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Abrir este O que diz Molero, começar a ler e parar apenas no fim, parece-me ser esta a forma perfeita de conhecer este livro. Não posso dizer que tenha ficado surpreendido. Basta ler o que se diz desta obra e percebe-se que há aqui algo de extraordinário. A surpresa vem, afinal, da confirmação: este é um livro prodigioso, uma obra-prima da literatura portuguesa. Lê-se num ápice, de forma voraz, largando gargalhadas constantes. Há tanto Portugal neste livro, ou melhor, tanto ser português neste livro, que é quase impossível não vermos nestes personagens fragmentos dos nossos amigos, dos nossos familiares, dos nossos bairros.

A estrutura da obra provoca, inicialmente, estranheza. Mas é a partir daí que se desenvolve, a um ritmo frenético, um desfile insólito de situações e personagens. Tem-se a sensação de que nem se consegue absorver tamanha teia de acontecimentos. Por vezes, já não sabia a quem estava a acontecer o quê, mas nada disso interessava, só me apetecia continuar a devorar as páginas, por puro prazer. Um livro para quem não gosta de ler, pela divertimento que proporciona; um livro para quem gosta de ler pelo prazer que dá poder ver uma escrita tão virtuosa.


 

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Apesar de este ser um dos livros mais famosos de Hamsun, confesso que não fiquei particularmente impressionado. Não há muito que aconteça aqui, como também nada acontecia em Fome. No entanto, também não há aqui a viagem interior que tornava Fome tão interessante. Parece-me dispensável. Se bem que terei que espreitar uma nova tradução para ficar com a certeza. Esta que li parece-me demasiado distante da intenção do autor.

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Obama

21.01.09


 

De Obama, na tomada de posse, isto:

 

(…) é por isso que homens e mulheres e crianças de todas as raças e todas as religiões se podem juntar em celebração neste magnífico mall, e que um homem cujo pai há menos de 60 anos não podia ser atendido num restaurante local pode agora estar perante vós a fazer o mais sagrado juramento.

 

Se alguém ainda não percebeu o que há de incrível no momento a que estamos a assistir, está aqui tudo!

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Este livro constitui uma das mais profundas surpresas que já tive. Assumo, antes de mais, as culpas: de uma parcialidade radical. Este livro, e era só isso que eu sabia sobre ele, é “sobre os Açores”. E há poucas coisas de que eu goste mais na vida do que essas ilhas. Mesmo assim, o livro resistiu na estante durante vários anos, ignorando eu o que, verdadeiramente, por lá se contaria.

Depois há a forma como lhe peguei. Tinha acabado outro livro, andava pela estante a tentar escolher o próximo e lá apareceu ele, insinuando-se, como já havia feito tantas outras vezes. Peguei-lhe, abri-o e pensei ler duas ou três páginas, depois escolheria outro mas ficaria satisfeita a sua reivindicação de atenção. A verdade é que, nesse dia, só o larguei 200 páginas depois. Não fazia ideia, não conseguia ter nenhuma pista que me levasse, sequer, a desconfiar que estava perante uma obra desta dimensão e riqueza.

João de Melo traça aqui um retrato de uma família, de um país, de um povo e de tantas outras coisas. Primeiro conhecemos a viagem de dois dos personagens, deixando as ilhas a caminho de Lisboa. Depois, vamos conhecendo, em detalhe, alguns personagens que, também na forma de entrevista, nos vão revelando a sua vida e alguns terríveis episódios da sua infância. Trata-se de descrever três lutas, de três irmãos, que, unidos por um percurso diferente, se recordam de tudo o que a sua vida foi. Ao mesmo tempo, vão-nos descrevendo o que é ser açoriano, o que é ser português, o que é emigrar para o Continente ou para outro país.

Esta forma de “entrevista” dada ao autor do livro, torna os personagens invulgarmente verosímeis. O próprio encadeamento daquilo que vão contando, dando ao leitor uma visão tripla de um mesmo tempo e de uma mesma casa, transforma a prosa numa quase confissão íntima que, para além do mais, deixa transparecer uma teia de sentimentos angustiantes mas cheios de esperança. Em vez de um rol de desgraças, que lá estão, é certo, há um ponto que entrecruza a(s) história(s), esse conceito de gente que é feliz, mas com lágrimas. 

Parece-me que há aqui páginas a mais. Quando se passa ao segundo livro, e aos seguintes, há momentos em que se perde o efeito cristalino da parte das “entrevistas”. Porém ganha-se no aprofundamento de alguns personagens. Passa a haver mudanças de narrador constantes e subtis. O autor começa a afirmar-se, também em heteronímia, confundindo-se com o personagem-entrevistado, com o personagem-escritor, com o eu e com todos os outros narradores. Mas isto nunca acontece em prejuízo do leitor, não exige uma concentração para lá do normal. Basta ler, deixar fluir o texto, e o encantamento desta obra respira livremente mas sem concessões. É literatura que, assumidamente, se tenta fazer aqui. É literatura, da melhor que Portugal tem para oferecer, que aqui se encontra.

E voltando à pessoalíssima e subjectiva atracção que este texto me provocou, confesso: lia-o a pensar: quero relê-lo.

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Há livros que são autênticas revoluções, depois deles, nada fica igual. Deste até se diz que é o início da literatura moderna. E nada disto eu sei. Apenas sei que o li como um livro interessante, uma exploração interior na qual não se chega a perceber se acontece alguma coisa ou não. Nem se sabe muito bem se o que acontece é real ou imaginação e, finalmente, é fácil concluir que nada aconteceu. Pois, este Fome é um livro sobre o ser interior, sobre testar limites do corpo que são, afinal, testados pela mente, parece ser ela que mais sofre quando o corpo é privado de comida. De qualquer forma, é ela quem toma as decisões.

O que verdadeiramente surpreende neste Fome é pensar que foi escrito há tanto tempo, em 1890. Hoje em dia, ler um livro deste tipo é relativamente fácil (tão bem escrito é que já será outra história, bem diferente). Porém, ler algo assim com mais de um século de existência já não o será.

Para uma análise mais completa veja-se o prefácio/ensaio de Paul Auster. A partir deste, até parece ser Fome um dos livros mais importantes da história da humanidade. Pode parecer exagerado mas tudo o que Auster diz está bem justificado e, de certo modo, é um texto tão interessante que pode não se acreditar em nada mas ter-se, mesmo assim, bastante prazer a lê-lo.

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