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Hesito entre dizer sobre o que é este livro ou não dizer nada sobre a história e limitar-me a um pequeno comentário. Encontrei-o há dias, usado, a 5 euros, e nem queria acreditar porque nem sequer sabia que existia em português. Maior sorte do que encontrá-lo, foi lê-lo, isto porque Remanescente é um romance radical, na linha daquilo que gosto de sentir quando leio, um incómodo e uma perturbação permanentes.

Acho que, afinal, vou ter que dizer qualquer coisa sobre o que se passa neste livro. Por isso, quem quiser a sensação de ir completamente em branco para ele, como eu fui e recomendo que se vá, é parar de ler o texto por aqui.

O livro é escrito na primeira pessoa e ficamos a saber, logo no início que o narrador sofreu um acidente (qualquer coisa que caiu do céu) e isso levou-o a perder a memória e passar por um longo e difícil período de recuperação (coma incluído). Apesar de tudo, parece uma pessoa normal. Um dia recebe a notícia de que lhe vai ser dada uma indemnização pelo acidente, de repente, passa a ter vários milhões ao seu dispor. Ainda assim, não parece particularmente entusiasmado. Tudo muda no dia em que, na casa de alguém, vê uma racha na parede que o leva a recordar uma casa onde tinha vivido, não só o sítio mas também alguns detalhes sobre os vizinhos. Ora, é aqui que o romance começa a evoluir numa direção perturbadora. O dinheiro vai permitir-lhe montar um prédio ao seu gosto, contratar pessoas para fazerem de vizinhos e, dessa forma, reconstituir os momentos de que se lembra. O pior é que isto se torna uma obsessão - reconstituir momentos - e com consequências imprevisíveis. O leitor, ou pelo menos eu, perante isto, vai ficando surpreendido, primeiro; incrédulo, depois; fascinado, a certa altura; e furioso, no final. Não há contemplações, apenas o deixar o personagem evoluir na sua vontade. E é muito perigoso deixar à solta quem tem dinheiro para tudo. Há um enorme porquê que atravessa a leitura e que vai sendo alimentado por uma ou outra pista, mas tudo isso vai dar num enorme nada, ou num enorme leque de possibilidades, quem quiser que escolha o que sente. Não há filosofia barata aqui, mas há muitas coisas para pensar.

Fico com a impressão de que este tipo de sensação/história é algo que já vi algumas vezes no cinema, em filmes mais experimentais, ou menos convencionais. Agora isto, assim, num livro, é demasiado invulgar e, no fundo, não é fácil de catalogar em termos de gosto ou não. Não é fácil acompanhar os detalhes de algumas das recriações mas, por outro lado, não é fácil largar estas páginas.

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