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Ontem, em Paris, aconteceu algo que, sinceramente, já tinha pensado que iria acontecer um dia. Até pensei que aconteceria em várias cidades ao mesmo tempo. Há uma campanha de ódio e de vingança face à qual nenhum de nós está seguro. Mas o pior é que muitos aderem a ela quase imediatamente, não do mesmo lado, mas sempre a favor do ódio.

Quero dizer com isto que hoje, eu que desprezo bastante o facebook, o abri porque me apetecia ler as reações das pessoas, vê-las indignadas contra os assassinos de Paris, vê-las expressar solidariedade. É bonito e consola um pouco.

Mas o primeiro comentário que encontrei foi nojento. Uma "amiga" do facebook comentava "e nós a metê-los cá dentro" e "devíamos fechar as fronteiras". Até concordo, mas só depois de ela ficar do lado de fora.

Mas depois apercebi-me que havia mais comentários assim.

Milhares e milhares de pessoas são vítimas de terrorismo quase todos os dias. Muitas são vítimas do estado islâmico, milhares delas estão a fugir, a procurar um abrigo na Europa. Eu sei que o problema é terrível, é complexo, que temos que receber as pessoas com alguma ordem, que não podemos deixar que o caos se instale. Compreendo muros que ordenem, não muros que fechem. Aceito a lentidão da resposta a esta crise porque compreendo que não há soluções fáceis para problemas desta dimensão. O que não posso aceitar é que gente igual a mim, com um nível de segurança assinalável, com um estado social que as ajuda minimamente (podia ser sempre melhor, claro), acusem quem é uma vítima de ser assassino.

Vamos pôr as coisas de forma clara: os refugiados são pessoas que sofreram mais do que nós imaginamos. Estão a fugir daquilo que nós também fugiríamos se aquilo que aconteceu em Paris acontecesse todos os dias nos nossos países. Pelo meio há muitos oportunistas, haverá até terroristas. Mas isso não apaga o essencial. Só mostra o quanto temos que trabalhar para fazer as coisas de forma ordenada e ajudar quem merece ser ajudado.

As duas crianças da foto acima são refugiados reais. Fizeram a viagem da ilha de Samos para Atenas comigo num ferry grego. Queriam ver o mar, não imaginam a dificuldade que as mãos pequeninas tiveram para encaixar as cadeiras uma na outra, para terem altura suficiente. A foto é minha, foi tirada no meio de milhares de outras pessoas que arriscaram a vida para se safarem dos assassinos.

O que aconteceu em Paris não foi culpa destas crianças, nem dos adultos que vinham com elas, nem das crianças europeias, nem das pessoas que ontem saíram à noite para beber um copo, ir a um concerto, ou jantar fora. A culpa foi dos assassinos que o fizeram, e de quem reivindicou que o fez. Não façam confusões. Os atentados de Madrid há 10 anos foram culpa dos refugiados? E os de Londres? Haverá algum envolvido no que ontem se passou? Pode ter havido, mas também houve franceses, e outros europeus, sabemos que até portugueses há no estado islâmico. Sabemos que eles cá chegarão, dê lá por onde der. Fronteiras fechadas ou abertas.

O que temos que fazer é lutar contra aqueles que nos querem matar só porque somos pessoas. Nada mais. Quem quiser viver em paz, deixemos viver em paz, é isso que marca a diferença entre a nossa civilização e a barbárie.

Paris, je pleure pour toi!

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Este livro tem o melhor dos defeitos: é muito pequeno. É realmente o único aspeto em que ele deixa a desejar. De resto, é um daqueles romances em jeito de autobiografia em que conseguimos entrar dentro de um personagem e conhecê-lo. Trata-se da reconstituição de um breve trecho da vida de um homem às portas da morte devido a doença. As palavras são retiradas dos seus cadernos de apontamentos e são apenas pequenas histórias. Restos tão breves que parecem incapazes de sustentar tudo aquilo que fazem sentir. Um grande livro em muito poucas páginas.

Anda por aí uma nova edição que, por acaso, me fez ter vontade de ler esta que cá andava em casa há uns 14 anos. É incrível os tesouros que uma estante pode conter em segredo durante tanto tempo. 

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