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Apesar de já a conhecer há bastante tempo, só agora me dediquei a ler um livro completo de Susan Sontag. Não é que isso seja muito relevante para o caso de uma ensaísta tão eclética. Mas permite-me ter esta sensação de ter passado algum tempo com ela. E passar tempo com Susan Sontag é entrar num ma dimensão de reflexão sobre o mundo moderno que é pouco comum.

Sontag é uma mulher do seu tempo e escreve sobre o seu tempo. Sabe muito bem tirar do passado aquilo que interessa. Sabe muito bem comprrender os pontos de partida. Tem uma formação sólida e um percurso brilhante. No entanto, não se esconde atrás da capa da “erudição”. Sontag salta para o mundo real e vê filmes, lê livros, assiste a exposições, a “happenings”, faz tudo. E fá-lo com paixão. Gosta de umas coisas, não gosta de outras, aprecia e elogia, critica e desfaz. Tudo isto com um sentido de sensatez que são raros. Sinto que ela faz mesmo um esforço genuíno para compreender aquilo que analisa. Mesmo o que não gosta. Não parte de posições preconcebidas. Parte para o concreto. Mas, atenção, isso não lhe tira ferocidade quando aponta o que não presta. Pelo contrário, dá-lhe uma autoridade que vem do seu bom senso, não da sua figura (como acontece em alguns casos).

O destaque neste livros vai para um ensaio que se tornou famoso “Camp - algumas notas”. Deixem-me esclarecer: tenho muito pouco interesse pela “cultura” camp,ou pela sua estética (posso achar engraçado mas passo à frente bem depressa). Tenho muito pouca estima pelo destaque que é dado ao kitcsh e afins. Gosto medianamente de pop art. E, no entanto, se há partida não tenho grande interesse por ler um ensaio sobre camp, a verdade é que o li com uma perspetiva particularmente crítica. Ora, apesar de o meu interesse pela “coisa” não ter aumentado, fiquei fascinado com aquilo que Sontag fez. E a sensação de que ela é incrivelmente abrangente e definitiva. Ou seja, quando ela pega num tema e o explora em termos de tentar dar-lhe definição e conteúdo, é difícil apontar-lhe falhas. Seja no seu outro ensaio, Sobre a Fotografia, seja nestas notas sobre o Camp (e ressalvo a dimensão muito diferente de ambos, tanto em termos de tamanho, como em termos de importância subjetiva), Sontag vai ao âmago das coisas com uma economia de meios brilhante.

Mas claro que há uma parte má, muito  má, quando se lê Sontag. É que a lista de filmes e autores a explorar, aumenta terrivelmente…

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3 comentários

De C. a 20.12.2012 às 09:48

Por culpa da sra Sontag não descansei enquanto não li Leiris (o título mencionado).
A inteligência e a lucidez de Susan Sontag tornam os seus textos, por vezes, muito mais interessantes do que o objecto analisado.

Bos leituras:)

De pedrices a 20.12.2012 às 10:20

E isso deve ter acontecido no caso do Leiris, não?

De C. a 20.12.2012 às 10:59

Mais ou menos. Há momentos altos no "Idade de Homem", mas o ritmo da repetição não me agradou (ao contrário do que me acontece com Bernhard). Claro que não conheço a obra do Leiris (antes de Sontag era um desconhecido) e senti isso, essa falta esteve bastante prsente. A bem da verdade, convém dizer que o mesmo não aconteceu com outros autores mencionados (possivelmente por já os conhecer, ou ter ouvido falar deles- é/será uma questão de gestão de expectativas? je ne sais pas)

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