compulsiva que, no final de uma viagem de avião entre Lisboa e Marselha, já estava praticamente lido.

The Dying Animal é mais um Roth sobre o envelhecimento, ou sobre um homem bastante velho, bastante sexual e bastante capaz ainda. No fundo, parece às vezes que Roth está sempre a escrever o mesmo livro. Porém, não sei como consegue mas essa impressão acaba logo ao fim de poucas páginas. Parece que há sempre ângulos novos, situações inesperadas, reflexões que vão ainda mais fundo. Sim, Roth é garantia de um bom livro. 

Já agora, na edição portuguesa, este livro chama-se O Animal Moribundo, mas lê-lo no original é ainda melhor, pois claro.

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Ora aqui está um daqueles livros que andavam na lista há imenso tempo. Pior, andava sempre nos primeiros lugares mas, por algum motivo, acabava por ver outros passarem-lhe à frente. A certa altura, tornou-se ele o culpado; é que eu até tentei, mas qualquer coisa não correu bem. Voltei a tentar e acho que só à terceira vez é que consegui mesmo começar a ler a sério. Portanto, com isto fica claro que tive, e tenho, alguns problemas com este livro.

Vamos lá ver: é bastante divertido, sem dúvida. Trata as questões do judaísmo sem grandes tabus, colocando os dedos em várias feridas com sentido de humor e perspicácia. Então qual é o meu problema? Porque é que eu achei o livro terrivelmente enjoativo? Porque não consegui ultrapassar a sensação de paroquialismo, o que é quase absurdo, eu sei, dado que estamos a falar de judeus em Inglaterra que não param, aliás, de falar dos judeus num contexto mais vasto. Então qual é que é mesmo o meu problema? Epá, esta é a altura em que vamos às comparações, por mais injustas que elas possam ser. O meu problema é o Philip Roth. Como é que eu posso ter lido Pastoral Americana ou O Complexo de Portnoy ou O Teatro de Sabath (só para citar alguns mais “judaicos”) e achar que A Questão Finkler é um grande livro? Pois, não posso. Nunca senti que Roth estava a escrever para falar dos judeus, sinto-o sempre a usar os judeus para aprofundar temas que são de todos e de todos os lugares. O que Jacobson faz aqui é pegar em 3 ou 4 judeus, todos com as características certas para uma caricatura bem completa e mistura-os para falar dos judeus, para contar tudo sobre os judeus, para falar do terrível sofrimento a que os judeus foram sujeitos, para falar das terríveis atrocidades que alguns judeus cometem, para falar obsessivamente de ser judeu. Um enjoo gigantesco para mim.

Mas reconheço que a trama está muito bem pensada: Treslove é uma espécie de personagem condutor da história, é o não-judeu que serve para nos guiar e entrar no mundo do judaísmo. Há um dia em que vai pela rua e é assaltado. Parece banal mas é a partir daqui que muito se desenrola. Primeiro porque o assaltante foi, na verdade, uma mulher, depois porque ela o “insultou”, chamando-o de judeu (que ele não é). Ou então não, não foi nada disto e Treslove está confuso. Mas apesar de este acontecimento ir sendo introduzido na história de forma memorável, no resto do livro fui sempre tendo a sensação de que tudo está ali muito bem colocado no seu lugar, sim senhor. Mas e se estes personagens não fossem judeus? Teriam algum interesse? Para este livro, claro que não. E noutro? Também não. E, lá volto eu ao mesmo, nunca senti isto no Roth e nos seus personagens em que o ser judeu é um detalhe que eventualmente condiciona, mas não reduz os personagens a arquétipos.

Tentando ser justo: é evidente que este livro não chega aos calcanhares de qualquer um dos do Roth. Mas também compreendo que é um livro que dá informações e nos conduz de forma divertida a um mundo que talvez não se conheça bem. Tem a vantagem de ser rápido e eficaz. Mas não o vejo como uma grande obra, o que não quer dizer que não tenha momentos muito bons. Recomendado como uma espécie de “tudo o que sempre quis saber sobre os judeus mas nunca teve coragem para perguntar”.  

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