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A história do império Bizantino é bem capaz de ser um tema muito pouco apelativo. Por um lado, é muito pouco conhecido, pelo menos visto deste canto da Europa. Por outro, muitos foram os historiadores que denegriram o próprio interesse de se estudar este período da história.

A mim, moveu-me a curiosidade do costume, ou seja, Grécia e Roma levaram-me a Bizâncio. No fundo, quis compreender melhor o que é que aconteceu à Civilização Romana (que, simplificando, já tinha incorporado a grega) quando o Império colapsou. É verdade que parte dessa continuação da história está no continuar a estudar a história de Europa. Mas, e a Grécia? O que aconteceu aos gregos quando Roma “acabou”? E que divisão foi essa entre império romano do ocidente e império romano do oriente? Então mas o império romano acabou mesmo, ou não? Como se vê, havia uns buracos por preencher… Em português não encontrei nenhum livro, assim de repente, que me pudesse explicar de forma sintética mas esclarecedora o que foi o Império Bizantino e se seria ele que ia responder às minhas dúvidas. Bom, acabou por ser no itunes que encontrei uma espécie de resposta. Fiz download de uma palestra de uma professora que falava por ocasião de uma exposição sobre o Bizâncio, creio que em Londres, mas já não me lembro bem. Era muito engraçada a introdução dela. Explicava que um dia uns construtores que andavam lá pela faculdade e lhe bateram à porta do gabinete para perguntar o que era isso de “Professora de História Bizantina”, o que era isso de bizantino, que tinha escrito na porta do gabinete. Parece que da conversa resultou um desafio “porque é que não escreve algo sobre isso?”. E Judith Herrin ficou a pensar no assunto - como apresentar Bizâncio a quem não conhecesse grande coisa sobre o assunto. Lá pensou e lá escreveu um livro. Livro esse que eu não conhecia e, na verdade, não procurei. Ouvi este podcast no ipod quando andava na rua e a coisa passou.

Alguns meses depois, numa livraria de Londres, encontrei este livro. O tema Bizâncio estava pendente e eu até o ando a reservar para quando um dia visitar a Turquia. Quando comecei a ler a introdução apercebi-me de que era a mesma história que tinha ouvido no podcast. Aquele era, portanto, o livro que a professora tinha escrito na sequência do desafio dos construtores. Claro que não resisti. E apesar de ter demorado (a verdade é que não fazia sentido ter lido este Bizâncio sem fazer toda uma outra série de leituras prévias sobre a Grécia e Roma - muitas delas, fui dando conta aqui), li-o agora e em muito boa hora (embora a viagem à Turquia ainda não esteja programada…).

Com isto tudo, ainda não falei do livro que é, de facto, uma excelente introdução a Bizâncio. Judith conduz-nos com uma mestria rara. A estrutura do livro é a sua grande força porque consegue ir construindo, através de camadas cuidadosamente pensadas, um fio condutor em que somos levados a compreender a importância do império no contexto da Europa. A sua afirmação de que a Europa não existiria sem o papel protetor de Bizâncio no conter da “ameaça” árabe, pode parecer exagerada, mas leva-nos na direção certa para reconhecer o contributo de Bizâncio para a história

Tudo começa com Constantino e a formação de Constantinopla. É a partir daí que a história da cidade é também a história do império. Uma história de lutas e de um quotidiano surpreendente. Há capítulos dedicados aos eunucos, ao papel das mulheres, há a melhor explicação que já vi sobre a “guerra” dos iconoclastas, há o saque perpetrado pelos cruzados, há a conquista final pelos otomanos. Há tudo isto tudo em capítulos curtos e muito bem estruturados (fiquei com a sensação de que podem ser lidos separadamente de forma eficaz, até porque a autora remete de uns para os outros para aprofundamento de temas).

Basicamente, não podia ter tido mais sorte em encontrar este livro. 

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