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Há muito quem diga que este é o melhor livro do mundo, quem o aponte como o primeiro romance moderno, quem insista que não se pode morrer sem o ler, quem afirme ser este o livro que mais influenciou o destino da literatura. E os motivos que levam a que se digam estas e outras coisas sobre D. Quixote estão lá, basta começar a ler.

 

É realmente extraordinário que se possa olhar assim para um livro do século XVII. Não só ele é a referência que é, como, efectivamente, ainda hoje, o seu imaginário está presente em todos nós e continua a ser lido.

 

Logo nas primeiras páginas impressiona pela frescura. A linguagem arcaica é deliciosa, tal a elegância com que foi escrita (refira-se que a versão/tradução que li foi a de Aquilino Ribeiro). Os temas, as sátiras, os episódios recambolescos são tão eficazes e divertidos hoje como o eram na altura em que foram escritos, sendo surpreendente a capacidade cirúrgica de Cervantes para apontar e criticar os vícios de certas pessoas ou instituições. Nem uma vígula precisa de ser mudada sobre o que ele disse, e nada é diferente hoje.

 

Para além disto, a estrutura do livro (em pequenos capítulos, fáceis de ler e bastante organizados, com um título que indica o que neles se passa), também facilita a leitura. A expectativa é criada pelo autor, muitas vezes, referindo-se ao que irá acontecer a seguir.

 

Depois, há a curiosa relação entre D. Quixote e os seus leitores, que é também a que se cria entre o cavaleiro e as outras personagens. Apesar de louco, D. Quixote surge, acima de tudo, como um sonhador, como alguém que, acreditanto convictamente nas suas capacidades e qualidades, não desiste de tentar o impossível. Já não é um louco que observamos, é um modelo do que muitos de nós gostaríamos de ter coragem de ser.

 

Os episódios marcantes são inúmeros. Alguns deles fazem parte do nosso imaginário, mesmo sem se ter lido o livro. A personagem Dulcineia, o encontro com os gigantes, etc.

 

 

A obra está dividida em duas partes, sendo que na segunda, mais para o fim, é Sancho Pança quem se começa a desenvolver enquanto personagem. Da sua boçalidade começam a brotar algumas das melhores lições que o livro tem para ensinar. No meio da brejeirice, Sancho Pança representa também a verdade, a justiça, a genuinidade, valores que são esquecidos quando se vai ascendendo socialmente. No fundo, é o tolo quem dá as melhores lições.

 

E, o mais certo, é daqui a centenas de anos, alguém o ler e achar mais ou menos a mesma coisa.

 

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