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Balanço de 2012

31.12.12

Felizmente, o ano que agora termina foi fértil em grandes leituras e, por isso, posso destacar vários livros. A ida à Grécia condicionou, a partir de certa altura, as minhas leituras mas, dos 70 livros que li, ficam estes como destaque:

 

- O grande clássico de Orwell, 1984. A ler com urgência na era do facebook. Ou como aquilo que parecia tão assustador, se calhar, hoje muitos até gostam.

 

- Céline e a sua  grande Viagem ao Fim da Noite. Não sei se alguma vez voltarei a ler Céline. A experiência não é nada agradável. Mas é assim a grande literatura, é como a vida e, portanto, tem coisas más, ou muito más.

 

- Middlesex de Jeffrey Eugenides. Adorei este livro. É rico, é divertido, é empolgante. E, ainda por cima, fala dos gregos e da sua “odisseia” pela América.

 

- As Partículas Elementares, de Michel Houelebecq. O destaque é quase inevitável por causa do radicalismo do autor. É bom que ainda haja gente assim. Mas que perturba, lá isso perturba.

 

- O Teu Rosto Será o Último, João Ricardo Pedro. Um dos poucos autores portugueses do ano (não me interessa de onde vêm os livros, interessa-me é o que eles são), mas uma prova de que se fazem boas coisas por cá.

 

- Roma - Ascensão e Queda de um Império, Simon Baker. Esta é a grande introdução à história de Roma. Agora que já passaram vários meses, percebo melhor o impacto deste livro. Não por aquilo que ele é mas pelo que provocou. É um daqueles livros que nos ensinam a querer saber mais. E, realmente, foram vários os que li por causa deste.

 

- Civilização Grega, André Bonnard, um livro deslumbrante, com tradução de Saramago e com tudo o que a Grécia nos trouxe. Mesmo as coisas más.

 

- Eu, Cláudio, de Robert Graves: este livro fixa muito daquilo que um romance histórico deve ser.

 

- Blankets: a minha estreia nas novelas gráficas. Blankets é uma maraviha, um livro lindíssimo e para o qual olho com um sorriso nostálgico cada vez que o vejo.

 

- Ilíada, Homero. Como não destacar?

 

- Pós-Guerra, de Tony Judt - Este é fácil de classificar. Assim: um dos livros mais importantes que li na vida.

 

- Memórias de Adriano, de Marguerite Yourcenar. Às vezes, quando um livro acaba, apetece chorar. E depois apetece sorrir porque sabemos que ali teremos um porto seguro. Foi uma releitura, foi só a primeira.

 

- Biografia do Filme, de Marc Cousins: uma belíssima história do cinema. Contada de forma inteligente e com o foco naquilo que interessa.

 

E agora pegando no post que escrevi com os meus planos para 2012.

Cumpri:

- Prestei a minha homenagem anual a Saramago, relendo A Caverna

- Li o Middlesex do Eugenides, e em muito boa hora o fiz

- Voltei a ler Murakami

 

Falhei:

- Não li Coetzee. O que não é só imperdoável, é estúpido!

- Não li Pamuk, idem

- Ainda não passei do 3º volume do Proust. E não adiantei grande coisa num ano inteiro.

- Não experimentei nenhum dos americanos: Franzen, Pynchon, DeLillo ou Oates

 

Portanto, a lista de falhas tem conversão direta para lista de planos para 2013. Mas há muito mais. Deles falarei à medida que for lendo.

 

Bom Ano de 2013!

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Pronto, depois do último post, ficou difícil continuar a olhar para este livro sem lhe pegar. Primeiro, foi apenas a lombada e a contracapa. Depois, as primeiras linhas, as primeiras páginas. E lá tive que ir até ao fim. Li-o, pela primeira vez, talvez há uns 10 anos. Na altura, ficou-me como um grande livro que eu ainda não sabia apreciar devidamente. Era inevitável o reencontro. Há anos que andava para o reler.

 

Nesta edição, o livro é seguido dos apontamentos da autora sobre o processo de escrita da obra. São pequenas notas soltas, às vezes uma linha apenas, mas que revelam o cuidado de Yourcenar. O livro demorou décadas a ser terminado. Muito material ficou pelo caminho. E, de facto, a principal dificuldade tem a ver com a falta de material sobre Adriano. É preciso intuir muito para conseguir retratá-lo. E Yourcenar foi sabendo deixar que o tempo cimentasse as ideias. Há também uma secção dedicada a uma apresentação das fontes utilizadas e alguns esclarecimentos sobre o que são os dados históricos (mais ou menos diponíveis e mais ou menos rigorosos) e o que foi acrescentado pela imaginação da autora.

 

As notas engrandecem o livro, mas falemos dele.

 

A forma utilizada para evocar Adriano é a carta, com narração na primeira pessoa. Imaginem Adriano no fim da vida, escrevendo uma longa carta a Marco Aurélio (que viria a ser imperador, sucedendo ao sucessor de Adriano. Em vez de apenas um, Adriano nomeou dois sucessores…). Este é o pretexto para Adriano falar de si, do seu império, das decisões, apresentar a sua biografia, falar de Antinoo, o seu grande amor (Antinoo é tão paradoxalmente importante na vida de Adriano, apesar de terem estado juntos por poucos anos, que a capa desta edição, e de outras, em vez de apresentar o imperador, apresenta o seu amante), as suas obras, o amor pelas artes e cultura em geral, o fascínio pela Grécia, as dificuldades da governação, os problemas de saúde, etc.

O tom é confessional e próximo. Como se Adriano nos falasse ao ouvido, vindo desse longínquo ano de 138, altura em que morreu. No entanto, é perfeitamente verosímil e toda história é, no mínimo, encantadora. Adriano, é uma composição absolutamente notável. O rigor da reconstituição é o mesmo de outro livro de que aqui falei, A Obra ao Negro. Mas este Memórias de Adriano, longe de ser um livro de leitura difícil, embora necessite de uma atenção especial, é também um livro de uma beleza estética mais próxima de nós. E isso é, no mínimo, curioso, visto que Adriano é muito mais antigo do que Zenão, protagonista de A Obra o Negro (Europa medieval). Talvez seja pela sensibilidade grega, efetivamente muito mais atual do que a obscuridade em que Zenão se move (e da qual se tenta libertar).

 

Vejam-se alguns momentos:

 

O verdadeiro lugar do do nascimento é aquele em que, pela primeira vez, se lança um olhar inteligente sobre si mesmo; as minhas primeiras pátrias foram os livros.

 

A palavra escrita ensinou-e a escutar a voz humana, assim como as grandes atitudes imóveis das estátuas me ensinaram a apreciar os gestos (...) posteriormente, a vida fez-me compreender os livros.

 

Um homem que lê, ou que pensa, ou que calcula, pertence à espécie e não ao sexo; nos seus melhores momentos escapa mesmo ao humano.

  

Mas o que me interessa aqui é o mistério específico do sono, saboreado por si mesmo, o inevitável mergulho a que se aventura todas as noites o homem nu, sozinho e desarmado, num oceano onde tudo muda, as cores, as densidades, o próprio ritmo da respiração, e onde encontramos os mortos. O que nos tranquiliza no sono é que se sai dele, e que se sai sem qualquer mudança, pois que uma extravagante interdição nos impede de trazer nonnosco o resíduo exacto dos nossos sonhos.

  

(...) tudo o que cada um de nós pode tentar para prejudicar o seus semelhantes ou para os servir foi, pelo menos uma vez, feito por um grego.

 

Foi em Latim que eu administrei o império (...) mas é em grego que eu terei pensado e vivido.

 

Uma curiosidade: em Tivoli, perto de Roma, fica a chamada Vila Adriana, o local onde o imperador se refugiava e que ele mandou construir. Hoje, nestas ruínas, conseguimos perceber a visão de Adriano e a forma como o que ele conheceu (viajou muito por todo o império) moldou esta Vila (há reconstituições incríveis de outros locais). Mas antes de lá entrar, há um largo que se chama Marguerite Yourcenar, uma bela homenagem à autora, bem na entrada da Vila. Podem ver aqui em baixo as fotos de quando lá estive há uns 2 anos. Que pena não ter levado este livro comigo…

Rever as minhas fotos dessa viagem provocou-me a vontade de escrever um outro post dedicado a isso. Ou seja, o próximo é sobre Adriano mas nas minhas memórias, e não nas de Yourcenar.

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Este texto revela alguns aspetos da história. Embora sejam dados históricos, caso se queira ler o livro sem informação prévia, não aconselho a leitura. Podem saltar, com segurança, para os dois últimos parágrafos.

 

Não consigo deixar de sentir que, de certa forma, estou em dívida para com o Steven Saylor. Não escrevi nada sobre o livro Roma que li há uns anos, nas vésperas de uma viagem a Itália. Não o fiz precisamente porque fui de férias logo a seguir e depois passou o tempo.

Mas o que li agora foi a continuação desse livro. Ou seja, Roma conta a história da cidade ao longo de várias gerações, desde antes da fundação até à morte de Júlio César (cerca de mil anos). Império continua a história, desta vez centrando-se na história dos imperadores (de Augusto até Adriano, cerca de 130 anos).

Para conseguir contar esta história com um fio condutor, Saylor “criou” uma família que é quem vamos acompanhando ao longo das gerações que se vão sucedendo. E é na interação dos protagonistas desta família com os acontecimentos históricos, que vamos avançando na narrativa.

Império é um livro empolgante. Só podia. Os ingredientes são os melhores: o imperador Cláudio, meio idiota, que é enganado pelas suas esposas e envenedado pela última; Calígula, o louco que se declara deus e comete atos tão humilhantes e degradantes que é difícil ler; Nero, outro imperador maldito mas a quem Saylor dá um tratamento dúbio que é interessante mas, suponho eu, bem capaz de gerar polémica; Domiciano, talvez ainda mais terrível e nojento que Nero e Calígula… Bom, e isto são as figuras. Os acontecimentos são ainda piores, as descrições de torturas, da aplicação de tratamentos degradantes, nomeadamente na inauguração do Coliseu, obrigaram a que me encolhesse váris vezes e tivesse que parar um bocado. Mas nunca senti que Saylor escrevesse isto de forma gratuita. É que o império romano também era isto. Já visitei o Coliseu uma vez e, quando voltei a Roma, não quis lá ir novamente. Porque era precisamente o local onde havia espetáculos abjetos que, felizmente, não fazem já sentido por estes lados. Mas existiram. E conhecer a história de Roma é também conhecer isto. Se Saylor dá demasiado destaque a isso? Talvez. Mas não creio que o livro perca mérito por causa disso.

Para quem sabe muito sobre a história de Roma, talvez sejam romances inevitavelmente incompletos. Será impossível não contestar algumas das soluções encontradas pelo autor (a amizade entre Trajano e Adriano é demasiado efeminada e parece pouco convincente), e especialmente concordar com todas as suas escolhas e omissões. Mas o trabalho é de fôlego e merece alguma tolerância. Para quem sabe pouco, pelo contrário, talvez o livro apresente informação a mais. Também este resultado é inevitável.

Feita as (minhas) contas, adorei ler este Império. E espero que ainda haja um terceiro volume porque poucas histórias são tão fascinantes como a de Roma.

Uma última palavra para o lado “literário”. Não é de forma alguma um grande livro - é um livro eficaz, escrito de forma escorreita e simples . Quem quiser ler grande literatura a propósito do tema, tem nas Memórias de Adriano, de Yourcenar, o melhor exemplo do que é o romance histórico enquanto obra de arte. Vou ter que o reler, absolutamente.

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Este post tem estado a marinar, na esperança de que eu consiga escrever mais e melhor sobre este livro. Mas já percebi que não vai haver tempo para mais. Por isso, aqui fica.

 

Estou esmagado. Li este livro como se estivesse a aprender tudo outra vez. Ou  melhor, li este livro como se não soubesse nada. Apesar de sempre ter achado que o século XX era o período da história que eu melhor conhecia. Apesar de sempre me ter entusiasmado com o estudo da Guerra Fria, nunca tinha chegado a uma obra tão notável na forma como consegue falar de tudo isto e muito mais, trazendo uma capacidade de interpretação e de relacionamento entre os factos notáveis.

 

Não podia, aliás, ter escolhido melhor livro para continuar a ler a história do século XX depois de, no ano passado, ter lido o Europe at War de Norman Davies. Diria que este Pós-Guerra é a continuação perfeita.

 

E, já que estou a falar dele, deixo a opinião do Norman Davies sobre o livro do Tony Judt:

http://www.guardian.co.uk/books/2005/dec/03/featuresreviews.guardianreview4

 

É evidente que um livro desta dimensão (temática, porque pretende contar a história de 1945 até aos anos 2000; e física, nas suas 930 páginas) tem os seus desiquilíbrios, tem pontos fortes e fracos. Tem momentos polémicos e discutíveis. Mas o que ressalta é, na minha opinião, o seguinte:

- Tony Judt faz uma análise em que se mostra profundamente lúcido e razoável. Mesmo não se contendo num ou noutro momento, a nota dominante é a do historiador sério e rigoroso a impôr-se ao homem, eventualmente impulsivo e certamente opinativo

- A estrutura que Tony Judt encontra para contar a história pode ser lida quase como um romance. A vantagem? Não é só facilitar a leitura, trata-se de perceber melhor. Em vez de títulos e sub-títulos (que eu normalmente prefiro e acho que faz falta para as coisas estarem bem organizadas), o autor opta por fazer capítulos bem grandes mas em que vai como que contando a história. E, de vez em quando, até sabe criar alguma emoção. No fim de cada capítulo apetece começar logo a ler o outro.

- Sem conseguir ser exaustivo - o que seria obviamente impossível, Tony Judt não conta apenas a história dos países “importantes”. Não, esta é mesmo uma história da Europa. De Portugal a… (a fronteira oriental é sempre mais difícil). Assim, desde algumas idiossincrasias de Salazar, passando pelas manias de Ceasescu, temos um exame da evolução de todos os países do continente.

- temas difíceis de sintetizar/explicar/acompanhar são tratados de uma forma invulgarmente esclarecedora. O capítulo sobre as guerras na Jugoslávia, os problemas da Bélgica, entre outros são sintetizados de forma admirável

- é impressionante a aplicabilidade do texto aos dias de hoje. Não só porque há momentos em que parece que se está a falar da Europa de 2012, mas também porque aquilo que é explicado do passado ajuda, e muito, a perceber os dias em que vivemos

- Tony Judt deixa ao leitor espaço para pensar. Apresenta perspetivas sem impor a sua de forma radical (é convincente, mas não de uma forma impositiva).

 

Alguns momentos:

 

 (...) desde 1945 que a relação [do cidadão com o Estado na Europa Ocidental] se caracterizava cada vez mais por um vasto conjunto de benefícios sociais e estratégias económicas nas quais era o Estado que servia os seus súbditos em vez do contrário.

Em anos posteriores, as muito abrangentes ambições dos Estados-providência da Europa Ocidental iriam perder algum do seu atrativo - especialmente poque já não podiam cumprir as suas promessas: o desemprego, a inflação, populações envelhecidas e o abrandamento económico colocavam pressões insuperáveis sobre os esforços dos Estados para cumprirem o seu compromisso.

pp. 418-19

 

Qualquer análise global da era do Estado-providência na Europa Ocidental será inevitavelmente ensombrada pelo nosso conhecimento dos problemas que iria enfrentar em décadas posteriores. Assim, hoje é fácil ver que inciativas como a Lei da Reforma da Segurança Social da Alemanha Ocidental de 1957, que garantia aos trabalhadores uma pensão em função do seu salário na altura da reforma e associada a um índice de custo de vida, se iria revelar um peso orçamental intolerável em circunstâncias demográficas e económicas alteradas. E em retrospetiva, é claro que o nivelamento radical de salários na Suécia socisa-democrata reduziu as poupanças privadas inibindo assim futuros investimentos. Mesmo nessa altura era óbvio que as transferências governamentias e a taxa social única beneficiavam os que sabiam tirar deles total vantagem: nomeadamente a calasse média intruída que iria lutar para manter aquilo que equivalia a um novo conjunto de privilégios.

p. 431

 

A geração dos anos 30 estava satisfeita por ter segurança económica e voltar as costas à mobilização política e aos seus riscos consequentes; os seus filho, a muito maior geração dos anos 60, só tinham conhecido a paz, a estabilidade política e o Estado-providência. Tomavam estas coisas como garantidas.

p. 432

 

(...) as previsíveis consequência do "Estado-ama", mesmo do "Estado-ama" pós-ideológico, era que para todos os que tinham crescido e não conheciam outra realidade, era obrigação do Estado cumprir as suas promessas de uma sociedade cada vez melhor - e, assim, a culpa era do Estado quando as coisas não resultaram.

p. 445

 

"A liberdade é também a liberdade dos que pensam de maneira diferente"

Rosa Luxemburgo

p. 691

 

E uma espécie de conclusão, minha:

A história está cheia de lições. Lições que nos mostram que a obstinação com um caminho só pode ser ruinosa. Mas que continuar a ignorar problemas óbvios e graves leva ao mesmo resultado.

 

 

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Veio-me parar às mãos, um pouco por acaso, este O Sonho do Celta. Não contava lê-lo para já mas, um belo dia, resolvi pegar-lhe só para ler as primeiras frases. Bom, li logo o primeiro capítulo, que é curto, e continuei a leitura nos dias seguintes.

Antes de mais, este é um romance-biografia um bocado à moda antiga. Não sei muito bem o que é que isto quer dizer mas corresponde à sensação que tive. Llosa é rigoroso e  atento, mas também visual e enpolgante. Roger Casement, o biografado, foi um herói nacionalista irlandês (ou não, porque nisto dos independentismos fico sempre de pé atrás, e nada me garante que uma Irlanda independente seja melhor que uma Irlanda que integrava o Reino Unido). Mas, mais interessante que isso, foi um dos primeiros defensores dos direitos humanos, tendo ido para o Congo e para a Amazónia, onde reportou as atrocidades que lá se cometiam (dos colonizadores sobre os povos indígenas).

Há, por isso, momentos profundamente chocantes neste livro. Casement passou por cenários de atrocidades terríveis, e Llosa conta-as. O que fica, da história de Casement, não é tão interessante como este percurso que fazemos com ele por África e pela América Latina. E acreditem que não é coisa que habitualmente me seduza. Mas há qualquer coisa em Llosa, um certo estilo, uma perícia na arte de contar, e um interesse intelectual, que tornaram este livro numa leitura supreendentemente enriquecedora.

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Sobre os livros que deviam ser lidos na escola.

 

Deve ser a primeira vez que vejo o Frankenstein citado numa lista destas. Ainda bem. É que, por mim, ele estaria no topo da lista. Se da lista tivesse que escolher apenas um, seria esse. Se só pudesse salvar um livro, seria esse.

 

http://www.guardian.co.uk/teacher-network/teacher-blog/2012/dec/11/10-great-works-literature-for-teachers-classroom

 

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Obrigado!

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O que é que se pode esperar de uma história do cinema? Por um lado, uma lista de filmes, provavelmente enorme. Por outro, um desfilar de termos técnicos, de explicações de como filmar, ângulos de câmara, técnicas de montagem, etc. Talvez nada de muito interessante, portanto. Mas, ao mesmo tempo, senti durante anos a vontade de saber mais, de estudar um pouco da hitória do cinema. Apesar de me interessar muito mais a literatura do que o cinema, acredito que este último é, muitas vezes, uma forma de arte. E até chega a ser daquelas em que é mais fácil ser bom e ser popular. Obviamente, não estou a falar do cinema do Star Wars (que adoro!), nem do Indiana Jones (que até gosto mas que não precisava de ser tão descaradamente irrealista, no sentido de cenas forçadas para serem espetaculares mas absurdas). Também não me refiro ao cinema tão intelectual que pouco se consegue sentir de emoção, ou de empatia com os personagens (alguns dos filmes de Malick são um bocado assim). Refiro-me a cinema de todo o tipo mas que fica algures no meio destes extremos. Filmes simples como os Before Sunrise e Before Sunset, escritos pelos atores, cheios de vontade de serem especiais por serem concretos e cheios dos sonhos e da vida de pessoas comuns (se bem que não se encontra por aí muita gente como aqueles dois), e filmes como Morte em Veneza de Visconti, que são estética e emoção à flor da pele, mas que exigem uma concentração até superior à do livro de Thomas Mann.

Posto isto, tive a sorte de me terem aconselhado esta Biografia do Filme de Marc Cousins. Deixo que seja ele a apresentar o livro:

Disse no início deste livro que ele era a história da inovação, porque a inovação é o que estimula o cinema. Também referi que escrevera este livro para um público inteligente. Espero que nele tenham descoberto filmes que gostavem mesmo de ver e partes da história do cinema a explorar mais profundamente, porque não há dúvia que um público inteligente estimula o cinema inovador.

Na minha introdução prometi fazer três ajustamentos às já existentes histórias do cinema convencional.O primeiro era que esta seria a história do cinema mundial e não apenas do cinema ocidental. O segundofoi que iria descrever – num meio termo entre os filmes excessivamente emocionais de Hollywood e Bollywood e os filmes minimalistas de Bresson e outros – de obras singulares, equilibradas e clássicas como as de Ozu. [Terceiro], argumentar que, desde os anos 90, os filmes de realizadores como Kiarostami, Lhurmann, Sokurov, Gonzálzs Iñarritu, Von Trier e David Lynch mostraram que o mundo global do cinema estava mais saudável do que alguma vez estivera nos história do cinema.

Creio que este excerto da conclusão é elucidativo. Este não é um livro de saudosismo, embora elogie enormemente  o cinema mais antigo. É um filme de reconhecimento da evolução de uma arte cuja vitalidade não parou ainda de surpreender.

O único aspeto negativo é o facto de Cousins revelar completamente as histórias. Às vezes é evidente que não era preciso contar tudo para apresentar um filme. Nada que não se resolva saltanto umas linhas. Mas que é estranho vindo de alguém que mostra um grande interesse pelas histórias ou pelos momentos marcantes dos atores.

E não resisto a deixar mais um parágrafo, a propósito do extraordinário A Arca Russa de Sokurov:

Este plano único de Sokurov, conseguido logo no segundo take, teve lugar a 23 de Dezembro de 2001 e mostra que, longe de estar a acabar, a história desta fantástica forma de arte está ainda no início.

Escusado será dizer que fiquei com uma lista terrível de filmes para ver. Muitos deles, vão dar luta para serem encontrados.

 

 

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Medo, muito medo, era o que eu tinha. Mas o Ang Lee sempre me deu razões para acreditar nele. E, por isso, lá fui ver a adaptação de um livro  que adorei há uns meses. Bom, o livro tem um ponto fraco, o seu final. O filme, não. É uma adaptação muito, muito bem feita. Não estava nada a ver como é que se podia transformar isto num filme. Mas, afinal, é um filme tão bom como o livro.

 

Não sei como será para quem não leu o livro... Talvez seja um bocado esquisito. Se alguém vir, diga coisas.

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