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Há 4 anos escrevi aqui, sobre Doris Lessing, a propósito do seu livro Amar de Novo, que havida de voltar a lê-la. Deixei também a indicação de que seria As Avós. Não aconteceu. Na verdade, embora não me tenha esquecido, ainda não voltei. Mas acabei de ver o filme Adore, uma adaptação a partir desse conto, As Avós. Não sabia, apenas me tinham dito que era a partir de uma obra de Doris Lessing.

 

Estou ainda um bocado zonzo, quero apenas dizer que é magistral, precisamente por causa do argumento. Uma história como nunca tinha visto ou lido sobre duas grandes amigas de uma vida inteira e de como cada uma delas se envolve com o filho (bem mais novo) da outra. O filme coloca em cena uma complexidade incrível de sentimentos, sem tomar partidos, sem querer sobrepôr-se à própria história. E agora tenho mesmo que ler o conto porque se o resultado em filme é assim qause tremo ao pensar no que poderá ser ler esta história.

 http://www.imdb.com/title/tt2103267/

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Steven Saylor, pelo que tenho visto, é famoso pela vertente “policial” dos seus romances históricos. Gordiano, o Descobridor, é uma detetive que vive na Roma antiga e tem sido o grande personagem de uma série que é a Roma sub-rosa. Eu, até agora, tinha estado um pouco à margem disso porque tanto Roma como Império, os dois livros que li do autor, são um caso à parte e não estão relacionados com essa vertente “policial” nem com Gordiano.

Este livro é uma espécie de prequela a todos os de Gordiano. Passa-se quando ele passa a ser adulto e faz uma viagem pelas 7 maravilhas da antiguidade. Ao longo da viagem, em cada destino há um pequeno mistério que Gordiano resolve. Assim, ficamos a saber como é que ele acaba por se tornar o aventureiro dos outros livros.

A sensação, após a leitura, é a mesma do costume. Estes livros são giros, fazem-nos viajar, divertem, e permitem uma introdução à antiguidade. Para quem gosta mesmo de história a insatisfação é inevitável e os mistérios vão do fraco ao parvinho mas o resto vale bem a pena e passam-se uns bons momentos. Nunca percebi o conceito de livros de verão mas, se calhar, este é um desses.

 

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Recordações

26.08.13

Pausa de fim de semana para reencontrar um dos cenários da minha infância. Foi preciso redescobrir o caminho - não ia lá há uns… sei lá… 20 anos? Mas foi bom saber que ainda existe.

Até podia dizer onde é, aliás, fazia todo o sentido. Mas depois de ver o que encontrava na internet sobre o sítio, não descobri um único link que falasse desta terra. Há uma outra, de nome igual, algures lá para o Porto. Mas esta não, parece que é só de quem a conhece. Vou deixá-la assim, um açude perdido e esquecido.

 

E este açude, que não tinha esquecido mas do qual só me lembrava raramente, levou-me para outra recordação, um livro de há uns anos, do qual falei aqui, e onde também há um açude, mas esse fica Para Além das Montanhas.

 

 Para Além das Montanhas, de Ricardo Sousa Alves

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Se há coisa que lamento, e que ainda não consegui reparar, é o saber tão pouco sobre a história da Grécia mais moderna. Nesse particular, o período da 2ª Guerra Mundial, durante a qual a Grécia foi invadida pelos nazis, é particularmente relevante. Este livro de Wescott ajuda, por um lado, a preencher a lacuna e, por outro, despertou-me ainda mais para o tamanho da minha ignorânica em relação ao assunto. O livro trata da história de uma família ateniense que é obrigada a receber um oficial alemão na sua própria casa. Este intruso torna-se o “dono” da casa e a famíla tem que o servir. Pode-se esperar daqui um relato pungente, intenso, revoltado, emocionante. Pode esperar-se tudo isso mas, na verdade, Wescott torna esta história num trabalho extrordinário de contenção, de densidade psicológica, de acontecimentos inesperados e simples que desencadeiam enormes alterações. Sem ceder ao fácil e ao óbvio nem por um momento (e se cedesse, mesmo assim, o tema podia dar um grande livro), Wescott constrói uma obra ainda melhor do que o seu conhecido O Falcão Peregrino, isto porque neste Apartamento em Atenas, o que se vai passando adquire uma relevância e uma dimensão que tornam este num livro incontornável para quem gosta de percorrer a história pelos caminhos da ficção literária.

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Às vezes, muito raramente, há um livro que nos esmaga. É tão raro quanto bom. Este foi, para mim, um desses livros. Demorei muito a lê-lo, e já vou falar sobre isso, mas foi preciso passar das 450 páginas para perceber o quanto estava a gostar, o quanto este livro é incrível. Sinceramente, cheguei a não gostar de o estar a ler, cheguei a sentir-me exasperado.  Mas vamos lá concretizar.

 

Notas prévias:

 

- Este texto revela o enredo, pelo que não aconselho a quem não tiver lido o livro. Parte da experiência é, precisamente, a descoberta progressiva das várias camadas do livro. Ir recolhendo as pistas e percebendo o que se aproxima.

- A versão que li foi em inglês. A razão é simples, ofereceram-me o livro logo que ele saíu, antes de haver edição portuguesa (até escrevi um post sobre isso a 31/3/2010). Eu é que ando muito atrasado nas minhas leituras. Não tenho nada contra as edições portuguesas de Pamuk, pelo contrário. Mas, por outro lado, foi interessante, e como é tradução direta do turco, senti-me mais perto que nunca do autor.


The Museum of Innocence, de Orhan Pamuk

 

Já me tinha apercebido de que, apesar de eu ser um leitor rapidamente rápido, há qualquer coisa nos livros de Pamuk que me fazem lê-lo de forma diferente. A exceção é o primeiro que li, A Vida Nova que li compulsivamente, mas só até certo ponto, já bem adiantado, e depois comecei a desacelerar. Os outros foram lidos devagar. E este Museu da Inocência foi o que mais tempo me levou. Mais uma vez, foi rápido no início mas, no decorrer da leitura, precisei de abrandar. Passou a ser um livro em que só pegava quando apetecia. Talvez porque o mergulho é profundo (quando se está neste livro não se está mesmo em mais lado nenhum). Curiosamente, já li várias pessoas que dizem exatamente o contrário e leem Pamuk compulsivamente. Mas há também os que concordam comigo, em particular leitores deste livro.

Tudo começa assim: “It was the happiest moment of my life, thought I didn’t know it”. O contexto é o de um casal que está a fazer amor. Não sabemos ainda mas vamos, mais tarde, saber que eles são amantes e que aquela relação é ilegítima. Ele é Kemal, 30 anos, membro de uma família da elite de Istambul, está noivo de Sibel, também de boas famílias. Ela é Füsun, uma prima de Kemal que trabalha numa loja de roupa. Depois de passarem anos sem se verem, reencontram-se quando Kemal vai à loja comprar uma mala para a sua noiva.

A partir daí, o livro passa a ser sobre a história de amor entre Kemal e Füsun, sobre os seus encontros num apartamento desabitado da família de Kemal, o qual se torna o centro da sua vida amorosa e o refúgio, uma antecâmara do que virá a ser o museu. Sei que quando falo aqui do museu isso parece não fazer sentido. Mas também é assim no livro, ele está sempre presente, mesmo quando parece ainda não fazer sentido.

Não obstante o envolvimento com Füsun (mencione-se que ela tem apenas 18 anos), o noivado de Kemal prossegue. Chegamos mesmo a assistir à festa de noivado, evento que atrai as atenções da sociedade de Istambul e um dos momentos mais extraordinários da literatura de Pamuk. Sem nunca perder o foco na relação Kemal/Füsun, Pamuk não deixa de nos apresentar Istambul, a sociedade turca, os contrangimentos do limbo europa-ásia-islão. Desde as relações dos homens com as mulheres, a  questão da virgindade feminina, os costumes laicos e religiosos, tudo está presente, como é habitual nos livros do autor.

O noivado prossegue mas, de um momento para o outro, Füsun deixa de aparecer aos encontros no apartamento. A partir daqui acompanhamos Kemal numa completa obsessão. Vê-a em todo o lado, pensa nela a toda a hora. Procura-a desesperadamente. Durante páginas e páginas vemos um homem em agonia. Kemal sem Füsun deixa de ter densidade. O que parecia uma paixão de um homem por uma jovem rapariga transforma-se em algo mais sério. O apartamento onde se encontravam passa a funcionar como uma forma de Kemal se sentir perto dela, junto dos objetos que ela tocou, ou que lhe pertenceram.

Quando, passados 6 meses, Kemal reencontra Füsun ela está casada e vive com o marido em casa dos pais. Kemal passa então a frequentar a casa, a jantar repetidamente por lá. Durante uns 8 anos é isto que acontece, Kemal frequenta a casa da sua amada sem voltar a tê-a como amante. O simples facto de a ver, de poder estar por perto, enche-o da vida que já não sentia quando não sabia dela. A obsessão pelos objetos dela vai crescendo e Kemal começa a colecionar, cada vez mais, peças da casa, pontas de cigarros, tudo o que tenha a ver com Fusün (rouba os objetos da casa e leva-os para o apartamento). Por esta altura já se tornou claro que o narrador conta a história a partir de um ponto no futuro, e que há um museu, que todas essas peças se encontram nele. Esta ideia de museu começa também a pairar como uma ameaça, um indício de que o final poderá ser trágico.

É durante esta parte, durante estes longos 8 anos, que o livro se começa a tornar também peculiar. Pamuk arrasta-nos para a obsessão de Kemal, faz-nos sentir o peso do tempo a passar devagar, como se nada acontecesse, noite após noite, vamos lendo e Kemal vai estando sempre a fazer o mesmo, de visita, para jantar, em casa de Füsun, contemplando objetos e arranjando forma de os levar. Não é fácil. No fundo, é a experiência de ler Proust, com a vantagem de ser bem menos, embora isso não cause nenhum alívio na altura. Simplesmente, como se percebe mais tarde, é mesmo assim que o livro deve ser, porque não é bem só um livro, é a literatura no que ela tem de melhor, a capacidade de nos transportar, de nos fazer sentir e, portanto, o tédio das noites iguais atinge o leitor de forma a fazê-lo perceber melhor o sofrimento de Kemal. E enquanto este há de ter a recompensa de voltar a ter Füsun também o leitor sentirá mais intesamente essa alegria por ter passado um pouco por aquilo que o personagem passou. O próprio Pamuk, o autor, não deve ter tido facilidade em escrever este livro, aliás, demorou vários anos.

Volta a haver alguma “ação” quando, quase no fim de todos estes anos de convívio, Kemal e Füsun voltam a passar algum tempo sozinhos, quando saem de carro para ele a ensinar a conduzir. Mas um verdadeiro reencontro de amantes só surge ainda mais tarde, quando Füsun se divorcia. É nessa altura que ficam noivos, que voltam a ligar-se como amantes, e que a tragédia ocorre. Daí o museu, o museu de Füsun, o museu da inocência que guarda a memória do amor de Kemal por Füsun.

Os últimos capítulos do livro, praticamente encerrada a história de amor, são sobre o Museu e o processo que leva Kemal à sua criação. Aqui, Pamuk introduz os seus jogos de meta ficção e entra, ele próprio, na história e de viva voz. Já o vi fazer isto em Neve, aliás, o personagem-Kemal pede-lhe para fazer o mesmo que um personagem de Neve fez: poder dirigir-se a nós, os leitores. E assim termina a obra - com Kemal a dirigir-se-nos diretamente.


O Museu Real

 

Pamuk é um escritor que recorre muitas vezes à meta ficção, misturando-se a si próprio no meio das histórias que cria.

 

Mas, neste caso, foi ainda mais longe. É que o Museu existe mesmo. Pamuk foi recolhendo objetos enquanto escrevia o livro e criou mesmo aquilo que acaba por ser um museu sobre a própria Istambul. Como ainda não fui lá (e, acreditem, é um destino tão intensamente desejado por mim como permanentemente adiado) deixo alguns links que explicam e mostram o museu real:

 

http://arteref.com/gente-de-arte/museu-da-inocencia-orhan-pamuk/

http://ipsilon.publico.pt/livros/texto.aspx?id=251331

http://www.independent.co.uk/voices/comment/orhan-pamuks-museum-of-innocence-is-now-a-reality-can-we-do-something-similar-in-london-8340739.html

 

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António Mega Ferreira é, para mim, uma referência. Vejo nele um homem culto, elegante, eclético e, ao mesmo tempo, um bom vivant, um homem moderno e com visão. Fui construindo esta imagem ao longo dos anos em que fui acompanhando as suas crónicas e, através delas, fui descobrindo novos horizontes. Apesar disto, só li um dos seus livros. Talvez o próprio concordasse que as suas recomendações são melhores que as suas criações. Mas este Roma é, para mim, um regresso a essa aprendizagem que Mega Ferreira me proporcionou. Já estive em Roma algumas vezes e, porém, esta pequena delícia fez-me querer ir para lá a correr. É certo que o leio porque vou voltar - Roma é um dos pontos por onde passarei na minha próxima viagem à Grécia, mas não é menos certo que, com este livro, o meu regresso à cidade eterna apresenta mais uns quantos motivos de interesse.

Uma nota para a edição: o livro é lindíssimo, tem espaço para notas do visitante, tem uma levantamento dos lugares a visitar, tem ilustrações. Muito bom!

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Ora aqui está um livro imensamente apreciado por muita gente (até Obama). Eu oscilei entre o mais profundo tédio quando se fala de críquete (em pormenor, demasiado pormenor), a indiferença quando se fala de Chuck, um dos personagens centrais, e o vivo interesse quando o narrador fala da sua história e da sua mulher. Um romance que vai passando entre Londres e Nova Iorque, que vai tendo tempos diferentes, muito bem concebido nesse aspeto. Aqui e ali, há momentos muito bons mas, para mim, é apenas um livro giro, bom para passar uma tarde ou duas.

Mas, voltando ao princípio, este livro foi realmente muito bem considerado e teve imensas nomeações como livro do ano, e ganhou vários prémios. Por isso, acho que há qualquer coisa que me afastou a mim em particular. Encontrei argumentos bastante defensáveis sobre camadas e qualidades que eu não vi.

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E agora uma nova pedrice... Ando há uns tempos para comprar uma bicicleta que me permita andar na cidade de forma confortável. Tenho uma daquelas velhas BTT compradas num hipermercado que serve, acima de tudo, como um exercício de paciência de de exploração do mundo da mecânica das bicicletas. Isto é, já tive que mudar uma câmara de ar, já tive que colocar a corrente no sítio várias vezes, já tive que voltar a pé para casa... Enfim, não tem corrido bem, e note-se que isto aconteceu andando com ela poucas vezes e em trajetos de 3 ou 4 Kms. A confiança para andar um pouco mais não era lá muita. Mesmo assim, lá fui da expo até ao Cais Sodré há uns dias. É verdade que a bicicleta se aguentou, eu é que não. Foram vários dias de dor nas costas como nunca tinha sentido.

Lá me decidi então a resolver o problema. Não queria mais bicicletas daquele tipo - como mantenho a velha, se quiser fazer um passeio mais racing continuo a tê-la. Decidi que iria comprar uma mais adaptada ao meio urbano - com pára-lamas (já mencionei que fui trabalhar um dia cheio de lama nas calças, coisa em que só reparei a meio do dia?) e outros acessórios que tornem os passeios mais confortáveis.

De repente, ao ver bicicletas de cidade, deparei-me com as dobráveis. Não tinha pensado nisso mas a ideia pareceu-me boa. Se quiser, por exemplo, ir de carro para algum sítio para depois ir andar de bicicleta, posso levá-la facilmente, ou mesmo nas férias. Lá me lancei então na aventura de perceber o que é e como funcionam estas bicicletas. E descobri que existe um mundo perfeito, infelizmente caríssimo, que é o das Brompton. Portanto, infelizmente, este não é um post sobre a minha nova Brompton mas sobre a sua substituta que, para já, me serviu maravilhosamente bem.

 

Chama-se Raleigh, a minha nova companheira de viagens. E, para além de linda, é super confortável. Hoje, por exemplo, fomos da expo a Belém e entendemo-nos muito bem os dois ao longo dos 32 Kms de viagem.

 

Aqui está ela, em Belém:

Com direito a pormenores daqueles que deliciam os donos:

E antes de a colocar no carro, há que dobrá-la:

E, pronto, coube perfeitamente no carro para vir da loja para casa:

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