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Só para dizer que gostei muito da entrevista do Carlos Fuentes neste livro:

As respostas são longas, o que devia ser normal. Mas não são páginas e páginas, são apenas um pouco mais longas do que habitualmente se vê em entrevistas. E talvez seja isso que as torna mais completas, mas incrivelmente "enxutas". Há cá por casa um livro dele, não sei bem onde, mas tenho que descobrir...

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Madame Bovary

A cidade de Cartago ficou para a história como o palco de um dos mais arrepiantes episódios de violência do Império Romano sobre outros povos. Roma e Cartago tornaram-se cidades rivais e gerou-se um ódio que só aumentou com as várias guerras que ocorreram. Não se pense, no entanto, que este é um livro sobre os conflitos entre as duas cidades. Salammbô é um romance hitórico situado no III século a.c. que, após a primeira das grandes guerras púnicas entre Roma e Cartago, nos mostra o que aconteceu do lado cartaginês. Para combater Roma, Cartago recrutou soldados por todo o lado, tendo assim uma força de homens de diferentes "nacionalidades" (os lusitanos também lá estão). No final da guerra, Cartago não conseguiu cumprir as suas promessas de pagamento a esses soldados e, por isso, eles revoltam-se e começam a atacar a cidade. É neste contexto que um dos líderes dos revoltosos conhece Salammbô, a filha de Amílcar, e se apaixona por ela. Resumindo, é isto. Mas tratando-se de um romance de Flaubert, claro que é muito mais do que isto.

Antes de mais, é uma reconstituição histórica prodigiosa. Flaubert entra em detalhes impossíveis de se conhecer com tanta distância, mas sendo sempre convincente. As descrições longas e pormenorizadas são, muitas vezes, um suplício, confesso. As atrocidades descritas, desaconselham a quem estiver menos preparado para os horrores que se esperam num contexto de guerra e cerco a uma cidade. A história de Salammbô, a mulher propriamente dita, acaba por se perder no meio do contexto, o que não deixa de fazer sentido, uma vez que ele é muito mais importante do que uma protagonista.

Em jeito de balanço, foi preciso fazer um certo sacríficio para ler este livro. E se alguém quiser experimentar Flaubert, jamais o aconselharia - especialmente porque existe esse espantoso Madame Bovary. Mas é um grande livro, no sentido em que todos o deviam ser, ou seja, trata-se de grande literatura. Difícil, mas grande.

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Há quase sete meses que comecei a correr. Ainda hoje não acho estranho, nada podia estar mais longe das minhas intenções. Os únicos desportos de que gosto são andar de bicicleta (como passeio ou, às vezes, como transporte para o trabalho) e nadar. Mesmo assim, nunca os pratiquei com a regularidade que devia.

Isto de correr começou de forma bem discreta, deve ser por isso que chegou a este resultado. Precisei de começar a fazer umas caminhadas porque o meu cão estava um bocado gordo. Não é que ele concorde mas, em todo o caso, mesmo com os seus 13 anos, não deixou de achar uma certa piada, e pareceu-me que gostou. No princípio, confesso que me chateei um bocado com a ideia de “tempo perdido”. Lá ia com ipod para ouvir música (o cão é surdo, não dá para conversarmos muito…). Até que descobri as maravilhas do itunes, ou seja, o itunes U. A coisa consiste na gravação de aulas que depois são disponibilizadas para download gratuito. É tão fantástico que custa a acreditar, mas vejam no google ou na apple e vão perceber. Desde o Verão passado, já fiz um curso de história da Europa medieval e dois sobre a história da Grécia Antiga (agora estou num sobre Roma). Para quem não quiser cursos completos há também a hipótese dos podcasts. Há para todos os gostos e sobre todos os temas. Claro que a grande maioria de tudo isto é em inglês mas já há alguns conteúdos em português (lembro-me, assim de repente, de umas coisas da Universidade de Coimbra). Mas isso também é bom, serve de treino.

Ora, isto fez com que deixasse de ver os meus passeios com o cão como tempo perdido. Passou a ser um momento do dia em que ia “prás aulas”. E, posto isto, ao ver, durante esses passeios, tanta gente a correr, comecei a pensar que podia fazer o mesmo. Ou seja, aproveitaria ainda melhor o meu tempo - fazer algum exercício e “assistir” às minhas aulas.

Entretanto, o tempo começou a deixar de estar tão bom e o cão passou à versão xixi-casa, sem querer nada com os passeios (mas consegui que ele perdesse uns bons quilos). Por isso, lá tenho ido correr. Muito pouco ao princípio, agora um bocadito mais (corro cerca de 1 hora/10 Km). Durante os primeiros tempos a única coisa que levei no ipod foi música. Ela é importantíssima como forma de me motivar, de me fazer correr mais. Agora, que já gosto muito, mesmo muito, de correr, já posso fazer coisas mais “chatas”. Por isso, já divido a corrida ao meio. Dedico a primeira parte a cursos ou audiolivros (estou a ouvir um sobre Sócrates, da coleção Very Short Introductions, da Universidade de Oxford - muito interessante, mas este não é grátis). A segunda parte, mais exigente em termos físicos, é acompanhada por música. E às vezes passo um bocado para outro mundo.

 

De repente, já percebi que as pessoas não correm só para emagrecer, não correm só para se manterem saudáveis, não correm só porque querem ter umas pernas com bom aspeto. As pessoas também correm porque correr é bom, e isso eu não sabia, nem nunca tinha imaginado. É preciso algum esforço, claro, especialmente no início, mas depois passa a ser um prazer. No meu caso, graças ao facto de poder “ler a correr”, esta atividade conjuga-se na perfeição com aquilo que gosto. E os meus “icoisos” (forma de dizer iphone, ipod, ipad, etc) tiveram um papel determinante. Finalmente, o espaço onde corro. Podem ver na foto. Acredito que tambám faz a diferença.

 

Talvez volte ao tema de vez em quando. Entretanto, este texto serve também para inaugurar a nova secção de links, dedicada a blogs sobre corrida. Experimentem o “Corre como uma menina” que, para além de ser bom para iniciantes, é bastante divertido de ler.

 

E tenho que ter mais atenção a atualizar e enriquecer os links. Há por aí muitos e bons blogs que leio mas não partilho… Enfim, consequências de utilizar o Google Reader (que, já agora, é a melhor forma de ler e gerir blogs).

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Ally McBeal

22.01.13

Era uma coisa que me tinha ficado atravessada. Por isso, ando há cerca de 1 ano a ver Ally McBeal. Vi vários episódios há muito anos. Gostei muito mas senti-me sempre perdido. É um facto que odeio apanhar coisas a meio. Hoje em dia, se já começou há 3 minutos, nem penso sequer em ver. Mas, nessa altura, vi. Ficou-me a sensação de que um dia, quando pudesse ver tudo de princípio até ao fim, ia gostar muito mais.

 

As primeiras duas séries são muitíssimo melhores do que eu me lembrava. Muito divertida mas muito séria, cheia de grandes momentos. A partir da 3ª série, já se começa a estranhar. É notória a forma como o nível baixa.

A 4ª já só se vê porque se gosta das personagens e se quer saber o que vem a seguir. Parece outra série (mas, se calhar, até é melhor que a 3ª, pelo menos não se vê a decair, apenas se vê que está diferente), mais de episódios individuais - não devem ter sido estes que eu vi no passado.

A 5ª pareceu-me um degrau acima, mas ainda assim abaixo do bom e só até meio. Volta a ser bastante divertida mas com um humor muito mais empenhado no fácil do que no inteligente. Os últimos 10 episódios (mais ou menos isso) são arrepiantes de tão pouco convincentes que são. As saídas para avançar no enredo são tão fracas que é ridículo, absolutamente ridículo.

Mas uma coisa é certa: há ali personagens inesquecíveis, pena que o argumento não as respeite como elas mereceriam.

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Pronto, confesso, não gosto nada de ler sobre sociologia… Aborrece-me, pronto. Já a antropologia (e hoje em dia é difícil sustentar que elas não sejam já mais ou menos a mesma coisa) é fascinante. Mas o discurso sociológico mais “puro e duro” nunca é uma leitura agradável. O que não quer dizer que não tenha que me obrigar, de vez em quando, a voltar ao tema.

Este livro tem uma premissa bastante interessante. Em vez de pretender ser um manual ao estilo “clássico”, pretende apresentar-nos as temáticas estudadas pelas ciências sociais de um ponto de vista prático. Isto quer dizer que o autor pega numa situação real, depois acrescenta-lhe um estudo relevante feito  nessa área (nomeadamente, os autores mais importantes da história das ciências sociais), acrescenta uns comentários, faz umas sínteses, arranja uns estudos complementares, e voilá, temos uma introdução feita.

A ideia é boa. Nos dois ou três capítulos iniciais até funciona exemplarmente. Depois, perde um pouco da força, mas continua a ter esse mérito de tentar ser realmente aplicada à vida real. Conclusão, diria que é uma boa introdução mas um livro bem chato de ler (para mim). A exceção talvez seja no capítulo em que o grande destaque é Max Weber. Acho que está particularmente bem explicado o essencial do pensamento de um dos autores mais influentes da sociologia.

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Vivo

20.01.13

Isto anda difícil... e grande (mas bom)!

Mas tenho uns posts para sair em breve...

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É bom, é tão bom voltar a ouvir David Bowie. E a ver Berlim...

 

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Este post é uma espécie de continuação do que escrevi sobre o livro Memórias de Adriano, de Marguerite Yourcenar. Ou melhor, foi escrito por causa dele. Apeteceu-me rever as fotos e recordações de uma viagem que fiz a Itália em 2010, na qual Adriano esteve sempre bem presente.

Aqui ficam as minhas Memórias de Adriano. E aqui fica o link para o post que originou este:

http://pedrices.blogs.sapo.pt/67093.html 

Começo pela Vila Adriana, em Tivoli, não muito longe de Roma, o local de refúgio do imperador. Aqui pode ver-se uma maquete:

A foto abaixo mostra um dos locais mais especiais e curiosos da Vila.No livro de Yourcenar, é descrito assim:

(...) tinha mandado construir para mim, no coração deste retiro, um asilo mais retirado ainda, uma ilhota de mármore no centro de um tanque rodeado de colunatas, um quarto secreto que uma ponte rotativa, tão leve que posso fazê-la girar nas suas ranhuras com uma só mão, liga à margem, ou antes, separa dela. 

E esta espécie de alameda simulava uma nascente do Nilo. Estar aqui e imaginar o que foi, é esmagador.


Este é Adriano, no Museu do Vaticano:

E Antinoo, no mesmo local:

E aqui no Museu Arqueológico de Nápoles:  

Dois edifícios emblemáticos de Roma foram projetados por Adriano. Não, não se limitou a mandar fazer, Adriano projetou realmente edifícios. Um deles é o Panteão de Roma, um dos mais antigos e bem conservados monumentos da Roma atual. Só tenho estas duas foto da fantástica cúpula vista de dentro e de um pouco do interior:

 

Mas aconselho uma pesquisa no Google imagens para uma melhor noção de como se desenvolve a cúpula e de como é extrordinário este “buraco” a céu aberto (sim, chove lá dentro!).

 

E o Mausoléu de Adriano, mais connhecido por Castelo Sant’Angelo, que é museu nacional e que já conserva pouco da memória do imperador.

 

 Voltando a Antinoo, deixo um poema:

 Antinoo

Sob o peso nocturno dos cabelos
Ou sob a lua divina do teu ombro
Procurei a ordem intacta do mundo
A palavra não ouvida

Longamente sob o fogo ou sob o vidro
Procurei no teu rosto
A revelação dos deuses que não sei

Porém passaste através de mim
Como passamos através da sombra

Sophia de Mello Breyner Andresen

Que, claro, deve ser lido a olhar para uma estátua de Antinoo. Mas o melhor é que Sophia escreveu um poema sobre uma estátua específica, o Antinoo que vi em Delfos na minha recente viagem à Grécia. Ficam aqui, estátua e poema:


ANTINOOS DE DELPHOS

Tua face taurina tua testa baixa
Teus cabelos em anel que sacudias como crina
Teu torso inchado de ar como uma vela
Teu queixo redondo tua boca pesada
Tua pesada beleza
Teu meio-dia nocturno
Tua herança, dos deuses que no Nilo afogaste
Tua unidade inteira com teu corpo
Num silêncio de sol obstinado
Agora são de pedra no museu de Delphos
Onde montanhas te rodeiam como incenso
Entre o austero Auriga e a arquitrave quebrada

Delphos, Maio de 1970
Sophia de Mello Breyner Andresen

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