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Já há muito tempo, escrevi eu aqui no pedrices que andava a ler uns contos de Bolaño em espanhol, e que dava para perceber que ele era um grande escritor. Os contos eram realmente viciantes e diferentes do habitual.

Agora estou a olhar para este Os Detetives Selvagens, um livro de 500 páginas que se fosse um livro de contos, e em grande medida até o é, eu provavelmente consideraria excelente, e não consigo evitar esta sensação de que estive a assistir a um enorme exagero.

Bolaño é um grande escritor. E isto é pura literatura, de grande nível. Certo. Mas Bolaño devia também ser o primeiro admirador de si próprio. Posso estar a ser injusto, claro, mas é a sensação que me dá. Escreve tanto, tanto, que enjoa. As ideias repetem-se, os tiques estilísticos são muitas vezes os mesmos, a história tem um rumo tão desordenado que parece pretender ser um puzzle só porque o efeito de ser um puzzle é giro e provoca sensação.

Mas claro que no meio disto se percebe que há ali uma escrita assombrosa. O livro é quase todo constituído por fragmentos (e nem sequer acho interessante a tarefa de tentar dar-lhes sentido) e, por isso, pode ser lido como se leem contos. Aí sim, há grandes histórias e o livro chega a ser brilhante.

Mas 500 páginas disto é claramente chover no molhado. Ao princípio, enquanto esta sensação não se instala, especialmente na primeira parte do livro, que tem uma estrutura de diário, a leitura é altamente viciante e agradável, pena é que dure apenas cento e tal páginas e depois comecem os fragmentos, quase até ao fim, altura em que é retomado o diário. Tarde demais, o enjoo já se instalou.

Grande livro, sim senhor, grande escritor, sim senhor. Mas menos…

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3 comentários

De adignidadedadiferenca a 09.01.2012 às 01:32

Nunca senti essa indisposição. Felizmente, adorei o livro. Fragmentário, intencionalmente desornado, sem dúvida, mas absolutamente fascinante. Do que veio a seguir é que já não gostei tanto. P.S. Boas leituras. :-)

De Electronic Jazzy Girl a 09.01.2012 às 09:42

Hei-de chegar a Bolaño, quem sabe... Para já e tão cedo, não.

De Bartolomeu Lança a 21.08.2012 às 15:43

Alguém me sabe dizer de quem á a autoria desta capa?

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