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Por vezes, acontece isto: entusiasmo-me com um livro, devoro-o com avidez durante algum tempo e, a certa altura, tudo começa a mudar, o entusiasmo dá lugar ao cansaço e o livro passa a ser uma experiência frustrante.
 
Durante umas 150 páginas assisti, fascinado, à incursão do diabo por Moscovo. Bulgakov faz um retrato extraordinário dos vícios e defeitos da sociedade moscovita, parecendo o diabo um justiceiro, tal é a falta de virtude daquelas pessoas.
 
Para além disso, há a história de amor de Margarita. No entanto, quando a ela se chega, a fantasia já foi tanta que o interesse que o livro tinha se perdeu. O fantástico, quando servido em doses generosas, como é o caso, torna-se, para mim, profundamente aborrecido. E, neste livro, há bruxas que voam nuas em vassouras, sobre Moscovo. Há gatos que falam, há pessoas que são “teletransportadas”, há dinheiro que aparece e desaparece. Tudo isto muito divertido, tudo isto bem escrito. Infelizmente, não é para mim.
 
É verdade que este livro tem tudo para ser considerado um clássico, e é-o. A sua profunda originalidade e mestria na construção dão-lhe direito a esse estatuto, que eu não contesto. A nível pessoal, foi uma leitura fascinante até me parecer que se torna demasiado exagerado e perde a subtileza dos primeiros capítulos.

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5 comentários

De Emílio Sampedro a 19.04.2013 às 22:45

Andando a navegar na Net , dei com este blog e este post . Eu diria que o seu autor, como nós dizemos aqui em França, é um típico leitor en miettes ". Típico de um Portugal de gente pequenina, sem estômago para grandes cometimentos (e a leitura é um grande cometimento!), um mocinho pedante e sem capacidade para ver a grandeza de toda uma obra e de um autor. Uma espécie de Pedro Rolo Duarte (sujeito particularmente pretensioso e vincadamente alfacinhista ), um apreciador de iguarias em superficialidade com ar modernaço. Gente desta nunca devia ter acesso a ler coisas a sério - ficassem-se pelos buques de um Peixoto ou de um saramaguejante parlapatão, Como dizia Proust , "não se devia franquear a sala a malta assim. Quando Francisque Michel acabasse de jantar na cozinha empurrava-se de pronto para a cocheira". Bulgakov nas mãos de gente deste calibre? Ai, ai...!

De pedrices a 20.04.2013 às 23:49

Acho que fui honesto - reconheço que é um grande livro, um clássico. Mas não gostei... Aborreceu-me, o que é que eu hei de fazer? Ser isso de que me acusas, dizendo que gostei? Não. Fico-me pela minha honestidade. As palavras de má educação, o ser reles e ordinário de forma gratuita, ficam contigo.

Obrigado pela visita!

De Rodrigo de Menezes a 23.04.2013 às 15:41

Não me parece que o Sampedro tenha sido reles e ordinário. Até falou com muito propósito e elegância formal. Naturalmente que este Pedro, se pedro é, não apanhou a justa indignação do comentador, que exprimiu uma crítica justa ante a superficialidade do postador . Há que ter real respeito pelos grandes autores, nomeadamente os que estão acima da craveira que cá se usa, não dizendo coisas que revelam leviandade pueril. Mas não sei...Temo que o postador não esteja à altura de entender. Assim sendo, a nossa comiseração assenta-lhe que nem uma luva.

De pedrices a 23.04.2013 às 21:28

Olá Rodrigo, mas sou pueril por não gostar do género fantástico? Eu passo a vida a ler comentários que dizem que um livro é mau ou horrível porque quem o leu não gostou. E acho que isso é errado porque o "mau" ou "bom" não deve ser medido a partir do umbigo de cada um. Nos meus textos, tento distinguir. É um grande livro, mas eu não gosto. Fiz questão de dizê-lo: "tudo isto bem escrito. Infelizmente, não é para mim". Isto é ser pueril? Desculpa mas pueril é quem não tenta qualquer avaliação baseada em critérios de qualidade. Eu reconheço que sou eu, e apenas eu, que não gosto mas que é um bom livro. Sugiro que visitem outros blogs para ver como é que as pessoas tratam os grandes nomes da literatura (o outro comentador desrespeitou Saramago de forma pueril, aliás).
Quanto a ti, fizeste um comentário elegante e discordante. Por isso, mereces toda a minha consideração, embora dispense a comiseração, certamente mais útil noutro local.

P.S. Remetia-te para as discussões abundantes de outros blogs, onde quem critica os clássicos usa o argumento espantoso do "gostos não se discutem". Mas irrita-me tanto que não desejo a ninguém.

De 222 a 23.04.2013 às 22:21

para além dos ataques pessoais ao autor deste blogue, nao há nestes comentários qualquer opinião pessoal sobre o livro em causa. Os ataques são espirituosos, de facto, mas, face ao silêncio que guardam sobre o livro, ficamos na dúvida sobre se tal opinião pessoal existirá mesmo, ou, in extremis, se de facto o leram. Domage.

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