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Como se pode ver, continuo na minha rota da antiguidade greco-romana. Depois de Eu, Cláudio, parti logo para o segundo volume que é ainda mais denso e detalhado do que o primeiro. Em termos de historiografia é, de facto, um livro espantoso. Mas, em termos literários, este segundo volume não é tão bom como o primeiro. Talvez Robert Graves entre demasiado em detalhes que ficam bem numa obra de outro tipo mas que, num romance, se tornam cansativos.

De qualquer forma, este é o livro a ler para se conhecer o imperador Cláudio, é aqui que finalmente se conta o seu "reinado". Mas há também o rei Herodes que alcança um protagonismo elevado. No início, aliás, Cláudio começa por contar a história de Herodes antes de entrar na sua própria história. O passado continua bem presente porque Cláudio aproveita todos os pretextos para contar e explicar o que vai acontecendo. Por isso, muito do "reinado" de Caligula também está neste livro. E mesmo Tibério e Augusto reaparecem frequentemente quando é preciso contextualizar algum acontecimento.

Os dois livros desta "série Cláudio" são um retrato prodigioso. De forma alguma são apenas um retrato do imperador Cláudio, ele é apenas o pretexto para contar a história das primeiras décadas da Roma imperial. Há imensos livros que contam histórias de Roma. Os de Steven Saylor, por exemplo, são muito interessantes. Mas isto que Robert Graves faz aqui é algo de extraordinário. Espanta-me o sucesso que os livros tiveram. É que é preciso estar muito interessado no tema para conseguir lê-los. Se bem que isso é muito mais verdade para o segundo livro. O primeiro é muito mais "fácil". E, portanto, não espanta que tenha tido muito mais sucesso.

No final do livro, a morte de Cláudio é contada através de textos de historiadores antigos (entre eles, Suetónio). E lendo estes textos percebe-se a profundidade do trabalho de Robert Graves.

Finalmente, um brinde, um texto de Séneca que eu nunca tinha encontrado em português mas que aparece no final deste livro como uma espécie de anexo. Trata-se do famoso Apocolocyntosis, uma sátira sobre Cláudio.

Depois de Cláudio virá Nero. Pelo que consegui apurar, o livro a ler talvez seja o Memórias de Agripina, de Pierre Grimal. Depois conto... 

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Pois é… o tal livro do Simon Baker deixou-me com uma vontade enorme de ler mais sobre Roma e, por isso, nos últimos tempos tenho estado bastante dedicado a isso.

Este é capaz de ser o romance a destacar. Trata-se de uma autobiografia ficionada do imperador Cláudio. No entanto, na verdade, este livro é pretexto para contar a história do império desde César até Cláudio. O livro termina com Cláudio a ser nomeado imperador. Portanto, não é sobre Cládio, é sobre os imperadores antes dele.

Não é um livro fácil de acompanhar devido à intensa intriga que lhe está subjacente. Há dezenas e dezenas de personagens, quase todos envolvidos em algum tipo de conspiração, ora como perpetradores, ora como vítimas. O narrador é um Cláudio já bastante idoso que, olhando para trás, resolve escrever para os leitores de "daqui a 2000 anos", ou seja, para nós.

É um livro intenso e, dentro do género de romance histórico, é capaz de ser muito difícil encontrar melhor e mais rigoroso. Desde que não contemos com Yourcenar, pois claro.

De qualquer forma, é uma excelente incursão ficcionada no mundo dos primeiros imperadores romanos.

Existe também um segundo livro, Cláudio o Deus que é a continuação. Pelo que percebi, esse sim, aborda o "reinado" de Cláudio. Vou lê-lo e depois cá deixarei o comentário.

Em paralelo com este livro fui vendo a série da BBC com o mesmo nome. Isto fez com que fosse mais fácil acompanhar as tais intrigas. A série é bastante fiel ao livro e muito interessante, embora curiosamente seja menos empolgante que o livro.

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