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O que é que se pode esperar de uma história do cinema? Por um lado, uma lista de filmes, provavelmente enorme. Por outro, um desfilar de termos técnicos, de explicações de como filmar, ângulos de câmara, técnicas de montagem, etc. Talvez nada de muito interessante, portanto. Mas, ao mesmo tempo, senti durante anos a vontade de saber mais, de estudar um pouco da hitória do cinema. Apesar de me interessar muito mais a literatura do que o cinema, acredito que este último é, muitas vezes, uma forma de arte. E até chega a ser daquelas em que é mais fácil ser bom e ser popular. Obviamente, não estou a falar do cinema do Star Wars (que adoro!), nem do Indiana Jones (que até gosto mas que não precisava de ser tão descaradamente irrealista, no sentido de cenas forçadas para serem espetaculares mas absurdas). Também não me refiro ao cinema tão intelectual que pouco se consegue sentir de emoção, ou de empatia com os personagens (alguns dos filmes de Malick são um bocado assim). Refiro-me a cinema de todo o tipo mas que fica algures no meio destes extremos. Filmes simples como os Before Sunrise e Before Sunset, escritos pelos atores, cheios de vontade de serem especiais por serem concretos e cheios dos sonhos e da vida de pessoas comuns (se bem que não se encontra por aí muita gente como aqueles dois), e filmes como Morte em Veneza de Visconti, que são estética e emoção à flor da pele, mas que exigem uma concentração até superior à do livro de Thomas Mann.

Posto isto, tive a sorte de me terem aconselhado esta Biografia do Filme de Marc Cousins. Deixo que seja ele a apresentar o livro:

Disse no início deste livro que ele era a história da inovação, porque a inovação é o que estimula o cinema. Também referi que escrevera este livro para um público inteligente. Espero que nele tenham descoberto filmes que gostavem mesmo de ver e partes da história do cinema a explorar mais profundamente, porque não há dúvia que um público inteligente estimula o cinema inovador.

Na minha introdução prometi fazer três ajustamentos às já existentes histórias do cinema convencional.O primeiro era que esta seria a história do cinema mundial e não apenas do cinema ocidental. O segundofoi que iria descrever – num meio termo entre os filmes excessivamente emocionais de Hollywood e Bollywood e os filmes minimalistas de Bresson e outros – de obras singulares, equilibradas e clássicas como as de Ozu. [Terceiro], argumentar que, desde os anos 90, os filmes de realizadores como Kiarostami, Lhurmann, Sokurov, Gonzálzs Iñarritu, Von Trier e David Lynch mostraram que o mundo global do cinema estava mais saudável do que alguma vez estivera nos história do cinema.

Creio que este excerto da conclusão é elucidativo. Este não é um livro de saudosismo, embora elogie enormemente  o cinema mais antigo. É um filme de reconhecimento da evolução de uma arte cuja vitalidade não parou ainda de surpreender.

O único aspeto negativo é o facto de Cousins revelar completamente as histórias. Às vezes é evidente que não era preciso contar tudo para apresentar um filme. Nada que não se resolva saltanto umas linhas. Mas que é estranho vindo de alguém que mostra um grande interesse pelas histórias ou pelos momentos marcantes dos atores.

E não resisto a deixar mais um parágrafo, a propósito do extraordinário A Arca Russa de Sokurov:

Este plano único de Sokurov, conseguido logo no segundo take, teve lugar a 23 de Dezembro de 2001 e mostra que, longe de estar a acabar, a história desta fantástica forma de arte está ainda no início.

Escusado será dizer que fiquei com uma lista terrível de filmes para ver. Muitos deles, vão dar luta para serem encontrados.

 

 

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