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Quando peguei neste livro pela primeira vez, achei interessante. Pareceu-me um livro-tese em que um historiador resolve explcar aquilo que já muitos tentaram explicar, e de várias formas - o domínio da civilização ocidental no mundo. Claro que o tema, sendo por definição sempre atual porque esse domínio é algo do presente, tem uma ainda maior importância por se discutir, cada vez mais, o declínio ou o fim desse domínio.

Convicções à parte, o livro surpreendeu-me bastante. Niall Ferguson aproveita para contar uma história do mundo, desde os descobrimentos até à atualidade, em que, graças às áreas que decide abordar, toca nos pontos fulcrais e com uma capacidade de seleção e síntese que são espantosas. O interessante é que, ainda assim, não deixa de ser analítico. Talvez isso até seja um dos pontos fortes, é que Ferguson não é lá muito convencional Digamos que não lhe custa nada dizer aquilo que lhe apetece dizer. O que num livro de história já é muito, mas num livro que compara civilizações,  devido ao politicamnete correto, é ainda mais difícil.

Ferguson é altamente moderno na forma como apresenta as coisas. À primeira vista parece uma espécie de história light, mas só o é no que isso tem de bom. O conceito, que a tradução portuguesa abafa (não é má, mas podia ser mais fiel à intenção do autor), anda à volta da ideia de kliller apps que a civilização ocidental tem. Ou seja, é como se o nosso telefone, ou tablet, tivesse as melhores aplicações e, agora, as outras civilizações também já as estivessem a instalar. Éramos o ipad mas estamos a perder terreno (esta parte digo eu, não o autor).

Nial Ferguson, apesar desta forma refrescante e moderna, sabe dar o valor àquilo que foi cimentando o domínio do ocidente no mundo. E alerta para o facto de estarmos a perder referências, em particular por não acreditarmos ou não valorizarmos aquilo que é o nosso património. E fica muito claro que os livros são um dos maiores.

Por acaso, pouco tempo depois de, no metro, ler esta passagem:

Talvez a grande ameaça ao Ocidente não venha do islamismo radical nem de nenhuma outra fonte externa mas da nossa falta de compreensão da nossa herança cultural (e da nossa falta de fé nela).

Pus-me a ler as últimas notícias na net e encontrei uma notícia que dava conta de que uma ONG tinha pedido para A Divina Comédia de Dante ser retirado das escolas por ser um livro ofensivo, discriminatório, islamofóbico, etc.

Para além da ironia de ler uma coisa e seguir à outra, em menos de uma hora, há também o peso da evidência de como a estupidez é uma coisa ilimitada ou, como diz Musil n'O Homem sem Qualidades:

Não há um único pensamento significativo de que a estupidez não saiba servir-se.

Bom, para além do livro, pelos vistos Niall Ferguson tem os seus próprios documentários. Ainda não vi. Mas, para começar, e essa já vi, há uma apresentação no Ted Talks em que ele fala da tese deste livro. Diria que é imperdível, em apenas 20 minutos está lá tudo. E espero que esteja também a vontade de ler o livro.

Aqui fica o link http://www.ted.com/talks/niall_ferguson_the_6_killer_apps_of_prosperity.html

E, para terminar, a brutal última frase do livro: 

(...) A maior ameaça à civilização ocidental não é colocada por outras civilizações mas pela nossa própria pusilanimidade - e pela ignorância histórica que a alimenta.

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