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Novamente Andric

18.12.12

Um dos melhores romances que já li acabou de ser reeditado. Está com bom aspeto, como é típico dos livros da Cavalo de Ferro. E agora até já mostra a ponte.

 

Estive a reler o texto que escrevi na altura. E, apesar de estar um bocado mal escrito, tudo o que lá está é verdade. Talvez seja dos livros que mais merecem uma releitura…

 

http://pedrices.blogs.sapo.pt/10691.html

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2009

04.01.10

 

De 88 livros que li este ano (nem todos tiveram post), fica o balanço/destaque. Omeu 2009 em livros foi assim:

 

Gente Feliz com Lágrimas, de João de Melo

 

Continuo a pensar neste livro, de como me sentia feliz por estar a lê-lo. É raro e é bom.

 

O que diz Molero, de Dinis Machado

 

Aqui não se trata de sentir felicidade, é mesmo de rir às gargalhadas. Uma grande descoberta.

 

A Estrada, de Cormac McCarthy

 

Não é tanto o livro, é mais a escrita. Tão seca, brutal e contundente. Um autor a explorar mais, talvez já em 2010.

 

A Ponte sobre o Drina, de Ivo Andric

 

Outro que não me sai da cabeça. Um dos melhores livros que li. Só pode ter sido o melhor do ano.

 

Abril Despedaçado, de Ismail Kadaré

 

A descoberta de um grande escritor, confirmei-o depois com o Palácio dos Sonhos. Mas este Abril… o que mostra não é deste mundo. Ou é, e não se acredita.

 

A Portuguesa e Outras Novelas, de Robert Musil

 

Ainda não foi desta que li O Homem sem Qualidades. Não faz mal, enquanto houver Musil para ler, eu estou bem. Não que seja agradável, não que seja fácil. Mas porque há ali qualquer coisa, como estas histórias demonstram, que sai do que é normal conseguir meter-se nas páginas de um livro.

 

 

 

 

Para além dos livros, há autores que também li mas dos quais não me apetece destacar nenhuma obra em particular. Valem por si, basta que escrevam, eu quero ler: Pamuk, Coetzee e George Steiner.

 

E, finalmente, Saramago. Talvez só ele pudesse encontrar as palavras para explicar o que sinto quando leio os seus livros.

 

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A certa altura, neste livro, pode ler-se que as pontes existem por causa do diabo. Ao que parece, este, para fazer mal aos homens, rasgou a terra com as suas unhas, criando assim os sulcos onde os rios separaram os homens uns dos outros. No entanto, os anjos resolveram o problema, unindo as margens separadas com as suas asas, criando, assim, as pontes.
 
Já Ivo Andric transformou uma ponte de pedra num monte de palavras e juntou-as construindo um livro admirável. Já o disse, a propósito do Templo Dourado de Mishima: gosto de quem se fascina com lugares ou, neste caso, com uma ponte. De certa forma, foi isso que aconteceu ao autor e que o levou a escrever, não a história de uma ponte, mas também a história de uma ponte.
 
Este livro, ao mesmo tempo que se torna inclassificável, cabe em diversas categorias, desde o romance aos contos, passando pelo romance histórico ou pelo manual de história.
 
No início, assistimos a uma descrição impressionante da ponte, como se estivéssemos a visitar alguém que, primeiro que tudo, nos mostra a casa. A partir daí, parte-se para a história, uma história sobre a construção de uma ponte, primeiro, e de tudo o que por ela (se) vai passando, por outro. Assim, conhecemos, ainda no século XVI, o menino que sonhou com a sua construção e que mais tarde a mandaria erguer. A partir daí, os capítulos vão dando saltos no tempo, mostrando os principais acontecimentos onde a ponte foi uma espécie de protagonista. Pelo menos, pode-se pensar que, sem a ponte, muito do que aconteceu naquela cidade, Visegrado, não teria passado por lá, ou talvez passasse mas mais tarde.
 
E como qualquer habitante da cidade, em cada uma das épocas retratadas, vamos ficando a saber das coisas como se elas acontecessem naturalmente. Ou seja, Andric não nos dá claramente o contexto, em vez disso, faz-nos vivê-lo. Se, de repente, soldados começam a chegar à cidade, podemos perceber que algo está acontecer. O próprio domínio do Império Austríaco surpreende os habitantes de Visegrado, ao aparecer divulgado em Edital.
 
Mais perto da Grande Guerra, quando já há estudantes que saem da cidade e lá voltam, passamos a ter essa outra fonte de informação. Em inflamados debates na ponte sobre o Drina, os jovens discutem as ideias, os desafios e os limites do tempo que estão a viver. E quem lê, consegue ver tudo a nascer, como se tivesse, também, lugar reservado na ponte.
 
A grande literatura pode ser incrivelmente simples na linguagem. Andric é um grande, um enorme, narrador, não precisa de virtuosismo, apenas de contar histórias. É isso que faz. Há espaço para actos de heroísmo e de cobardia, episódios cómicos e tristes, histórias de amor e de sofrimento. Tal como o Drina corre sob a ponte, transportando sempre algo diferente, também nas páginas de Andric há sempre mais para conhecer.
 
Uma última palavra para um aspecto curioso: quase todos os capítulos terminam de uma forma tão épica, tão intensa que se diria que o livro terminaria ali. A parte boa é que, para além daquilo, há mais.
 
 
P.S. A capa do livro é lindíssima, no entanto, não concebo como pode este livro ser lido sem se ver uma fotografia da verdadeira ponte. É uma pena que ela não esteja em lugar nenhum, nesta edição.

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