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Há muito tempo que andava para ler este livro. Peguei nele muitas vezes em inglês, mas achei sempre difícil. Agora percebo porquê. Banville não é um daqueles escritores de prosa simples. Tem adornos, tem complexidade, tem beleza, aqui e ali. Sim, escreve bastante bem. Ao mesmo tempo, sabe como contar uma história daquelas em que nada acontece. Talvez seja mais preciso dizer que sabe divagar. E este livro é isso, uma divagação da memória através de tempos narrativos diferentes. Nem sempre se sabe onde estamos porque demasiada divagação também cansa. É um belo título para um belo livro que, infelizmente, está mais interessado em mostrar o tanto que o seu autor/narrador sabe. Para o leitor fica a contemplação, aqui e ali agradável, mas relativamente inconsequente. Talvez mais giro que lê-lo como romance, seja lê-lo como jogo, à procura das constantes citações e referências culturais.

Mas não me interpretem mal, este livro é como o Mar: umas vezes é bom, muito bom; outra vezes, nem por isso.

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10 comentários

De numadeletra a 14.12.2012 às 16:20

"Man Booker Prize 2005"- Então é este a excepção à regra?!?

(Sendo que a regra é os livros premiados com o Man Booker Prize serem bons...).

De pedrices a 14.12.2012 às 18:39

Não posso dizer que não o tenha merecido... É um livro muito bem feito. Mas não me convence completamente.
Desse ano, apenas li um outro da short list - Nunca me Deixes do Ishiguro. Também me lembro de ter achado que era um bom livro, mas também não me encantou.

De FB a 06.02.2013 às 10:48

a minha opinião : http://arrecadacao.wordpress.com/2012/05/24/o-mar/

De pedrices a 06.02.2013 às 12:29

Obrigado pela partilha, gostei de ler o teu texto!

De FB a 06.02.2013 às 15:19

Obrigado.

Gostava de acrescentar que esta questão dos prémios dá uma boa discussão. Apesar de considerar este um bom livro tampouco me enche as medidas. No entanto creio que é uma questão de gosto pessoal porque há que lhe reconhecer qualidade literária. O mesmo já não poderei dizer do Finkler do Howard Jacobson e muito menos de Amsterdão de Ian McEwan, ambos vencedores do booker em 2010 e 1998 respectivamente. Se o primeiro, Finkler, ainda tem algum contexto político que por via do prémio se possa ter querido valorizar ou destacar o segundo, do Ian, nada tem. Já sei que é um escritor consagrado, uma vaca sagrada para alguns, etc e tal, mas pessoalmente estou muito longe de convencido.

De pedrices a 06.02.2013 às 22:48

É normal que os prémios gerem sempre alguma polémica. Acho até saudável, sinceramente. Porque quem os atribui são pessoas como todos nós, com opiniões diferentes. Acho que as discussões que antecedem a decisão devem ser bem interessantes.
O Finkler ando louco para ler, há imenso tempo. A ver se me despacho, depois faço post. O Ian, confesso que o acho um escritor menor. Muito competente, muito "giro" naquilo que faz mas, para mim, não é grande literatura, é mais literatura de entretenimento, sem ser da má (está longe, muito longe dos best sellers de péssima qualidade que por aí abundam. Não é mau porque é giro. Mas não é muito bom.
De qualquer forma, só há dois prémios que me interessam: este, o Man Booker Prize, que me tem mostrado bons escritores. E o Nobel. Mas há uma diferença brutal de nível. São raros os Nobel que não são Grandes, e Enormes. O Man Booker Prize são de outro tipo: bons ou muito bons. E, de vez em quando, menos bons. Claro que há quem faça o pleno: Coetzee, por exemplo. Um dos melhores Nobel da atualidade, e que já ganhou dois booker.

P.S. Não conhecia o teu blog mas vou começar a acompanhar!

De FB a 07.02.2013 às 09:32

Como eu não leio escritores mas sim livros não ligo muito ao Nobel. O booker normalmente traz desilusão e regra geral os vencidos são melhores que o vencedor. No entanto, há um que nunca me desiludiu e que me vai servindo de referência, o Goncourt.

Em relação ao Finkler, aconselho que leias o original, em Inglês, já que o livro está carregado de piadinhas subtis e humor britânico. Isso também se capta na tradução, mas não é a mesma coisa.

aqui tens a minha visão: http://arrecadacao.wordpress.com/2012/09/19/a-questao-finkler/

Boas leituras.


De pedrices a 07.02.2013 às 11:10

Se não fosse o Nobel, talvez nunca tivesse chegado a Beckett, ao Thomas Mann, ao Coetzee, ao Pamuk. Quando preciso de uma referência, lá está a lista do Nobel, cheia do melhor que há, para escolher. Claro que não deixo de ler outras coisas. Mas não há como aquela lista, por muitas voltas que se dê, e por muitos defeitos que tenha.

De FB a 07.02.2013 às 12:22

Creio que não me expliquei convenientemente. Não me entenda mal. Pretendia transmitir que não procuro escritores mas sim livros. Se o livro/estilo me interessar aprofundo a obra passando aí sim para o escritor. Foi assim com Atiq Rahimi, Valter Hugo, Sandor Marai, Lars Saabye, etc, dos quais já li as obras todas. Não digo que o Nobel tem defeitos, quem sou eu ! Apenas que me serve de referência "secundária" para escolher um livro. Abr.

De pedrices a 07.02.2013 às 17:05

Não entendi mal :) estava só a relatar a minha experiência pessoal em relação a isso :)

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