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Terminei a leitura da Fenda com a mesma sensação que tinha antes de a iniciar, ou seja, “não conheço esta escritora, preciso de ler algo dela”. O erro é capaz de ter sido meu, este não deve ser um bom livro para conhecer uma autora que já ganhou tantos prémios e que se destaca por uma obra tão diversa e abundante.

Pronto, resta-me continuar a procurar um livro de Doris que me permita conhecê-la; o “Amar de novo” tem-me chamado a atenção, acho que vou apostar nesse.

Claro que esta opinião que estou a ter, não pode deixar de estar ligada ao Nobel ganho pela escritora. É que a Fenda não me parece um livro de autor de Nobel. Não é que esteja desprovido de interesse; não é que não seja uma metáfora poderosa; não é que não invoque sensações que eu não tinha desde que li Golding e o seu “Deus das Moscas”. Porém, nada disto é escrito de forma impressionante ou que nos toque de forma invulgar. Percebo que Doris seja (também) uma escritora de ficção científica, este livro podia ser um desse género. Creio é qu,e para esta história, isso não torna a leitura agradável.

Há aspectos muito interessantes nesta obra. Desde logo, o narrador ser um romano (sim, do império) que analisa textos históricos. No fundo, A Fenda é um romance histórico sobre uma teoria que avança os homens como descendentes da mulher (chega-se a pensar que faz um certo sentido, é esse o poder do feminismo de Doris). Curioso é que o próprio contar da história seja também um romance histórico sobre o Império Romano. No início do livro, quando nada disto é ainda claro, quase que nos sentimos historiadores a pesquisar documentos.

Efeitos interessantes à parte, é um livro eficaz. No entanto, não é empolgante, não é envolvente e, apesar de valer a pena ser lido, não creio que acrescente muito.

 

Mas hei-de continuar a dar notícias sobre a minha incursão no mundo de Doris Lessing.

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2 comentários

De Carlos Manuel Lopes da Silva a 21.09.2010 às 14:41

Pois este também foi o primeiro livro que li desta escritora. Também o último. Simplesmente porque não fiquei com vontade de ler mais dela.
Há tantos livros que gostaria de ler e que sei que, durante toda a minha vida, por mais anos que dure, não terei tempo para ler, que não gosto de "perder tempo" com leituras que, à partida, sei que não valerão a pena.
Corro o risco de estar a cometer uma enorme injustiça e de, principalmente, estar a perder obras imperdíveis de Doris Lessing mas o "cartão de visita" que me foi apresentado através de "A Fenda" deixou-me esta sensação.

Pelo contrário, com o "Deus das Moscas" que mencionou neste artigo, fiquei com vontade de repetir William Golding. Esta obra, ainda que perturbadora, é poderosa e cativante. "A Fenda" fica-se por algumas partes perturbadoras.
O Nobel da Literatura a que lhe foi atribuído faz-me desacreditar no valor deste prémio, cada vez que vejo alguma obra nova assim premiada nas estantes da livraria.
Pelo contrário, "Cem Anos de Solidão", de Gabriel García Marquez, não poderia ser mais merecedor de dito prémio.
Talvez por isso, quando pego num Nobel da Lituratura que ainda não li, fique sempre com 50% de incertezas.
Gostos...

De pedrices a 09.10.2010 às 23:59

Eu percebo perfeitamente o não querer ler mais nada dela. Mas não posso deixar de dizer que o "Amar de Novo" é completamente diferente, e vale bem a pena. Está aí no blog um post sobre ele. Obrigado pelos comentários!

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