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Vários

20.10.11

Pronto, lá abandonei eu o meu pobre blog. Não é que não tenha lido nos últimos tempos. O tempo para escrever é que tem andado mais escasso. Pior, eu até vou escrevendo umas coisas, mas depois não chego a publicar.

 

Enfim, lamentos à parte, aqui fica um post que é uma manta de retalhos. São pequenas coisas que fui despejando para um documento word sobre várias coisas.

 

As Vinhas da Ira, de John Steinbeck

Já há muitos anos que não lia um livro de Steinbeck, e também já há muito que o queria voltar a fazer. Em boa hora peguei nestas Vinhas da Ira, um monumental romance sobre a procura de oportunidades num contexto de grandes dificuldades.

O final deste livro é absolutamente brutal e inesquecível. Claro que não vou contar. E não vale a pena espreitar, o efeito nunca será o mesmo, se é que se percebe.

 

Lost, a série

Pronto, vá, admito. Se calhar não tenho tempo para o blog porque passoa a vida a ver séries, né? Pois, sim, pode ser… Culpado.

Isto das séries tem que se lhe diga. Eu até não sou dos mais viciados, o meu problema é outro: não consigo ver um episódio esporádico. Se gostar, tenho que ver tudo. O que, no caso que se segue, não é nada bom… O texto, a partir do próximo parágrafo, foi escrito em momentos diferentes:

- quem nunca viu não deve ler o texto que se segue -

 Sinceramente, apesar de já ter visto quase todos os episódios (faltam apenas dois para chegar ao fim), ainda não sei se me posso considerar um fã da série LOST.

A primeira impressão não foi brilhante. Fiquei até desapontado porque tive que fazer algum esforço para ver os primeiros três ou quatro episódios. É certo que, logo ali, começam a acontecer coisas misteriosas que provocam alguma curiosidade. Por isso, lá fui prosseguindo. A certa altura, estava relativamente “agarrado”. Mas aquilo que me movia era uma curiosidade de “já agora”, bem diferente daquilo que me aconteceu com outras séries, nas quais o interesse era o grande motivo, e a curiosidade funcionava como desulpa para “vou ver só mais um”. Talvez convenha dizer que sou fão de séries como Sete Palmos de Terra (para mim, a melhor de sempre), Desperate Housewives (isso sim, um vício), ou Dexter.

Gostei muito da segunda série. Aí sim, acho que me tornei um fã. Havia a curiosidade mas havia também o interesse. Note-se que, nessa altura, ainda me parecia possível que houvesse uma explicação racional para tudo aquilo. E descobri-la era um interessante desafio.

A partir da terceira, começa a ser difícil aceitar que o desfecho não vá ter que meter o sobrenatural ao barulho. E isso traz-me um travo amargo. Nada contra o sobrenatural, mas quando ele é assumido sem reservas. O Lost parece ser sempre verosímil ou, pelo menos, há sempre essa expetativa. De qualquer forma, o final da terceira série é, para mim, absolutamente avassalador. O último episódio é o mais fascinante de todos, sendo um daqueles momentos que justificam o visionamento de todos os outros. Quando se pensa que se está a ver uma projeção do futuro e a série acaba deixando a dúvida, há ali um momento intensíssimo. Só que daí parte-se para as 4ª e 5ª séries…

Viagens no tempo, gente que não envelhece, ressureições, física e mística, religião e paganismo, tudo se começa a misturar num bolo que perde consistência. Enfim, vê-se, claro que sim, como entretenimento, e do bom, mas se fosse assim do início era muito mais honesto. Desta forma, parece que não se conseguiu dar vazão ao que se foi criando e, portanto, vem o sobrenatural explicar porque é a única maneira de o fazer.

E pronto, a última temporada. Ainda não vi um episódio de jeito. E há momentos de profundo ridículo como a missão do guardião da ilha ser… proteger a luz. Pronto, ok, faltam dois episódios e ainda bem. É que mais achas para esta fogueira iam provocar, certamente, muitos feridos.

Pronto, já vi. Epá… os meus piores receios confirmaram-se. Não conseguiram estar à altura… Foi fraco, muito fraco, especialmente pela conclusão que é dada a um tempo paralelo que se tinha criado, no qual o avião não tinha caído. Esse elemento, o único verdadeiramente interessante da série 6, tornou-se um fiasco por se assumir como uma espécie de purgatório inconsequente. Uma treta…

Claro que a série valeu a pena. Mas que fica irremediavelmente mais fraca por causa deste final, lá isso fica.

 

O Cisne Negro, o filme de Darren Aronofsky

(alguns spoilers, não aconselho a leitura a quem não viu)

Não sei muito bem se devia escrever algo sobre este filme. Por um lado, claro que sim, porque é um objeto interesantíssimo mas, por outro, não gostei de tanta coisa que não sei se vale a pena. Pois, o problema é esse: gostei muito e não gostei nada de imensas coisas neste filme.

Comecemos pelo talvez óbvio, a dança, vista por dentro, com uma câmara que acompanha os movimentos do bailado de uma forma quase indecente (aliás, esta câmara é definitivamente indecente, muito para lá das cenas de dança, e não só nas cenas de sexo. Bom, mas quanto a isso, viva a indecência!). Isto já bastava para eu querer ver o filme mas foi muito melhor do que eu esperava.

Depois há a Natalie. Acho que a interpretação é notável, ainda para mais, implicando tudo o que implicou, em termos de esforço físico de aprendizagem. Mas não é só isso, ela é aquilo que esta personagem podia ser, e é-o inteiramente. Veja-se a cena em que ela fala com a mãe ao telefone, a dizer-lhe que ficou com o papel. A alegria contida é tão extrordinariamente interpretada que fica, para mim, como uma cena clássica.

Mas, depois, há, aqui e ali, um mistério, ou um elemento de surrealismo. Enfim, qualquer coisa que parece querer levar este filme a ficar entre o The Others e o Persona. E isso era profundamente dispensável.

Há o final extraordinário também. Mas parece-me ensombrado pelos tais laivos de surrealismo que parecem só existir para dar alguma ocupação aos efeitos visuais e mostrar talento de quem os fez. É chato, é estúpido, e tira ao filme uma aura profundamente humana que ele tinha.

 

Bel-ami, de Guy de Maupassant

Um livro delicioso, com uma dessas histórias de alpinismo social como se lê em tantos outros romancistas do séc. XIX. Só que este é um dos melhores.

 

Paris, o filme de Cédric Klapisch

Quando escrevi este post não sabia que, alguns meses depois, iria voltar a Paris J:

Um filme que vale pela cidade, antes de mais. Depois, há o que acontece. Ou melhor, o que não acontece. Não há bem uma história, não há bem personagens bem construídos. Há momentos, acontecimentos, aqui e ali, na vida de algumas pessoas. E vamos assistindo a tudo isto da mesma forma que, no final, um dos personagens percorre Paris de táxi e se vai cruzando com os outros. Assistimos e revemo-nos, num ou noutro caso. Ou não. Este não é um filme de exemplos ou de lições, é apenas um filme sobre aquilo que acontece, ou vai acontecendo, tendo como pano de fundo uma cidade que é, como sempre, ela própria, uma grande personagem.

 

The Humbling, de Philip Roth

Mais um livro de Philip Roth e, desta vez, creio que é um livro a aconselhar a quem quiser conhecer este escritor. Em primeiro lugar, por ser bastante pequeno, mas, por outro lado, contém um pouco de tudo o que Roth é capaz de fazer.

A história é curta e limitada. Desenvolve-se em três atos, sendo que, no primeiro, temos um Roth clássico, a desenvolver os seus personagens. Depois, no segundo, é a estranheza que se começa a desenvolver, quando o improvável começa a acontecer e a mudar tudo. O terceiro ato, leva-nos ao Roth provocador, com descrições sexuais ao nível do Portnoy.

O livro é limitado porque estes personagens poderiam ser desenvolvidos a um nível muito maior. Num livro de 300 ou 400 páginas, muitos dos acontecimentos que aqui mais marcam seriam apenas episódios. Neste caso, tornam-se o principal da história. Não sei bem até que ponto isso é bom. O que sei é que este é um livro para ler de um trago, para nos prendermos apenas naquilo a que a história nos leva. É um livro de liberdade de um autor que já fez tanto e tão bem que não precisa de justificar linha a linha as opções que toma.

À parte algumas inverosimilhanças, e eu não sei até que ponto isso interessa aqui, há nestas breves páginas uma espécie de peça de teatro, um livro que se lê no mesmo tempo em que se vê uma peça, um livro que termina com uma perfeição formal impressionante. Mesmo quando é previsível, Roth é um mestre.

 

No Coração desta Terra, de J.M. Coetzee

Um dos melhores livros de Coetzee, ao nível de Desgraça e A Idade do Ferro. Frio, seco, brutal, sempre brutal. Frases inesquecíveis de um personagem que acompanhamos sem perceber onde está o real e o imaginado, com o estilo concretíssimo de Coetzee. Como é que algo tão bruto pode ser tão belo? Como é que Coetzee consegue ter um estilo tão único e vincado, parecendo que não tem estilo e apenas sendo simples?

ou

Acho que já esgotei os meus elogios ao Coetzee e, no entanto, pego em mais um livro dele e, de repente, tudo o que eu já disse parece pouco. Este No Coração desta Terra tem entrada direta para o top dos meus livros preferidos de Coetzee. Lado a lado com o Desgraça e com A Idade do Ferro. Porém, este é um livro muito diferente, com laivos de surrealismo que não existem normalmente no autor. Por exemplo, aqui nunca se sabe o que é real e o que é imaginado. Somos levados a explorar o interior de uma personagem de uma forma tão íntima que é perturbadora. Mas sempre sem sabermos onde está a fronteira entre aquilo que é uma alucinação, ou um desejo, e aquilo que efetivamente aconteceu.

Mas o mais interessante disto é ficar a pensar: como é que algo tão bruto, tão cru, tão perturbador, pode ser tão belo? Como é que um livro tão desencantado pode ser tão extraordinário?

É Coetzee… Pois.

 

 

 

Auto-de-Fé, de Elias Canneti

Este livro provocou-me uma curiosidade enorme. Vi-o nas livrarias e apaixonei-me logo por ele. Li as primeiras páginas e fiquei encantado. Continuei a ler, até ao fim da primeira parte, completamente fascinado.

Depois. Foi-se. Parece que o livro que eu estava a ler morreu e se transfomou numa coisa bizarra e sem interesse.

Pode ser muito bom na mesma mas, para mim, acabou quando acabou a primeira parte.

 

Solaris

Epá, desisti quando já ia em cento e tal páginas. Não, não é para mim. ‘Bora ver o filme do Tarkovsky.

 

A Melhor Juventude, o filme de Marco Tullio Giordana

Este filme, divido em duas partes de umas três horas cada, merece cada segundo da duração que tem. Ainda bem que me deu na cabeça para tentar vê-lo. Nunca mais pensar em não ver um filme por ser demasiado grande. Como diz o Roger Ebert na sua crítica (http://rogerebert.suntimes.com/apps/pbcs.dll/article?AID=/20050331/REVIEWS/50310004/1023) são seis horas de duração mas também são seis horas de profundidade. E que nenhum filme, quando é bom, pode ser grande demais.

 

Uma Abelha na Chuva, de Carlos de Oliveira

Este livro é uma pérola. Onde é que eu andava? Pequeno mas escrito de forma tão magistral e tão cheio de literatura que apetece guuardá-lo para ler mais vezes, muitas vezes.

 

O Eterno Marido, de Dostoievsky

Há algum tempo que eu não me dava mal com um livro de Dostoievsky. Quer dizer, não é mau e tal. Mas eu espero sempre tanto dele que nem sempre acontece. Não aconteceu.

Não me interpretem mal, é um ótimo livro e aconselhável. Mas se nunca se leu O Crime e Castigo ou Irmãos Karamazov é  para esses que é urgente correr.

 

A Solidão dos Números Primos, de Paolo Giordano

Pronto, sim, é giro. Tem uma boa estrutura, uma história que entretém. Mas porque é que este livro teve tanto sucesso? É mesmo só giro.

 

Canino, o filme

Muito mau o que foi feito com algo que podia ser tão bom. Veja-se Haneke e os seus Jogos Perigosos para perceber como este filme podia ter sido extraordinário. Este Canino não serve para nada. E é pena, uma grande pena.

 

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