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Há aqui uma diferença brutal entre o que este livro parece ser e o que ele verdadeiramente é.

 
Eu até sou daqueles que prefere ver alguém a ler um livro da chamada literatura light do que nenhum. E até acredito um bocadinho que quem por aí começa talvez chegue, também, à grande literatura. O que eu não consigo perceber é como é que se dá a este livro a roupagem que ele tem, com um título à-la-literatura-light, uma capa à-la-Friedrich-com-uma-criança e depois se põe um subtítulo a dizer algo como “A Viagem de um filho por terras islâmicas”. Bom… é ir ao Google e ver. Diga-se também que a edição portuguesa é igual à inglesa, por isso, a culpa deve estar logo na origem. Felizmente, há uma frase de Naipaul na capa que me fez ficar descansado e arriscar comprá-lo.
 
Nada disto teria mal se o livro tivesse algo a ver com esse tipo de… literatura. Mas não. Este é um livro de um jornalista que resolve, em linguagem jornalística, contar alguns aspectos da sua vida e, em particular, uma viagem que fez para “descobrir o Islão. Nem sei se se pode considerar isto como um romance. Talvez possa, na mesma medida que A Viagem de Théo pode ser um romance.
 
O que temos aqui é mais uma investigação jornalística. O que temos aqui é mais uma série de entrevistas e um relato de uma viagem que permite uma visão abrangente sobre o islão enquanto religião. Desde a Turquia até ao Paquistão, vamos conhecendo personagens que nos dão ideia das suas várias vertentes. Para mais, o livro foi escrito recentemente e fala de acontecimentos tão reais, que permite compreender melhor a actualidade.
 
Há uma dimensão autobiográfica (que deve ter dado aos editores a ideia de tentar vender o livro como aquilo que ele não é) que ajuda a tornar a história mais consistente e que fundamenta a viagem. Trata-se do filho que tenta compreender a religião que tem, ou que lhe dizem que tem, fazendo ao mesmo tempo uma busca pessoal, a de compreender e encontrar o seu pai.
 
Para quem conhece esta religião, este livro tem esta extraordinária característica de ser capaz de nos mostrar os seus vários ângulos e aquilo que ela tem de comum em todos e tão diversos países. Aconselharia a leitura prévia de uma introdução aos preceitos do Islão, para compreender melhor este Regresso às Origens.
 
 
P.S. Imagino uma tia dondoca a pensar “ai que deve ser tão lindo… um filho à procura do pai… ai, vou levar”. E depois começa a ler e não é nada disso. Pena que eu duvide que ela prossiga a leitura… (verdade seja dita: pelo menos preocupa-se em ler, o que nos dias de hoje já não é mau, nada mau…)

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