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Atenas é vista por muitos como uma cidade feia, caótica e suja. E é isso tudo. Mas também é muito mais. Aliás, Atenas é a grande surpresa da minha viagem à Grécia. Tudo o resto foi fantástico, tal como se previa. Muito melhor que as expetativas mas no sentido esperado, ou seja, positivo. No entanto, Atenas foi supreendente porque, apesar de ser verdade que é tudo menos uma cidade bonita, é um sítio incrível.

 

A primeira coisa que impressiona é, obviamente a Acrópole. É mesmo assim, só percebemos as coisas quando estamos junto a elas. Tantos mapas, fotografias, vídeos, e nunca tinha tido noção da forma absolutamente dominante da Acrópole sobre a cidade.Atenas é enorme, mas fica numa planície onde há montanhas à volta e um ou outro monte pelo meio. A Acrópole é como que o coração de tudo, parece que a cidade se organiza à volta dela e, ao que parece, são poucos os sítios da cidade de onde ela não se veja. Mas não é só a natureza que torna a Acrópole tão dominadora, é também o facto de os gregos não permitirem construção em altura que possa ser mais alta que a Acrópole. Por isso, o que vemos é o monte que domina a cidade, sem qualquer concorrente, a não ser outros montes.

Claro que é difícil estar ali sem querer, imediatamente, subir à Acrópole. Mas, antes disso, dei alguns passeios pela zona de Monastiraki. Esta praça é uma espécie de Rossio lá do sítio. Tem uma estação de comboio/metro (não percebi muito bem porque andei quase sempre a pé). E tem sempre uma quantidade absurda de gente. Para além disso, havia um palco e quase todos os dias alguém lá estava a cantar. Também vi uma peça de teatro de rua, e, muito perto dali, um outro palco, onde parecia estar a haver uma performance com leitura de textos (podia ser poesia, até... mas o grego não é fácil).

Toda a zona à volta da Acrópole está bastante desafogada. No fundo, é um enorme passeio urbano, com árvores e outros espaços verdes. Acho que nem sempre foi assim mas, como está, é um passeio único. Encontram-se esplanadas que são do tamanho de alguma praças portuguesas. Há sempre imensa gente em todo o lado, parecendo que a cidade nunca pára. É verdade que estou a falar da “Atenas turística” mas, para os propósitos deste texto, é sobre essa que interessa falar. De resto, saindo um pouco do centro, há mercados como nunca vi, a não ser em imagens de televisão na Turquia ou médio-oriente. Há gente de todo o mundo, em especial da Albânia, Afeganistão, Paquistão. Há cheiros incríveis (nem sempre agradáveis), frutos secos à venda em todo o lado em bancas (os pistachos são incríveis). 

Depois há a música. Um dia, ao passear à noite, entrei num jardim. E tive a sorte de ver/ouvir isto:

Não cheguei foi a saber quem são ou o que cantam.. Mas fiquei encantado.

 

Na manhã do segundo dia, fui à Acrópole. Não podia demorar mais. Aqui está um mapa do lado pelo qual entrei.

 Primeira paragem num "stoa" restaurado. Dá uma boa ideia de como eram os edifícios intactos.

Depois, o templo de Hefesto, um dos mais bem conservados que alguma vez vi. É quando se veem estes exemplos que se compreende melhor o que está em ruínas. E eu já tive a sorte de ver Paestum, em Itália (ponham no google imagens e vejam quão incrível é. Um dia devia escrever um post sobre isso…).

 Finalmente, lá em cima, a acrópole. Note-se que acrópole é a designação da zona. Várias cidades têm a sua acrópole. Dentro do recinto dela, aí sim, está o maravilhoso Parténon. Tudo o que eu possa dizer sobre ele é escasso. Há coisas que só se percebem ao vivo. E a beleza disto é uma delas.

 Ainda na acrópole, o templo onde estão as Cariátides

 E aproveitando a altitude, algumas imagens de Atenas. 

 Destaque para o edifício estranho que é o fantástico Museu da Acrópole. A parte de cima está desalinhada em relação ao resto para ser paralela ao próprio Parténon. O museu é incrível pela riqueza daquilo que conserva e pelo edifício em si. O diálogo entre o sítio real e o sítio conservado é extraordinariamente bem articulado pela utilização do vidro e pela disposição das peças. Um exemplo de respeito e veneração por aquilo que se pretende conservar/mostrar:

Saindo da Acrópole, encontramos, ali perto, o maior templo da Grécia, este dedicado a Zeus. As colunas são de facto espantosas e enormes. O facto de estar incompleto, e de ter uma coluna caída, torna ainda mais forte o sentimento de que se está a contemplar algo profundamente simbólico.

 Muito perto está o Arco de Adriano - Atenas está cheia de Adriano, e ele próprio não se considerou “educado” enquanto não estudou na cidade. De um lado do arco (da cidade mais antiga) está escrito algo como “esta é Atenas, a cidade de Teseu; do outro (da cidade mais moderna) "esta é Atenas, a cidade de Adriano, não de Teseu".

 O Museu Arqueológico Nacional tem uma coleção incrível, claro. Deixo aqui alguns dos elementos que mais me impressionaram.

E o destaque para uma estranha sala que expunha obras que foram retiradas do mar. Aqui podemos ver o efeito da água sobre a pedra, e o efeito de parte da estátua ter ficado enterrada:

O resto de Atenas é vivê-la. Andar pelas ruas, sentir a intensidade. Sempre pensei que seria uma cidade para ver uma vez na vida. Mas já ando a pensar em inclui-la numa próxima viagem à Grécia.

  

 

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5 comentários

De miguel a 08.11.2012 às 10:20

obrigado Pedro, fantástico este teu relato de viagem (e sim, posts sobre Paestum é uma excelente ideia).
Da Grécia só conheço Creta, e foi um coup de foudre. Mas o que me traz aqui ao comentário é que impressão que guardo de Creta é muito europeia, e o teu texto sobre Atenas invocou-me muito o médio oriente, lembrei-me da Síria, de Damasco e de Alepo; terão sido os pistachios? ah, os pistachios :)

De pedrices a 08.11.2012 às 12:52

Sem dúvida, Miguel, Atenas é muito oriental. E olha que também é paquistanesa e afegã. Há imensa gente de lá que vive em Atenas.
Nunca estive em nehuma cidade do médio oriente mas passei o tempo a pensar que Atenas era muito parecida com aquilo que imagino de Istambul. Os mercados de rua são incríveis (para o bem e para o mal).
Creta era a que eu mais queria. Mas ficou para uma segunda viagem...

De 222 a 10.11.2012 às 01:26

Constantinopla...

De Rosa Lychnos a 07.02.2017 às 19:15

Olá Pedro, grata por ter feito um retrato de Atenas positivo, em princípio irei este ano a Atenas e ando em pesquisas sobre a cidade, falo com pessoas que estiveram em Atenas e só dizem que é uma cidade feia, horrível, suja, tudo o que há de negativo, o seu relato e as imagens que aqui publicou fazem de Atenas uma cidade cheia de história, como diz aqui no seu blog só estando lá é que nos apercebemos da grandeza dela.

Vou por cinco dias e quero aproveitar ao máximo se me poder dar dicas agradeço.

De pedrices a 07.02.2017 às 22:07

Olá Rosa,

Obrigado pelo comentário. Se clicar lá em cima, em viajar, poderá encontrar mais textos sobre Atenas. O que leu foi da primeira vez que lá fui. Depois disso, tenho ido todos os anos à Grécia e Atenas repito sempre. 5 vezes, para já, e não concebo ir lá sem a visitar novamente.
Tenho todo o gosto em dar-lhe algumas dicas, por isso, se quiser, deixe-me algum contacto.

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