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Ora aqui está um daqueles livros que andavam na lista há imenso tempo. Pior, andava sempre nos primeiros lugares mas, por algum motivo, acabava por ver outros passarem-lhe à frente. A certa altura, tornou-se ele o culpado; é que eu até tentei, mas qualquer coisa não correu bem. Voltei a tentar e acho que só à terceira vez é que consegui mesmo começar a ler a sério. Portanto, com isto fica claro que tive, e tenho, alguns problemas com este livro.

Vamos lá ver: é bastante divertido, sem dúvida. Trata as questões do judaísmo sem grandes tabus, colocando os dedos em várias feridas com sentido de humor e perspicácia. Então qual é o meu problema? Porque é que eu achei o livro terrivelmente enjoativo? Porque não consegui ultrapassar a sensação de paroquialismo, o que é quase absurdo, eu sei, dado que estamos a falar de judeus em Inglaterra que não param, aliás, de falar dos judeus num contexto mais vasto. Então qual é que é mesmo o meu problema? Epá, esta é a altura em que vamos às comparações, por mais injustas que elas possam ser. O meu problema é o Philip Roth. Como é que eu posso ter lido Pastoral Americana ou O Complexo de Portnoy ou O Teatro de Sabath (só para citar alguns mais “judaicos”) e achar que A Questão Finkler é um grande livro? Pois, não posso. Nunca senti que Roth estava a escrever para falar dos judeus, sinto-o sempre a usar os judeus para aprofundar temas que são de todos e de todos os lugares. O que Jacobson faz aqui é pegar em 3 ou 4 judeus, todos com as características certas para uma caricatura bem completa e mistura-os para falar dos judeus, para contar tudo sobre os judeus, para falar do terrível sofrimento a que os judeus foram sujeitos, para falar das terríveis atrocidades que alguns judeus cometem, para falar obsessivamente de ser judeu. Um enjoo gigantesco para mim.

Mas reconheço que a trama está muito bem pensada: Treslove é uma espécie de personagem condutor da história, é o não-judeu que serve para nos guiar e entrar no mundo do judaísmo. Há um dia em que vai pela rua e é assaltado. Parece banal mas é a partir daqui que muito se desenrola. Primeiro porque o assaltante foi, na verdade, uma mulher, depois porque ela o “insultou”, chamando-o de judeu (que ele não é). Ou então não, não foi nada disto e Treslove está confuso. Mas apesar de este acontecimento ir sendo introduzido na história de forma memorável, no resto do livro fui sempre tendo a sensação de que tudo está ali muito bem colocado no seu lugar, sim senhor. Mas e se estes personagens não fossem judeus? Teriam algum interesse? Para este livro, claro que não. E noutro? Também não. E, lá volto eu ao mesmo, nunca senti isto no Roth e nos seus personagens em que o ser judeu é um detalhe que eventualmente condiciona, mas não reduz os personagens a arquétipos.

Tentando ser justo: é evidente que este livro não chega aos calcanhares de qualquer um dos do Roth. Mas também compreendo que é um livro que dá informações e nos conduz de forma divertida a um mundo que talvez não se conheça bem. Tem a vantagem de ser rápido e eficaz. Mas não o vejo como uma grande obra, o que não quer dizer que não tenha momentos muito bons. Recomendado como uma espécie de “tudo o que sempre quis saber sobre os judeus mas nunca teve coragem para perguntar”.  

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