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Isto de ler tem muito que se lhe diga… Pois, isso já sabemos. Mas uma coisa que me intriga constantemente é o facto de passar tantas horas com um livro e, às vezes, pouco tempo depois, já não me lembrar de quase nada dele. O blog tem-me ajudado a gravar as minhas impressões das leituras que faço, mas, porque há muito que leio e não registo aqui, a sensação de que muito se desfaz rapidamente, continua a acompanhar-me.

 

Creio que foi Kafka que disse algo como “os livros que vale a pena ler são aqueles que nos fazem gelar por dentro”. Tenho lido muitos livros mas são poucos os que fazem isto. Pior, são poucos os que ficam verdadeiramente comigo. Por um lado é frustrante mas, por outro, porque é que me hei-de preocupar com isso?

 

Isto tudo para dizer que O Homem Lento de Coetzee tem andado aqui dentro a moer… Não é o livro de Coetzee que mais gostei (isso continua a ficar para o Desgraça – que vontade de o reler!). Porém, é um livro que não consigo esquecer. Dou por mim, noite após noite, a pensar naquilo que nele se passa. E o que é? Não sei bem. Há uma profunda reflexão sobre o que é envelhecer, sobre o ficar limitado fisicamente, sobre o amor tardio, sobre actos descabidos. Depois, há a Elisabeth, personagem de outros livros, que aparece e transforma tudo aquilo num enigma difícil de caraterizar. É Coetzee, um surpreendente Coetzee, um estranhíssimo Coetzee; um Coetzee de que nem gostei por aí além, mas que não me larga.

 

E é tão bom ficar preso num livro.

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5 comentários

De 222 a 02.12.2010 às 19:09

Elisabeth é extraordinária. Por vezes dá a impressão de não ser uma mera personagem ficcional, inventada pelo escritor, mas antes um outro escritor, muitas vezes convidado e acarinhado por Coetzee para uma subtil autoria conjunta.

De pedrices a 03.12.2010 às 14:24

Bem... até parece que leste o livro. Não imaginas quão certeiro é esse comentário neste contexto. Nunca se percebe muito bem o que é que ela é e como é que entra na história, mas isso da autoria conjunta tem tudo a ver...

De 222 a 11.05.2012 às 00:10

e no fim do livro, quando tudo parece encaminhar-se para um desenlace mais ou menos feliz, mais ou menos previsível (ou não...), começamos a pensar que não é possível, que não é possível que Elisabeth tenha lançado a sua âncora, amolecido... Mas depois, chegamos às últimas frases e tudo volta ao normal, à "realidade", a essa obstinada verosimilhança a que Coetzee sempre nos habituou. Final feliz ou infeliz? Nada disso importa; depende da perspectiva. Mas, para os desiludidos com este final, haverá sempre que imaginar o dia seguinte, quando Elisabeth regressa a casa do Homem Lento para recuperar o seu bloco de notas.

De pedrices a 11.05.2012 às 12:32

Muito bom!

E já viste como o teu comentário anterior, muito antes de teres lido o livro, já fazia sentido?...

De 222 a 14.05.2012 às 21:26

Sim. Cheirou-me.
:)

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