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(texto não aconselhável a quem não leu o livro)

 
Antes de mais, esclareça-se que o título original deste livro é Foe. Em português, a Ilha, é um título medíocre e desinspirado que nos veda o acesso ao que o livro realmente é até que, mais tarde, o possamos compreender pelo texto.
 
Neste livro, Coetzee, revisita o romance Robinson Crusoe, de Daniel Defoe. Tomando como ponto de partida uma mulher (que é também a narradora), que naufraga e vai parar à ilha onde vivem Cruso e Friday. Do que por lá se passa e de como estas pessoas vão coexistir, trata a primeira parte da obra.
 
Na segunda parte, os três já foram salvos por um navio. No entanto, Cruso morreu na viagem e, portanto, resta-nos acompanhar a vida de Susan e Friday em Londres. A forma como o vamos fazer é através das cartas que Susan vai escrevendo a Daniel Defoe, pedindo-lhe que escreva a sua história. No entanto, durante muito tempo, ela não sabe do paradeiro do escritor, nem consegue comunicar com ele. Não obstante, continua a escrever as cartas. Deste modo, vamos ficando a saber como Friday continua a viver como um selvagem e sem comunicar (cortaram-lhe a língua há muito e ele nunca desenvolveu nenhuma forma de comunicação, Cruso não achou necessário que ele conhecesse palavras).
 
Na terceira parte, o romance transforma-se numa reflexão sobre ele próprio, sobre a escrita e a vida, a realidade e a ficção. Daniel Defoe surge como uma espécie de personagem, ou de demiurgo, menos interessado na história como Susan a conta do que em desenvolvê-la noutros moldes, diringindo-a para outros factos, mais pessoais, sobre a própria Susan. O romance quase se reescreve. Da reinvenção de Robinson Crusoe, Coetzee parte para a reivenção do seu próprio livro, estando ainda dentro dele. Confuso? O conceito, sim, pode parecê-lo. A leitura, porém, é rápida e aborvente, ao estilo do que Coetzee costuma proporcionar. Talvez as duas primeiras partes o sejam menos. Para mim, apesar de escritas com a notável marca do autor, parecem só se iluminar quando surge a terceira. De qualquer modo, essa é uma opção perfeitamente defensável. E Coetzee já mostrou, noutras obras, o quanto uma página sua pode valer por um romance inteiro.

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