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Acho que, afinal, ao fim destes anos todos, eu não gosto lá muito de contos...

Quer dizer, eu sei lá se gosto ou não de contos…

A verdade é que raramente tenho lido contos que me tenham enchido as medidas - talvez a exceção seja a Flannery O'Connor e, mesmo assim, tenho dúvidas;  talvez Kafka, é mais provável que esse sim. Um destes dias tenho que procurar, aqui no pedrices, textos que tenha escrito sobre livros de contos. Não sei se alguma vez senti isto tão claramente como agora. Eu quero gostar de contos: eles são breves, fáceis de ler, rápidos. Porque é que nunca me convencem? Porque é que desaparecem tão rapidamente da minha memória? Até os do Saramago…. Bom, se calhar, é normal por isso mesmo, por serem contos. Não sei, é para pensar melhor depois. Posto isto, segue a opinião sobre um livro de contos...

Há bastante tempo que tinha este livro para ler. Mas também um receio. Gostei tanto de A Sangue Frio, um livro incrível que, depois, quando li o Boneca de Luxo, fiquei desiludido. Receava, portanto, que acontecesse o mesmo com estes contos.

No início, não há grande coisa para ler. Os primeiros contos são breves e leves, dificilmente marcam. Parecem mais ensaios para tentar mais tarde a sério.

O primeiro conto que entusiasma chama-se Garrafão de Prata, uma história com alguma ternura e em que se revela o talento de Capote. Depois, há o intrigante Miriam com uma rapariga que aparece do nada, e que ao mundo do nada parece pertencer. Não é uma fórmula original mas é interessante. E a atmosfera que Capote consegue criar é digna de nota.

Em termos formais, gostei particularmente do divertido A minha versão das coisas - com um final surpreendente. Este é provavelmente o único que me vai ficar (bom… talvez também O Almoço do Dia de Ação de Graças). De resto, são assim estes contos: pequenas histórias, agradáveis de ler e muito bem escritos, mas sem nada que marque verdadeiramente.

Mas, volto a dizer, A Sangue Frio é um livro incrível. E, de qualquer forma, confirma-se que Capote é um escritor muito talentoso, o que me faz continuar a querer ler livros dele. A Harpa de Erva há de ser o próximo.

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10 comentários

De Vespinha a 22.06.2012 às 22:16

Eu também raramente leio livros de contos, a nao ser quando são coletâneas de autores diferentes. Olha aqui: http://vespaaabrandar.blogspot.pt/2010/12/crueldade-pura.html

De pedrices a 25.06.2012 às 14:01

Isso promete... Tem muito bom aspeto :)

De numadeletra a 22.06.2012 às 23:05

Também não sou grande adepta de contos mas há excepções e Murakami é uma.

Fiquei fã, sim, foi de Capote, depois de ler "A Harpa de Ervas" e "Boneca de Luxo" (por esta ordem).

De pedrices a 25.06.2012 às 14:00

Então e para quando a obra-prima dele, o A Sangue Frio?

De numadeletra a 25.06.2012 às 15:09

Tenho vontade de o ler mas é capaz de demorar.
Lá em casa tenho 2 de Capote por ler e o "A Sangue Frio" não está incluído.

O facto de ter visto o filme "Capote" não tirará alguma piada quando for ler o livro?
(Detesto saber demais quando vou ler a história!).

De pedrices a 25.06.2012 às 16:56

Sim... é verdade. Mas este é um livro que se lê sabendo tudo porque é uma história real. E claro que o Capote, ao escrevê-lo, sabia que toda a gente conhecia a história (que foi horrivel). Mas é fantástico na mesma. Há quem diga que iniciou um género, o "jornalismo literário". Por isso, muito mais do um romance, muito mais do que ficção, trata-se de uma reconstituição.
Acho que é diferente de tudo o resto que ele escreveu. Por isso, experimenta as primeiras páginas antes de arriscar :)

De C. a 25.06.2012 às 13:46

De Truman Capote li "Boneca de Luxo" e fiquei com a sensação de ser apenas mais um livro, sem algo que ficasse impresso no tempo. Calculo que é essa mesma ideia com que fico de livros de contos, algo que por vezes não perdura, que é substituível, ou noutras ocasiões o desejo que não acabasse ali.
Excepções- "Contos de São Petersburgo" de Gogol, "El Llano en Llamas" de Rulfo; "Bestiario" de Cortazar (de repente este exercício de memória poderia contradizer o que escrevi anteriormente).
Continuação de boas leituras.

De pedrices a 25.06.2012 às 14:04

O interessante disto é que, graças aos comentários, tenho-me lembrado de autores/contos que realmente valeram a pena. Gogol é de facto muito bom, obrigado pela recordação.

Cortazar e Rulfo ainda tenho que ler...

De C. a 25.06.2012 às 15:15

Censuro-me por terem ficado em falta o "Ficções"e o "O Aleph" do Sr. Borges. Tanto um como o outro estão para lá do universo literário (seja lá o que isso for:))

De 222 a 25.06.2012 às 19:42

um dos melhores escritores de contos é Tchekhov. experimenta

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