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O primeiro livro que comentei nese blog foi de Doris Lessing. Depois, voltei a lê-la, anos depois, e a falar dela. Mas este é a primeira vez que gostava de não o fazer. Doris morreu hoje, aos 94 anos, mas felizmente ainda há muito dela que poderei descobrir.

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Há 4 anos escrevi aqui, sobre Doris Lessing, a propósito do seu livro Amar de Novo, que havida de voltar a lê-la. Deixei também a indicação de que seria As Avós. Não aconteceu. Na verdade, embora não me tenha esquecido, ainda não voltei. Mas acabei de ver o filme Adore, uma adaptação a partir desse conto, As Avós. Não sabia, apenas me tinham dito que era a partir de uma obra de Doris Lessing.

 

Estou ainda um bocado zonzo, quero apenas dizer que é magistral, precisamente por causa do argumento. Uma história como nunca tinha visto ou lido sobre duas grandes amigas de uma vida inteira e de como cada uma delas se envolve com o filho (bem mais novo) da outra. O filme coloca em cena uma complexidade incrível de sentimentos, sem tomar partidos, sem querer sobrepôr-se à própria história. E agora tenho mesmo que ler o conto porque se o resultado em filme é assim qause tremo ao pensar no que poderá ser ler esta história.

 http://www.imdb.com/title/tt2103267/

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É ver o primeiro post que deixei neste blog para perceber há quanto tempo eu andava para ler este livro. E também para perceber que esta foi a vez que me aventurei nesta autora que desconhecia antes do Nobel e que procurei conhecer (foi uma das atribuições mais polémicas dos últimos anos).
 
Primeiro há que reconhecer o essencial, este é um livro surpreendente e inimaginável depois de só ter lido A Fenda. Aqui, Doris Lessing revela-se uma grande escritora. Num certo sentido, a escrita é clássica e elegante, profundamente envolvente. Parece tratar-se de uma outra autora. Há histórias dentro de histórias, há algumas personagens com uma grande riqueza e profundidade, há todos os ingredientes para um grande romance. E é isso que Amar de Novo é, um romance, daqueles que dão sentido à própria palavra.
 
A história é de amor, de um amor tardio, que chega para Susan aos 65 anos, quando há mais de 20 anos que não o sentia, nem acreditava poder voltar a sentir. Os momentos iniciais do despontar da paixão, são descritos de forma magistral. Pequenos jogos de gestos e de emoções que tornam estes personagens tão credíveis como fascinantes. Mas há também contradições nos sentimentos, há euforia e há terror. Há regressos ao passado que deixam adivinhar raízes profundas que justificam actos futuros.
 
O interesse da obra vai-se dividindo por vários planos. Há a história de Julie Vairon, a qual dá origem a uma peça de teatro à volta da qual gira toda a acção deste livro. Há o homem apaixonado por esta Julie que já morreu há muito tempo, há a sensação de que Sarah se desforra da ausência de amor, acabando por se entregar a uma espécie de overdose deste. Todavia, nem sempre o amor, ainda que correspondido, pode ser realizável.
 
Também é verdade que este acaba por ser um livro algo desequilibrado. Tenta apontar para várias direcções e parece não ser capaz de chegar a nenhuma delas. Ainda assim, não deixa esse de ser um facto coerente num livro que é, antes de mais, uma longa viagem interior.
 
Um destaque para uma sequência perto do fim, envolvendo a observação de uma mãe e a forma desigual como trata os seus dois filhos. A literatura no feminino assume toda a força que Lessing é capaz de lhe dar. E, nesse sentido, ela eleva-se a uma categoria superior.
 
Não posso deixar de olhar para este livro como uma feliz experiência de leitura. Sei que vou esquecer com alguma facilidade o que nele se passa. Sei que algumas das muitas reflexões sobre o amor que ele contém, vão-se diluir noutras noções que já tenho – não traz grande coisa de novo, nesse campo. Porém, poucas vezes pude acompanhar tão por dentro a mente de alguém tão longe daquilo que sou. Conhecer o que está longe, é sempre uma experiência enriquecedora.
 
Numa última nota, diria que não é livro que aconselhe a ninguém. Longe de ser paradoxal, é simples: é longo, é intrincado, é demasiado interior. Proponho que se leiam as cinco primeiras páginas, são reveladoras do estilo e da substância da escrita de Lessing. Quem gostar, avance. Quem não gostar… bom, daqui a algum tempo, espero ler mais um livro e aqui deixar a minha impressão (As Avós).

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Terminei a leitura da Fenda com a mesma sensação que tinha antes de a iniciar, ou seja, “não conheço esta escritora, preciso de ler algo dela”. O erro é capaz de ter sido meu, este não deve ser um bom livro para conhecer uma autora que já ganhou tantos prémios e que se destaca por uma obra tão diversa e abundante.

Pronto, resta-me continuar a procurar um livro de Doris que me permita conhecê-la; o “Amar de novo” tem-me chamado a atenção, acho que vou apostar nesse.

Claro que esta opinião que estou a ter, não pode deixar de estar ligada ao Nobel ganho pela escritora. É que a Fenda não me parece um livro de autor de Nobel. Não é que esteja desprovido de interesse; não é que não seja uma metáfora poderosa; não é que não invoque sensações que eu não tinha desde que li Golding e o seu “Deus das Moscas”. Porém, nada disto é escrito de forma impressionante ou que nos toque de forma invulgar. Percebo que Doris seja (também) uma escritora de ficção científica, este livro podia ser um desse género. Creio é qu,e para esta história, isso não torna a leitura agradável.

Há aspectos muito interessantes nesta obra. Desde logo, o narrador ser um romano (sim, do império) que analisa textos históricos. No fundo, A Fenda é um romance histórico sobre uma teoria que avança os homens como descendentes da mulher (chega-se a pensar que faz um certo sentido, é esse o poder do feminismo de Doris). Curioso é que o próprio contar da história seja também um romance histórico sobre o Império Romano. No início do livro, quando nada disto é ainda claro, quase que nos sentimos historiadores a pesquisar documentos.

Efeitos interessantes à parte, é um livro eficaz. No entanto, não é empolgante, não é envolvente e, apesar de valer a pena ser lido, não creio que acrescente muito.

 

Mas hei-de continuar a dar notícias sobre a minha incursão no mundo de Doris Lessing.

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